10 Pounds of Old

Morreu Harley Race. No dia primeiro de agosto de 2019, um dos maiores nomes da NWA e da história do PW se foi e, sejamos francos? Isso é tão normal quanto estar vivo.  Os velhos morrem e logo não restará entre nós nenhuma dessa geração. Os cinco quilos de ouro – convertidos aqui numa conta bem imprecisa – se perderão no tempo ou, pior ainda, serão carregados por alguns nomes que tentam emular a glória dessa geração defunta.

Não se engane. Alguns lutadores na indústria possuem habilidade e personalidade suficiente para, daqui quarenta anos, soarem aos ouvidos tão bem quanto Ric Flair, Harley Race, Dusty Rhodes, Ricky Steamboat e outros. Contudo, apesar de maleáveis em suas posições, acredito que pessoas não sejam substituíveis. Já existem nomes tão grandes quanto o do oito vezes campeão da National Wrestling Alliance e, mesmo assim, nenhum deles carrega as mesmas letras, o mesmo DNA. Não é possível que dois seres humanos tenham as mesmas digitais. Portanto, no exame forense dos 10 pounds of gold, a identidade do campeão será somente sua, criando e preenchendo um vácuo digno dos corpos do Junji Ito.

Da mesma forma que buscamos esse preenchimento, temos uma nostalgia quase cega pelos tempos enterrados. Essa era de ouro do Wrestling se foi e, conforme seus baluartes todos são enterrados, é preciso que não se mumifique e se tente replicar, num show de marionetes, as glórias dos anos 70 e 80. Homenagem é legal, mas em algum ponto fica ridículo, fica farofa.

Sempre pode-se aprender com o velho, mas é impossível sê-lo. Portanto só nos resta luto e isso é o que sempre sobra quando os jovens não morrem. Harley Race combateu o bom combate com mais classe do que se pedia nos livros e mereceu seu lugar ao sol. Talvez não tenha o mesmo impacto na cultura pop quanto outros atletas. Todavia, dentro da cabeça de um fã da lutinha fake de cada dia, ele – que certamente me daria um tapa na cara ouvindo o termo lutinha fake – é tão eterno quanto a nossa ininterrupta linha de pensamento.

Até amanhã, caro leitor.

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Da Boca Pra Fora – Strokes: Is This It

Eu sinto muitíssimo por gostar dessa banda e você, meu caro leitor, se tivesse bom senso, também sentiria. Mas, já que está aqui, é claro que não tem bom senso e devo dizer que lhe sigo nesta característica. A verdade é que eu menti no começo do texto, mas não completamente.
Eu gosto de Strokes o suficiente para dizer o quanto o show deles no Lollapalooza 2017, mesmo sendo uma completa merda, me deixou extremamente feliz, mas não o suficiente para achar o show bom ou passar pelas falhas da banda ou de seu vocalista.
Acredito que hoje cheguei a um meio termo. Este se encontra no limiar da discografia da banda Nova Iorquina, que terá aqui seu primeiro review de cabo a rabo feito totalmente por mim.
Veja só, você que lê, isto é inédito em toda internet, simplesmente por ser eu que escrevo – sejamos francos, a não ser pelo inédito, isto não vale de porra nenhuma – e espero que isso já o deixe ai quietinho pelos próximos page downs.
Você quer mais informações sobre a banda? Este é o link para a Wikipédia. O que você precisa saber aqui é que eles tem um vocalista que é um cuzão chato do caralho e que as músicas não falam inteiramente sobre porra nenhuma, apesar de possuir ressonância, por serem tão genéricas, com qualquer pessoa. Va lá, TALVEZ. Isso não é bem uma garantia.
Enfim, vamos ao primeiro álbum: IS THIS IT

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A gente precisava de um Superstars?

Você lembra do WWE Superstars? Programa que, tal qual todas as atrações da WWE, começou com um card de primeira categoria e virou a porra dum descarte para lutas excelentes entre Trent Baretta, Curt Hawkins e Tyson Kidd?

