Socos e chutes

Estamos sempre falando aqui sobre os detalhes narrativos do Wrestling e como a coisa toda reside em uma lógica não revelada que, assim se espera, é mantida por certos parâmetros de conduta dentro do ringue. Eu não sou muito pentecostal quanto a essas leis que existem para um wrestler, no que tange o “pode e não pode” do ringue.

Entretanto, hoje eu trombei com um vídeo do Al Snow em que ele fala um tanto sobre artifícios narrativos e reações em cima do tablado. Eu não sei se eu concordo com tudo, porque eu já vi lutas incríveis em que praticamente todos esses ensinamentos foram quebrados, mas é, de fato, uma aula muito interessante de se assistir e acho que vale o seu tempo.

E ele devia ter ajudado as mulheres que brigaram no bar, filho da puta.

 

Infelizmente o vídeo só está disponível na língua da rainha, mas ele basicamente fala sobre coisas que todo mundo já experienciou fora do ringue – socos na cara, chute baixo, puxada de cabelo – e como as reações entre as cordas e fora delas são tão discrepantes, ao ponto de poder acabar totalmente com a experiência de uma luta para o público pagante.

Novamente: eu não concordo com tudo. Até porque nem todo filme é naturalista e as coisas que o Jackie Chan faz na tela, nenhum ser humano faz em uma briga de bar. Mesmo assim, se a abordagem que se busca é a que ele cita dentro do vídeo, suas palavras são perfeitas e devem ser levadas em conta.

É, eu gostei de ver coisas online e simplesmente fazer uma recomendação seguida de breve comentário aqui. Talvez eu faça mais, já que você provavelmente não assina minha newsletter, onde eu faço isso toda semana.

Beijos, caro leitor, e até mais.

Leia Mais

G1 Climax 2019 – DIA O1

Rolou. Dia seis de julho foi uma boa data para o Puroresu dentro dos Estados Unidos, uma vez que, em Dallas, tivemos o primeiro dia do G1 Climax 2019. Bom, caro leitor, caso você queira saber mais sobre o torneio, Joker e LKS te explicam neste texto aqui.

Além disso, devo salientar que SIM, eu pulei todas as lutas que não estavam no torneio e fui direto para os combates do campeonato, pelo simples fato de eu não querer perder tempo vendo luta de trio que vai do nada para lugar nenhum. Reclamações? Mandem para o e-mail.

PROSSEGUINDO

Primeiro combate foi Lance Archer vs Will Ospreay. Um deles é o último campeão do Best of Super Juniors e IWGP Jr. Heavyweight campeone. O outro é o Lance Archer e só isso já basta. Existe uma falha de caráter em todos nós que acompanhamos e, supostamente, amamos PW: todos não falamos o suficiente sobre Lance Archer. E isso se repete com Davey Boy Smith Jr. , mas ai fica para outro dia.

O fato é que o membro da Suzuki Gun e Ex WWE é um powerhouse monstruoso, com uma capacidade narrativa tremenda, vigor físico invejável e potencial para bater de frente em qualquer escalão do Roster. Não sei quanto ao seu carisma, esse talvez fique um pouco em falha por, na minha opinião, nunca ter se dado ao luxo do desenvolvimento.

De qualquer forma, ele, junto de Ospreay, construiu um ótimo combate, explorando o tamanho de um e a agilidade do outro. Fiquei sabendo que eles já lutaram um contra o outro – feita na qual Ospreay saiu vencedor – , mas confesso que não cheguei a assistir este prévio combate.

A luta de sábado, entretanto, foi o suficiente para ver o que estes dois lutadores tem para mostrar quando são colocados juntos num ringue. Foi impressionante e o final, sinceramente, foi muito surpreendente. Ospreay é o futuro brilhante e certo, que só pode ser parado com casualidades do destino, as quais esperamos afastar usando o artifício de nossa torcida.

Já Archer é um souvenir e não sei por quanto tempo mais ele estará exposto para que o aproveitemos. Seria melhor gastá-lo rápido, antes que a poeira o paralise.