Então, eu infelizmente lembro, pois, como jovem sem bom senso que eu era – e se você é jovem, nem tente buscar bom senso nessa cabeça desgraçada sua – assistir WWE era, para mim, mais importante que procurar um produto novo em um formato mais agradável e que explorasse, de maneira inteligente, as fronteiras do Pro Wrestling.

Até porque, fronteira de cu é rola, o negócio é continuar limitado mesmo!

E ai estreou o primeiro Superstars, desenvolvendo feuds do topo da cadeia alimentar, até regredir, gradativamente, a um programa que aproveitava talentos sub explorados do Roster. Isso, atualmente, me serve de argumento quando alguém fala que existem nepotismo por parte da WWE com os Usos, sendo que estes filhos de uma puta sofreram nesse vácuo de infelicidade que era o programa semanal.

Bom, todos nós já sofremos com dois programas periódicos da WWE e acredito que isso seja o suficiente. Entretanto, siga comigo, pois, ao meu ver o Superstar teve uma importância para mim justamente em relação a perceber que PW não era somente Raw e Smackdown.

Antes do NXT ser uma porta de entrada para algo menos megalomaníaco e cheirado de cocaína como os dois obeliscos do Vinção, foi o WWE Superstars que me ajudou a ver que podemos ter lutas que são, simplesmente, fechadas em si e valem-se somente da habilidade dos dois competidores no ringue.

E também me deram Trent Barretta, que é um presente da vida para mim, abrilhantando nessa minha existência triste e merda, cercada de carne e ideias idiotas como… sei lá, Cody Rhodes.

Bom, até amanhã.

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A maravilha dos torneios

Eu preciso ser honesto e dizer que, no começo da minha jornada com o PW, eu demorei para entender como funcionava a lógica novelística da coisa. Na minha concepção só existia um formato concebível para qualquer competição: CAMPEONATO BRASILEIRO DE PONTOS CORRIDOS.

 

Estúpido, não? Pois é. Por incrível que pareça, caro leitor, eu ainda sou imbecil nesse nível até hoje, só que com outras coisas. De qualquer forma, pensando cá com meus botões, cheguei a conclusão que esse tipo de torneio ajuda muito a entrar no tipo de competição e arte que conhecemos como PW.

 

Primeiramente porque organiza as coisas de uma forma hierárquica e ajuda cabeças disfuncionais como a minha a ver um objetivo dentro daqueles combates. Em meados de 2003 quando eu comecei a ver GDR, nada disso em incomodava. Contudo, no ano de 2008, com o glorioso SBT do merdeiro Silvio Santos, tivemos a WWE em nossos televisores e eu comecei a me questionar sobre o objetivo daquilo tudo.

 

Não tinha razão, não tinha temporada, não tinha subida aparente até o título da empresa. Isso de forma alguma me impediu de continuar acompanhando – como você bem pode perceber – , mas fica claro para mim que um torneiozinho teria ajudado na minha imersão imediata dentro do produto.

 

Coisas como o JSF ou o G1 Climax – apesar do último ser um campeonato carioca forjado no inferno – dão um sentido de continuidade que, algumas vezes, me agradam.

 

Mas só algumas, hoje em dia eu prefiro mais a putaria doida do dedo no cu esquerdo.

 

Enfim, caro leitor, é isso. Até amanhã.

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Juntos Somos Fortes?

Talvez.

Mas a verdade é que existe um grupo seleto de pessoa realmente dispostas a tentar. E, nesse cenário do PW que incentiva uma competição física e intelectual initerrupta, um chamado a união pode soar como ingenuidade ou até ofensa.

Ignorando isso, em 2013 a FILL resolveu arriscar e o denominado “Primeiro torneio de Luta Livre Nacional” nascia, trazendo com ele uma bandeira de união. É mais velho que o 7 x 1, passou por três presidentes da república e reúne empresas de todo o Brasil para provar um ponto simples e auto explicativo.

Por conta dessa afronta, devemos questionar a afirmação, pois seria possível mesmo se tornar mais forte em meio as concessões que fazemos? Tem como aumentar a potência ou o caminho da luta livre nacional é só ladeira abaixo.

Bom, felizmente, para essas pessoas não existe dúvida. Qualquer um que se meta a fazer luta livre no Brasil já é, em partes iguais, um herói e um imbecil, dada a impossibilidade da coisa. E como eu agradeço pelos imbecis, pois eles que constroem o futuro real.

Juntos Somos Fortes porque, separados, somos só um terreno de velhas raízes fracas consumindo nutrientes de um solo comprovadamente fértil.

Por mais que a separação seja tão atrativa, é preciso aprender uma coisa com Tytan e seus seguidores: o PW é o sonho de uma vida e muita gente já viveu e morreu por ele, gente demais para que essas cores não sejam honradas.

Então é possível que a individualidade seja o único caminho são, mas a verdade é que a loucura pode ter uma potência sem igual. O fato é que Juntos Somos Fortes.

Esse texto faz parte de iniciativa para falar sobre o Torneio Juntos Somos Fortes, que acontece no Rio de Janeiro nos dias 27 e 28 de Julho de 2019

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Socos e chutes

Estamos sempre falando aqui sobre os detalhes narrativos do Wrestling e como a coisa toda reside em uma lógica não revelada que, assim se espera, é mantida por certos parâmetros de conduta dentro do ringue. Eu não sou muito pentecostal quanto a essas leis que existem para um wrestler, no que tange o “pode e não pode” do ringue.

Entretanto, hoje eu trombei com um vídeo do Al Snow em que ele fala um tanto sobre artifícios narrativos e reações em cima do tablado. Eu não sei se eu concordo com tudo, porque eu já vi lutas incríveis em que praticamente todos esses ensinamentos foram quebrados, mas é, de fato, uma aula muito interessante de se assistir e acho que vale o seu tempo.

E ele devia ter ajudado as mulheres que brigaram no bar, filho da puta.

 

Infelizmente o vídeo só está disponível na língua da rainha, mas ele basicamente fala sobre coisas que todo mundo já experienciou fora do ringue – socos na cara, chute baixo, puxada de cabelo – e como as reações entre as cordas e fora delas são tão discrepantes, ao ponto de poder acabar totalmente com a experiência de uma luta para o público pagante.

Novamente: eu não concordo com tudo. Até porque nem todo filme é naturalista e as coisas que o Jackie Chan faz na tela, nenhum ser humano faz em uma briga de bar. Mesmo assim, se a abordagem que se busca é a que ele cita dentro do vídeo, suas palavras são perfeitas e devem ser levadas em conta.

É, eu gostei de ver coisas online e simplesmente fazer uma recomendação seguida de breve comentário aqui. Talvez eu faça mais, já que você provavelmente não assina minha newsletter, onde eu faço isso toda semana.

Beijos, caro leitor, e até mais.

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G1 Climax 2019 – DIA O1

Rolou. Dia seis de julho foi uma boa data para o Puroresu dentro dos Estados Unidos, uma vez que, em Dallas, tivemos o primeiro dia do G1 Climax 2019. Bom, caro leitor, caso você queira saber mais sobre o torneio, Joker e LKS te explicam neste texto aqui.

Além disso, devo salientar que SIM, eu pulei todas as lutas que não estavam no torneio e fui direto para os combates do campeonato, pelo simples fato de eu não querer perder tempo vendo luta de trio que vai do nada para lugar nenhum. Reclamações? Mandem para o e-mail.

PROSSEGUINDO

Primeiro combate foi Lance Archer vs Will Ospreay. Um deles é o último campeão do Best of Super Juniors e IWGP Jr. Heavyweight campeone. O outro é o Lance Archer e só isso já basta. Existe uma falha de caráter em todos nós que acompanhamos e, supostamente, amamos PW: todos não falamos o suficiente sobre Lance Archer. E isso se repete com Davey Boy Smith Jr. , mas ai fica para outro dia.