Abraço de amor

FALE vs EVIL foi uma bela merda. Pula essa porra ou faça que nem eu: assista com o máximo de distrações periféricas possíveis. Mete um Mob Pyscho, um videozin do Youtube, assiste City of Tiny Lights no Netflix. QUALQUER MERDA

P R Ó X I M O

SANADA vs Zack Sabre Jr foi tudo o que a gente espera de um combate contendo nosso comunistinha favorito da inglaterra. Foi pegado, a técnica foi perfeita, narrativa no ponto e controle total de ritmo com golpes que beiram o absurdo no quesito execução. O Sanada acompanhou perfeitamente e entregou, junto com ZSJ uma luta que é simples e brilhante, um ótimo exemplo de acima do mediano, salientando como o PW pode ser simplesmente ele mesmo em alguns momentos.

E ai, no próximo combate a porra ficou realmente muito séria.

 

KENTA vs Kota Ibushi foi um espetáculo. A quantidade de chute na cara e porrada SÉRIA que esses dois deram faria qualquer ser humano até um pouco acima do mediano chorar feito um ninja escandaloso. Mas esses dois, como são claramente sobre-humanos, conseguiram entregar, em menos de trinta minutos, uma luta com nuances e que mostra como KENTA é um Wrestler sensacional, o quanto Ibushi merece logo esse IWGP Heavyweight Title e como o wrestling da New Japan concorre seriamente em ser o melhor do planeta.

A luta foi muito pegada e, no que eu pude perceber, sem erros. Nada, desde o ritmo até a execução dos golpes, foi desleixado ou fora do tom proposto. Inclusive, achei o selling do Ibushi para os golpes do KENTA lindíssimos. Vamos aguardar os próximos dias e ver como essas duas crianças se saem nas pontuações dentro do torneio.

Uma certeza existe: com dois caras como esses dentro desse campeonato, a certeza de lutas espetaculares aumenta E MUITO.

Por fim tivemos o já clássico Hiroshi Tanahashi vs Kazuchika Okada. Essa luta inclusive foi o Main Event do evento no qual outra luta sobre a qual eu escrevi hoje aconteceu. Interessante, não?

~Se você não achou interessante, favor não expressar sua opinião para não estragar com o meu dia. Gratilúcifer ~

Prosseguindo. Falar que essa luta foi extremamente boa é chover no molhado e depois cuspir para dar uma umidificada. Só assistam e se regozijem na felicidade que o público texano demonstrou tanto quando Okada tirou a calça e ficou de sunga – fato pelo qual eu sou sempre extremamente grato, uma vez que o Okada de calças é uma aberração – como quando a luta começou em si.

Parecia Rock vs Hogan, só que com um dos caras não sendo um babaca, racista, egocêntrico filho de uma puta. Pelo menos até onde eu sei e espero que continuem assim pessoas decentes.

ENFIM

Esse foi o primeiro dia de G1 Climax

Até outra feita, caro leitor

Leia Mais

Lutando como Tchaikovsky

Ontem, após um ônibus passar numa poça, me dar um banho e esmerdalhar com o meu dia, eu ouvi um podcast sobre como Tchaikovsky fez meta comentários sobre a própria sexualidade em sua sexta sinfonia, usando os tons de seus violinos para “bugar” a mente humana.

Não temos um comparativo tão direto e forte no Wrestling, apesar da ilusão, no nosso caso, ser bela e constante devido a todos os elementos usados. Se não a ilusão, a própria mentira dela.

Mesmo assim, o assunto abordado hoje será como alguns lutadores já usaram ou poderiam usar o PW como uma forma de narrativa que puxe outras lutas ou referêncie seus personagens.

O primeiro exemplo que me vêm a cabeça é Omega vs Goto na final do G1 Climax, onde o vencedor – que iria para o G1 Climax enfrentar Okada e fazer a Six Star que bagunçou a vida do Meltzer – usou golpes dos ex-líderes do Bullet Club, Stable da qual ele era líder, e também de seu ex-companheiro de duplas Kota Ibushi.