O fato é que o membro da Suzuki Gun e Ex WWE é um powerhouse monstruoso, com uma capacidade narrativa tremenda, vigor físico invejável e potencial para bater de frente em qualquer escalão do Roster. Não sei quanto ao seu carisma, esse talvez fique um pouco em falha por, na minha opinião, nunca ter se dado ao luxo do desenvolvimento.

De qualquer forma, ele, junto de Ospreay, construiu um ótimo combate, explorando o tamanho de um e a agilidade do outro. Fiquei sabendo que eles já lutaram um contra o outro – feita na qual Ospreay saiu vencedor – , mas confesso que não cheguei a assistir este prévio combate.

A luta de sábado, entretanto, foi o suficiente para ver o que estes dois lutadores tem para mostrar quando são colocados juntos num ringue. Foi impressionante e o final, sinceramente, foi muito surpreendente. Ospreay é o futuro brilhante e certo, que só pode ser parado com casualidades do destino, as quais esperamos afastar usando o artifício de nossa torcida.

Já Archer é um souvenir e não sei por quanto tempo mais ele estará exposto para que o aproveitemos. Seria melhor gastá-lo rápido, antes que a poeira o paralise.

Abraço de amor

FALE vs EVIL foi uma bela merda. Pula essa porra ou faça que nem eu: assista com o máximo de distrações periféricas possíveis. Mete um Mob Pyscho, um videozin do Youtube, assiste City of Tiny Lights no Netflix. QUALQUER MERDA

P R Ó X I M O

SANADA vs Zack Sabre Jr foi tudo o que a gente espera de um combate contendo nosso comunistinha favorito da inglaterra. Foi pegado, a técnica foi perfeita, narrativa no ponto e controle total de ritmo com golpes que beiram o absurdo no quesito execução. O Sanada acompanhou perfeitamente e entregou, junto com ZSJ uma luta que é simples e brilhante, um ótimo exemplo de acima do mediano, salientando como o PW pode ser simplesmente ele mesmo em alguns momentos.

E ai, no próximo combate a porra ficou realmente muito séria.

 

KENTA vs Kota Ibushi foi um espetáculo. A quantidade de chute na cara e porrada SÉRIA que esses dois deram faria qualquer ser humano até um pouco acima do mediano chorar feito um ninja escandaloso. Mas esses dois, como são claramente sobre-humanos, conseguiram entregar, em menos de trinta minutos, uma luta com nuances e que mostra como KENTA é um Wrestler sensacional, o quanto Ibushi merece logo esse IWGP Heavyweight Title e como o wrestling da New Japan concorre seriamente em ser o melhor do planeta.

A luta foi muito pegada e, no que eu pude perceber, sem erros. Nada, desde o ritmo até a execução dos golpes, foi desleixado ou fora do tom proposto. Inclusive, achei o selling do Ibushi para os golpes do KENTA lindíssimos. Vamos aguardar os próximos dias e ver como essas duas crianças se saem nas pontuações dentro do torneio.

Uma certeza existe: com dois caras como esses dentro desse campeonato, a certeza de lutas espetaculares aumenta E MUITO.

Por fim tivemos o já clássico Hiroshi Tanahashi vs Kazuchika Okada. Essa luta inclusive foi o Main Event do evento no qual outra luta sobre a qual eu escrevi hoje aconteceu. Interessante, não?

~Se você não achou interessante, favor não expressar sua opinião para não estragar com o meu dia. Gratilúcifer ~

Prosseguindo. Falar que essa luta foi extremamente boa é chover no molhado e depois cuspir para dar uma umidificada. Só assistam e se regozijem na felicidade que o público texano demonstrou tanto quando Okada tirou a calça e ficou de sunga – fato pelo qual eu sou sempre extremamente grato, uma vez que o Okada de calças é uma aberração – como quando a luta começou em si.

Parecia Rock vs Hogan, só que com um dos caras não sendo um babaca, racista, egocêntrico filho de uma puta. Pelo menos até onde eu sei e espero que continuem assim pessoas decentes.