Parece um detalhe bobo, mas adiciona a aura da luta, ver um competidor usar a história pregreça para pavimentar seu caminho futúro. Por incrível que pareça, The Miz foi um Wrestler que fez muito isso depois de um tempo, apesar de ser um pouco cansativo e mal feito, com os golpes do Daniel Bryan.

Até ai esse tipo de méta comentário é um pouco batido, pois usar o golpe do oponente é de praxe. Mesmo assim, é interessante pensar como a linguagem corporal pode influenciar na narrativa, onde um lutador pode simular o mesmo gestual duas vezes em dois combates diferentes para dar a impressão de uma derrota iminente; e logo depois ele pode se recuperar, aprendendo com seus erros passados.

Setup e Payoff.

Bom, é CLARAMENTE mais difícil do que parece e PW certamente mora no terreno de sua bela simplicidade, a qual é geralmente tão difícil de encontrar. Até porque muita gente tenta complicar e passa vergonha. Entretanto, o que Tchaikovsky fez não foi complicado e muito menos impossível.

Talvez só precisemos ficar mais atentos para ouvir as sinfonias sendo compostas.

Leia Mais

Vocês deveriam assistir o Impact

Fazer piada com a TNA é algo no mínimo divertido e, sejamos francos, eu e você já tiramos sarro desse barco furado cheio de merda mais vezes que o Gabriel Jesus deixou de marcar gols pela seleção brasileira.

Acontece que Young J fez um gol importante ontem – sim, vou datar o texto para um caralho – contra a Argentina o que me leva a crer que chegou o momento de vocês voltarem ou, caso já não o fizessem anteriormente, começarem a assistir o Impact e subsequentemente os PPVs da TNA/GFW/Foda-se, pau no seu cu.

Por que?

Bom, primeiramente porque a TNA tem Tessa Blanchard e se isso não é motivo suficiente é só porque você não conhece esse lutadora o tanto quanto deveria. Segundo porque as storylines e lutas, EM NÍVEL SEMANAL, são interessantes e bem construídas, o que gera uma sensação satisfatória quando chegamos no PPV e vemos o fim de um arco.

Tem lá sua quantidade de velhos lutando, mas são velhos da ECW e poxa… pontos para qualquer pessoa que me da oportunidades de ver Raven e Sandman. Lógico que tem lutadores inúteis e chatos ali também, mas seu tempo não é tão valioso assim e se você assiste Raw E Smackdown, vamo lá, da tempo e sobra de ver essa porra.

Vale tanto a pena quanto ver um show do NXT e é mais satisfatório que um show da ROH.

O bosta do Michael Elgin estar no Main Event a gente ignora e foca na LAX segurando os Titles de duplas, disputando com outra tag de grande força ali, que seria os Rosquinhas.

E eu já falei que eles tem TESSA BLANCHARD? VAI VER LOGO ESSA PORRA!

 

NewsletterWrestleBrLKSJokerRatingsCanal

Leia Mais

Da Boca Pra Fora – The Wild Storm O1 a 23 (e preparação para a 24)

Bom, compadres, vocês sabem muito bem que esse é um site focado em Wrestling, mas que eu sou um porra louca que adora um offzinho de vez em quando. Logo, hoje é dia de Da Boca pra Fora e iremos reler todos as edições de The Wild Storm até a 23 para estarmos preparados quando a edição final, de número 24, chegar aos nossos dispositivos móveis que fora carinhosamente apelidados de CÉREBRO.

 

 

THE WILD STORM

Escritor: Warren “meu Deus que homemzão da porra” Ellis

Artista: Jon Davis “vai toma no cu como desenha” Hunt

Colorista: John “ótimo trabalho” Kalisz , Steve “maravilindo” Buccelato, Brian “Eita que é outro” Buccelato

Letrista: Simon “parece que eu estou no futuro” Bowland

 

Tendo em vista que muitos de vocês não estão inteirados no que é o Universo Wild Storm ou simplesmente no que está acontecendo nesta vida, vamos a um breve resumo. A Wild Storm era um selo do rapaz conhecido como Jim Lee, desenhista ícone dos anos 90, onde ele usava e abusava de personagens filhos da puta fumantes envolvidos em paradinhas paramilitares e times de super-heróis diferentes que, na verdade, eram meio iguais a tudo que já existia.

Bla bla bla esse selo foi vendido para a DC, muita água rolou debaixo da ponte da morte e eis que em 2016 ficamos sabendo que Warren Ellis, colaborador de longa data desse selo e provavelmente o maior criador dele, voltou para a casa dos deuses para mais um tiro de 100 metros entre os grandes.

Ellis foi contratado para ter liberdade geral e nenhuma associação com o universo DC, podendo moldar a espinha dorsal e o clima do que vai ser esse universo, escrevendo em “The Wild Storm”, série de 24 edições, um guia de clima, delineado por uma história de conspiração milenar, tecnologia útil e trivial, misturado com paramilitarismo, teorias da conspiração, um pouco de Doctor Who e muito Whiskey na cabeça.

Não, eu não vou fazer um review edição por edição, mas eu muito bem posso falar de arco por arco, que é como o Ellis descreveu a série em sua entrevista para a DC Comics. The Wild Storm são quatro livros de seis capítulos cada um.

 

ARCO 1

O bom é que The Wild Storm começa como deve começar: gente sangrando em cima de tecnologia e tecnocracia, em território onde as grandes corporações querem pintar o céu de alumínio cristalino. É lindo amores, simplesmente lindo.

O escritor, em conjunto com o desenhista, trabalha em uma estrutura de grids que abraça tanto a narrativa quanto a própria trama em si. Divído entre três narrativas diferntes, o leitor é levado a conhecer a IO – International Operations – a Skywatch e as empresas do Sr. Jacob Marlowe – a Halo- tudo de uma vez só em pequenos fragmentos de diálogos. Logo, é possível se ver envolto em uma trama na qual você só tem pedaços de informação que lentamente vão se juntando, como todas as partículas que Jon Hunt desenha brilhantemente em suas cenas de ação.

E vale salientar que esse primeiro arco é somente de formação. Vemos o reconhecimento de uma guerra que está por vir. Somo apresentados a personagens chaves como Angie Spica, Miles Craven, Trelane, o Homem do Tempo, Michael Cray, os Wild CATs – e nesse eu realmente devo confessar que fiquei empolgadíssimo por razões de Wild C.A.T.S 3.0 – e, ali, no escanteio das coisas todas, juntando todas essas peças, Jenny Sparks.

São muitos nomes para se decorar nessa história dividida em grids de 3×3, mas acredite, Ellis vai fazer você lembrar. Um exemplo de que a preocupação com esse montante de informação é real se mostra em como o escritor usa personagens orelha para mastigar algumas informações prévias para o leitor. Isso fica muito claro na edição seis, no diálogo entre Marlowe e Spica.

A arte de Davis-Hunt aqui já mostra a que veio, com cenas de ação tão detalhadas em peso, partículas, movimento e linguagem corporal que faz John Wick parecer coreografia da carreta furacão.

Mas o mundo é grande e, segundo o escritor mostra, o universo também. Vamos para o segundo arco de WildStorm onde a guerra entre IO e Skywatch vai começar a se montar, usando terra, o espaço e toda forma de vida disponível como peças e também como tabuleiro para apoiar os pés, sem se importar se isso vai acabar esmagando uns crânios no processo

Arte: Jon Davis-Hunt

 

ARCO 2

Neste arco as coisas começam a se organizar um pouco mais e todos os movimentos escoam para uma ação conflitante, mais ou menos como água indo para o ralo. Bom, neste caso a água são pessoas fortemente armadas de munição pesada, habilidade para matar e pacotes de informação nociva e o ralo é uma guerra total e completa.