ENFIM

Esse foi o primeiro dia de G1 Climax

Até outra feita, caro leitor

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Lutando como Tchaikovsky

Ontem, após um ônibus passar numa poça, me dar um banho e esmerdalhar com o meu dia, eu ouvi um podcast sobre como Tchaikovsky fez meta comentários sobre a própria sexualidade em sua sexta sinfonia, usando os tons de seus violinos para “bugar” a mente humana.

Não temos um comparativo tão direto e forte no Wrestling, apesar da ilusão, no nosso caso, ser bela e constante devido a todos os elementos usados. Se não a ilusão, a própria mentira dela.

Mesmo assim, o assunto abordado hoje será como alguns lutadores já usaram ou poderiam usar o PW como uma forma de narrativa que puxe outras lutas ou referêncie seus personagens.

O primeiro exemplo que me vêm a cabeça é Omega vs Goto na final do G1 Climax, onde o vencedor – que iria para o G1 Climax enfrentar Okada e fazer a Six Star que bagunçou a vida do Meltzer – usou golpes dos ex-líderes do Bullet Club, Stable da qual ele era líder, e também de seu ex-companheiro de duplas Kota Ibushi.

Parece um detalhe bobo, mas adiciona a aura da luta, ver um competidor usar a história pregreça para pavimentar seu caminho futúro. Por incrível que pareça, The Miz foi um Wrestler que fez muito isso depois de um tempo, apesar de ser um pouco cansativo e mal feito, com os golpes do Daniel Bryan.

Até ai esse tipo de méta comentário é um pouco batido, pois usar o golpe do oponente é de praxe. Mesmo assim, é interessante pensar como a linguagem corporal pode influenciar na narrativa, onde um lutador pode simular o mesmo gestual duas vezes em dois combates diferentes para dar a impressão de uma derrota iminente; e logo depois ele pode se recuperar, aprendendo com seus erros passados.

Setup e Payoff.

Bom, é CLARAMENTE mais difícil do que parece e PW certamente mora no terreno de sua bela simplicidade, a qual é geralmente tão difícil de encontrar. Até porque muita gente tenta complicar e passa vergonha. Entretanto, o que Tchaikovsky fez não foi complicado e muito menos impossível.

Talvez só precisemos ficar mais atentos para ouvir as sinfonias sendo compostas.

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Vocês deveriam assistir o Impact

Fazer piada com a TNA é algo no mínimo divertido e, sejamos francos, eu e você já tiramos sarro desse barco furado cheio de merda mais vezes que o Gabriel Jesus deixou de marcar gols pela seleção brasileira.

Acontece que Young J fez um gol importante ontem – sim, vou datar o texto para um caralho – contra a Argentina o que me leva a crer que chegou o momento de vocês voltarem ou, caso já não o fizessem anteriormente, começarem a assistir o Impact e subsequentemente os PPVs da TNA/GFW/Foda-se, pau no seu cu.

Por que?

Bom, primeiramente porque a TNA tem Tessa Blanchard e se isso não é motivo suficiente é só porque você não conhece esse lutadora o tanto quanto deveria. Segundo porque as storylines e lutas, EM NÍVEL SEMANAL, são interessantes e bem construídas, o que gera uma sensação satisfatória quando chegamos no PPV e vemos o fim de um arco.

Tem lá sua quantidade de velhos lutando, mas são velhos da ECW e poxa… pontos para qualquer pessoa que me da oportunidades de ver Raven e Sandman. Lógico que tem lutadores inúteis e chatos ali também, mas seu tempo não é tão valioso assim e se você assiste Raw E Smackdown, vamo lá, da tempo e sobra de ver essa porra.

Vale tanto a pena quanto ver um show do NXT e é mais satisfatório que um show da ROH.

O bosta do Michael Elgin estar no Main Event a gente ignora e foca na LAX segurando os Titles de duplas, disputando com outra tag de grande força ali, que seria os Rosquinhas.

E eu já falei que eles tem TESSA BLANCHARD? VAI VER LOGO ESSA PORRA!

 

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Da Boca Pra Fora – The Wild Storm O1 a 23 (e preparação para a 24)

Bom, compadres, vocês sabem muito bem que esse é um site focado em Wrestling, mas que eu sou um porra louca que adora um offzinho de vez em quando. Logo, hoje é dia de Da Boca pra Fora e iremos reler todos as edições de The Wild Storm até a 23 para estarmos preparados quando a edição final, de número 24, chegar aos nossos dispositivos móveis que fora carinhosamente apelidados de CÉREBRO.

 

 

THE WILD STORM

Escritor: Warren “meu Deus que homemzão da porra” Ellis

Artista: Jon Davis “vai toma no cu como desenha” Hunt

Colorista: John “ótimo trabalho” Kalisz , Steve “maravilindo” Buccelato, Brian “Eita que é outro” Buccelato

Letrista: Simon “parece que eu estou no futuro” Bowland

 

Tendo em vista que muitos de vocês não estão inteirados no que é o Universo Wild Storm ou simplesmente no que está acontecendo nesta vida, vamos a um breve resumo. A Wild Storm era um selo do rapaz conhecido como Jim Lee, desenhista ícone dos anos 90, onde ele usava e abusava de personagens filhos da puta fumantes envolvidos em paradinhas paramilitares e times de super-heróis diferentes que, na verdade, eram meio iguais a tudo que já existia.

Bla bla bla esse selo foi vendido para a DC, muita água rolou debaixo da ponte da morte e eis que em 2016 ficamos sabendo que Warren Ellis, colaborador de longa data desse selo e provavelmente o maior criador dele, voltou para a casa dos deuses para mais um tiro de 100 metros entre os grandes.

Ellis foi contratado para ter liberdade geral e nenhuma associação com o universo DC, podendo moldar a espinha dorsal e o clima do que vai ser esse universo, escrevendo em “The Wild Storm”, série de 24 edições, um guia de clima, delineado por uma história de conspiração milenar, tecnologia útil e trivial, misturado com paramilitarismo, teorias da conspiração, um pouco de Doctor Who e muito Whiskey na cabeça.

Não, eu não vou fazer um review edição por edição, mas eu muito bem posso falar de arco por arco, que é como o Ellis descreveu a série em sua entrevista para a DC Comics. The Wild Storm são quatro livros de seis capítulos cada um.

 

ARCO 1

O bom é que The Wild Storm começa como deve começar: gente sangrando em cima de tecnologia e tecnocracia, em território onde as grandes corporações querem pintar o céu de alumínio cristalino. É lindo amores, simplesmente lindo.

O escritor, em conjunto com o desenhista, trabalha em uma estrutura de grids que abraça tanto a narrativa quanto a própria trama em si. Divído entre três narrativas diferntes, o leitor é levado a conhecer a IO – International Operations – a Skywatch e as empresas do Sr. Jacob Marlowe – a Halo- tudo de uma vez só em pequenos fragmentos de diálogos. Logo, é possível se ver envolto em uma trama na qual você só tem pedaços de informação que lentamente vão se juntando, como todas as partículas que Jon Hunt desenha brilhantemente em suas cenas de ação.

E vale salientar que esse primeiro arco é somente de formação. Vemos o reconhecimento de uma guerra que está por vir. Somo apresentados a personagens chaves como Angie Spica, Miles Craven, Trelane, o Homem do Tempo, Michael Cray, os Wild CATs – e nesse eu realmente devo confessar que fiquei empolgadíssimo por razões de Wild C.A.T.S 3.0 – e, ali, no escanteio das coisas todas, juntando todas essas peças, Jenny Sparks.

São muitos nomes para se decorar nessa história dividida em grids de 3×3, mas acredite, Ellis vai fazer você lembrar. Um exemplo de que a preocupação com esse montante de informação é real se mostra em como o escritor usa personagens orelha para mastigar algumas informações prévias para o leitor. Isso fica muito claro na edição seis, no diálogo entre Marlowe e Spica.