Os Wild. CATs são melhor desenvolvidos aqui, com um pouco de background exposto por diálogos e alguns flashbacks. A cena de ação samurai protagonizada por John Colt é especialmente bem coreografada, com uma ambientação perfeita. O timing de Jon Davis-Hunt para ação se mostra ainda mais potente nesse arco, inclusive.

Como temos muito mais cenas de assalto para lidar, o desenhista tem a oportunidade de mexer com cenários e marcação para ditar o tempo e fazer uma narrativa que foca nos aspectos enquanto a linha de raciocínio principal foca nos atos.

A escrita continua certeira e da edição 6# a 12# é possível sentir mais uma veia cômica do velho de Thames Delta. Os diálogos são tão bons que eu gostaria de costurar as sentenças na minha pele usando os pelos da minha sobrancelha.

Entretanto, existe um problema aqui que eu só consigo perceber depois de fazer essa leitura “carreirão”: Wild Storm possui um montante de peças móveis que aparições muito pequenas, mas que acabam sendo importante para o todo lá na frente.

Em algumas séries – tipo Criminal ou Kill or Be Killed, sobre as quais eu ainda preciso falar aqui – isso funciona perfeitamente porque, de alguma forma, o plot principal é meio que “independente” desses movimentos. Os personagens são mais uma mudança nos settings de cor do que a própria pincelada na tela do photoshop.

Ellis, contudo, escreve pensando cada risquinho de lápis e, para você conseguir compreender o todo lendo mês a mês – pelo menos para mim que sou um puta abobado da porra – fica BEM COMPLICADO. Inclusive fica muito mais fácil compreender o rumo dos personagens lendo arco por arco do que edição por edição. E, além disso, você não ganha nada a mais por ler as mensais, o que, na minha opinião, faz The Wild Storm ser uma série perfeita para os TPBs.

Mesmo assim é muito bom ter algo desse careca para ler todo mês.

Ah, e a cena onde a Doutora aparece pela primeira vez é uma das coisas mais lindas que eu já vi desenhadas. Além disso, eu não sabia que eu precisava de uma cena onde ela e Jenny Sparks acordam pós transa cobertas por um cobertor da mulher maravilha. Eu precisava.

Arte: Jon Davis-Hunt

ENFIM, todo mundo agil, gente morreu e foi tudo pro caralho. John Lynch aparece ali na finaleira e agora vamos para a parte Folk Conspiracy do gibi.

ARCO 3

Road trip in this bitch.

Estamos no penúltimo arco e o ralo por onde toda a sujeira das 520 páginas de Wild Storm vai escoar começa a ganhar um nome: Nova Iorque. Sim, alugaram uma semana onde todo mundo da casa das ideias não vai estar na cidade e vai rolar uma pegação hard ali em Manhatam.

Para que isso aconteça, acompanhamos John Lynch em suas andanças pelo solo americano atrás dos experimentos da I.O. Também vemos Marc Slayton através desse mesmo território coletando almas para seu implante. É algo muito simples para eu gastar palavras aqui, então vá ler o gibi.

Capa: Jon Davis-Hunt

Nesse arco temos um padrão até nas capas, que ficam no cinza e vermelho, sempre focando em experimentos do Thunderbook e com dados e estatísticas nas capas. Nessas edições, com Ellis trabalhando o desenvolvimento rápido de personagens com força, fica claro como ele não dava a mínima para alguns personagens no começo da série.

Principalmente se tratando de Trelane e Michael Cray, eu acho que ele trabalha muito pouco e rapidamente os joga de lado para que o autor das séries pudesse trabalhar mais livremente.

Além desse pequeno detalhe temos a história da doutora e de Jenny Sparks se juntando e outras peças um pouco mais importantes e familiares adentrando esse escopo. Jack Hawksmoore é uma delas. Inclusive a cena de criação dele é a parte que você definitivamente vê que as coleiras foram soltas e o formato do gibi foi pro caralho elevado a zezé.