A arte de Davis-Hunt aqui já mostra a que veio, com cenas de ação tão detalhadas em peso, partículas, movimento e linguagem corporal que faz John Wick parecer coreografia da carreta furacão.

Mas o mundo é grande e, segundo o escritor mostra, o universo também. Vamos para o segundo arco de WildStorm onde a guerra entre IO e Skywatch vai começar a se montar, usando terra, o espaço e toda forma de vida disponível como peças e também como tabuleiro para apoiar os pés, sem se importar se isso vai acabar esmagando uns crânios no processo

Arte: Jon Davis-Hunt

 

ARCO 2

Neste arco as coisas começam a se organizar um pouco mais e todos os movimentos escoam para uma ação conflitante, mais ou menos como água indo para o ralo. Bom, neste caso a água são pessoas fortemente armadas de munição pesada, habilidade para matar e pacotes de informação nociva e o ralo é uma guerra total e completa.

Os Wild. CATs são melhor desenvolvidos aqui, com um pouco de background exposto por diálogos e alguns flashbacks. A cena de ação samurai protagonizada por John Colt é especialmente bem coreografada, com uma ambientação perfeita. O timing de Jon Davis-Hunt para ação se mostra ainda mais potente nesse arco, inclusive.

Como temos muito mais cenas de assalto para lidar, o desenhista tem a oportunidade de mexer com cenários e marcação para ditar o tempo e fazer uma narrativa que foca nos aspectos enquanto a linha de raciocínio principal foca nos atos.

A escrita continua certeira e da edição 6# a 12# é possível sentir mais uma veia cômica do velho de Thames Delta. Os diálogos são tão bons que eu gostaria de costurar as sentenças na minha pele usando os pelos da minha sobrancelha.

Entretanto, existe um problema aqui que eu só consigo perceber depois de fazer essa leitura “carreirão”: Wild Storm possui um montante de peças móveis que aparições muito pequenas, mas que acabam sendo importante para o todo lá na frente.

Em algumas séries – tipo Criminal ou Kill or Be Killed, sobre as quais eu ainda preciso falar aqui – isso funciona perfeitamente porque, de alguma forma, o plot principal é meio que “independente” desses movimentos. Os personagens são mais uma mudança nos settings de cor do que a própria pincelada na tela do photoshop.

Ellis, contudo, escreve pensando cada risquinho de lápis e, para você conseguir compreender o todo lendo mês a mês – pelo menos para mim que sou um puta abobado da porra – fica BEM COMPLICADO. Inclusive fica muito mais fácil compreender o rumo dos personagens lendo arco por arco do que edição por edição. E, além disso, você não ganha nada a mais por ler as mensais, o que, na minha opinião, faz The Wild Storm ser uma série perfeita para os TPBs.

Mesmo assim é muito bom ter algo desse careca para ler todo mês.

Ah, e a cena onde a Doutora aparece pela primeira vez é uma das coisas mais lindas que eu já vi desenhadas. Além disso, eu não sabia que eu precisava de uma cena onde ela e Jenny Sparks acordam pós transa cobertas por um cobertor da mulher maravilha. Eu precisava.

Arte: Jon Davis-Hunt

ENFIM, todo mundo agil, gente morreu e foi tudo pro caralho. John Lynch aparece ali na finaleira e agora vamos para a parte Folk Conspiracy do gibi.

ARCO 3

Road trip in this bitch.

Estamos no penúltimo arco e o ralo por onde toda a sujeira das 520 páginas de Wild Storm vai escoar começa a ganhar um nome: Nova Iorque. Sim, alugaram uma semana onde todo mundo da casa das ideias não vai estar na cidade e vai rolar uma pegação hard ali em Manhatam.

Para que isso aconteça, acompanhamos John Lynch em suas andanças pelo solo americano atrás dos experimentos da I.O. Também vemos Marc Slayton através desse mesmo território coletando almas para seu implante. É algo muito simples para eu gastar palavras aqui, então vá ler o gibi.