A arte, meus amigos, está mais linda do que nunca.

É interessante notar como Ellis adaptou todas as criações dentro das histórias do Wild Storm para coisas um tanto mais modernas e palatáveis, sem perder aquele senso fantásticos e todo o poder que a descoberta científica não convencional e extrapolada tem em apimentar a ficção. Um autor menor poderia fazer versões de jaquetinha para os mesmos herois e chamar de século XXI parte dois.

Ellis realmente entra no grosso do século vinte e um e soca a barriga dessa época hibrida por dentro até que ela fique redonda e fecunda.

Tá, isso foi uma imagem mais incômoda do que eu imaginava, vamos em frente.

Tudo está confluindo para Nova York, os Wild C.A.T.S finalmente entraram em missão, I.O  e Skywatch vão sair na mão oficialmente, Henry Bendix ficou pistola, tudo vai acabar, as coisas estão levantando e o corte vai ser seco e perfeito! Torça para que não seja no seu pescoço

ARCO 4 e a estrada para a edição 24#

E aqui estamos, queridos amigos, leitores pacientes, amantes da nona arte que viram grades de três virarem loucuras visuais com operações genéticas que fatiam retinas como os prisioneiros do Bons Companheiros fatiavam alho.

O Authority é uma realidade. Não vimos mais John Lynch ou Slayton, nosso amigo alienígena aparece muito pouco e esse último arco é basicamente focado em amarrar algumas pontas da Skywatch/I.O, jogar informações já mastigadas novamente na nossa face – fato que aqui me deixou um pouco irritado – e mostrar como Jenny Sparks é a melhor coisa já inventada desde aquelas mãozinhas que ajudam a coçar as costas.

A partir da edição 20 a coisa passa a ser basicamente Authority fazendo exposição de World-Building, imagens de pós suruba e todo mundo caindo na porrada. É lindo, eu quero mais disso e espero que o gibi do Authority, se não ficar na mão do Ellis, vá para o seio de alguém PELO MENOS tão competente quanto ele para escrever porra louquíces.

É, Matt Fraction, talvez eu esteja olhando para você mesmo.

Enfim, meus caros amigos, a edição VINTE E QUATRO DO WILD STORM chega às bancas americanas dia três de julho. Não sei quando esse material estará disponível aqui em solo tupiniquim e nem quem vai traduzir. Para você que lê em inglês e ta com um dinheiro em conta ai para gastar a toa, vale a pena comprar os TPBs, simplesmente porque eu gosto do formato TPB.

Inclusive, quem quiser completar minha coleção do Injection antes deles continuarem, estou disponível.

Quando Wild Storm acabar, estaremos aqui para comemorar e comentar, fechando esses dois anos de desenvolvimento, não só do gibi e do mundo em que ele se passa, mas como de nossa própria história, sentimentos. Muita gente nasceu e morreu desde a primeira cena com a Zealot até a última página de Davis Hunt já desenhou.

É uma coisa engraçada, o mundo dos gibis de super-heróis. Eles não seriam nada sem o olho da tormenta e as armas secretas que vivem por trás dos crânios medíocres do mundo real.

 

Leia Mais

Realidade através da Catarse


Humanos tem a tendência a passar boa parte da vida sem ter ciência do momento presente, sem entender a fábrica de matéria que está ao seu redor ou aquietar sua mente para conseguir senti-lá. Isso são dados que eu, claramente, acabei de tirar do cu, mas que ajudarão a explicar meu ponto aqui nesse texto e a razão pela qual eu venho tão apressadamente ao teclado falar sobre catarse.

Wrestling, de uma forma ou outra, nos faz encontrar essa realidade, com detalhes de sons, luzes, ventos, nortes e gritos, todos os dias que nós nos deixamos levar por ele. É possível que você não conheça como a parede do seu quarto fica bonita se você encostar a cabeça no batente, mas assistindo com frequência, você vai reconhecer de longe qual é o clima da arena onde acontecem os Shows da PWG e porque eles são diferentes dos da Progress, ou porque os shows do Pancrase de dão outro tipo de Vibe que a Dragon Gate não dá.