Capa: Jon Davis-Hunt

Nesse arco temos um padrão até nas capas, que ficam no cinza e vermelho, sempre focando em experimentos do Thunderbook e com dados e estatísticas nas capas. Nessas edições, com Ellis trabalhando o desenvolvimento rápido de personagens com força, fica claro como ele não dava a mínima para alguns personagens no começo da série.

Principalmente se tratando de Trelane e Michael Cray, eu acho que ele trabalha muito pouco e rapidamente os joga de lado para que o autor das séries pudesse trabalhar mais livremente.

Além desse pequeno detalhe temos a história da doutora e de Jenny Sparks se juntando e outras peças um pouco mais importantes e familiares adentrando esse escopo. Jack Hawksmoore é uma delas. Inclusive a cena de criação dele é a parte que você definitivamente vê que as coleiras foram soltas e o formato do gibi foi pro caralho elevado a zezé.

A arte, meus amigos, está mais linda do que nunca.

É interessante notar como Ellis adaptou todas as criações dentro das histórias do Wild Storm para coisas um tanto mais modernas e palatáveis, sem perder aquele senso fantásticos e todo o poder que a descoberta científica não convencional e extrapolada tem em apimentar a ficção. Um autor menor poderia fazer versões de jaquetinha para os mesmos herois e chamar de século XXI parte dois.

Ellis realmente entra no grosso do século vinte e um e soca a barriga dessa época hibrida por dentro até que ela fique redonda e fecunda.

Tá, isso foi uma imagem mais incômoda do que eu imaginava, vamos em frente.

Tudo está confluindo para Nova York, os Wild C.A.T.S finalmente entraram em missão, I.O  e Skywatch vão sair na mão oficialmente, Henry Bendix ficou pistola, tudo vai acabar, as coisas estão levantando e o corte vai ser seco e perfeito! Torça para que não seja no seu pescoço

ARCO 4 e a estrada para a edição 24#

E aqui estamos, queridos amigos, leitores pacientes, amantes da nona arte que viram grades de três virarem loucuras visuais com operações genéticas que fatiam retinas como os prisioneiros do Bons Companheiros fatiavam alho.

O Authority é uma realidade. Não vimos mais John Lynch ou Slayton, nosso amigo alienígena aparece muito pouco e esse último arco é basicamente focado em amarrar algumas pontas da Skywatch/I.O, jogar informações já mastigadas novamente na nossa face – fato que aqui me deixou um pouco irritado – e mostrar como Jenny Sparks é a melhor coisa já inventada desde aquelas mãozinhas que ajudam a coçar as costas.

A partir da edição 20 a coisa passa a ser basicamente Authority fazendo exposição de World-Building, imagens de pós suruba e todo mundo caindo na porrada. É lindo, eu quero mais disso e espero que o gibi do Authority, se não ficar na mão do Ellis, vá para o seio de alguém PELO MENOS tão competente quanto ele para escrever porra louquíces.

É, Matt Fraction, talvez eu esteja olhando para você mesmo.

Enfim, meus caros amigos, a edição VINTE E QUATRO DO WILD STORM chega às bancas americanas dia três de julho. Não sei quando esse material estará disponível aqui em solo tupiniquim e nem quem vai traduzir. Para você que lê em inglês e ta com um dinheiro em conta ai para gastar a toa, vale a pena comprar os TPBs, simplesmente porque eu gosto do formato TPB.

Inclusive, quem quiser completar minha coleção do Injection antes deles continuarem, estou disponível.

Quando Wild Storm acabar, estaremos aqui para comemorar e comentar, fechando esses dois anos de desenvolvimento, não só do gibi e do mundo em que ele se passa, mas como de nossa própria história, sentimentos. Muita gente nasceu e morreu desde a primeira cena com a Zealot até a última página de Davis Hunt já desenhou.

É uma coisa engraçada, o mundo dos gibis de super-heróis. Eles não seriam nada sem o olho da tormenta e as armas secretas que vivem por trás dos crânios medíocres do mundo real.

 

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