Estamos vivos nessas conexões através da tela e quem pode dizer que isso não é real? Mesmo que no final, na seja, de uma forma ou de outra.

 

FOTO DA CAPA: Devin Yalkin – NYT

Leia Mais

Melhor Wrestling do Mundo?

Eu falei que nós iamos voltar nesse assunto, não? Então

Rollins, aquele rapaz que carrega uma cinta vermelha, já teve mexas na cabeça, aposentou o Sting e fudeu o joelho carregando um velho, falou, como mostramos aqui ontem, que a WWE tem o melhor Wrestling do mundo. Não dos EUA, do estado, do seu metro quadrado.

DO PLANETA TERRA GLOBAL REDONDO DA GALÁXIA DE NOSSA SENHORA DERCY GONÇALVES.

Entretanto, como seria possível classificar, de maneira tão clara, qual companhia tem o melhor Wrestling do mundo? Seria, para mim, o mesmo que dizer que a Fox Searchlight produz e distribui os melhores filmes do mundo. Ela realmente financia e coloca seu selo em algumas produções muito importantes, mas não seria a frequência que ajudou a trazer essa qualidade?

Quando você tenta muito, a quantidade de merda é gigante, mas acabam saindo alguns milhos também. O que podemos concluir quanto a fala do campeão universal é que ele somente enxerga os pequenos grãos de milho não digeridos dentro da pasta fecal que a empresa vital despeja dentro de nossos aparelhos privada toda segunda, terça e, eventualmente, domingo.

Mas não só de dois DÁBRIUS e um Ê se vive. Logo, veremos o que mais podemos colocar como MELHOR WRESTLING DO MUNDO. A AEW já levantou ali no fundo e eu devo dizer OH NO NOT A WAY SIR para vossa merce.

A empresa, sem dúvida, tem um roster com potencial invejável e muita gasolina para queimar nesse caminhão da desgraça que CODY pilota com as mãos de seu ego. Mas dois shows não fazem você ter o melhor PW da terra.

NJPW pode se candidatar, mas ela, apesar de ter lutas individuais muito bem construídas, acaba sempre pecando em algumas storylines de tag, tem young lions muito fracos, fillers desnecessários e… bom… Toru Yano.

A Dragon Gate é sem dúvida outra ótima empresa, com lutadores muito habilidosos, rápidos e de potencial invejável. Mas, assistindo os shows, eu vejo muito pecados quanto a narrativa pós luta e a maneira que as invasões, ataques e segments desenolvem-se. A narrativa dentro de luta acontece de maneira primorosa, mas fora do espaço entre os gongos as coisas ficam muito sem efeito.

Não que isso manche a imagem da empresa, de maneira alguma, continua sendo ótimo dentro do que ela promete entregar. Se fosse diferente é provável que algo ficaria comprometido.

GCW tem seus eventos esporádicos e específicos e apresenta produtos fechados maravilhosos, dando oportunidade criativa para Wrestlers anteriormente desconhecidos brilharem.

PWG é somente o ouro mais brilhante que o garimpeiro encontrou no rio. Nada abaixo do excelente.

CZW, apesar da atual chatice, já foi a casa do novo e instigante.

Isso porque eu ainda nem entrei na gra mary betania e na Alemanha. Tal nós leva a um único fim, que é admitir tal questão como impossível de se resolver de maneira impessoal. O melhor Wrestling do mundo seria aquele que te agrada e que atende a um padrão minimamente decente de habilidade e coerência dentro da proposta. Lógico que você pode achar uma empresa terrível a nova batata recheada de Blumenau, mas isso só te atesta como um idiota cego.

E infelizmente, idiotas cegos não se enxergam, mesmo sob os holofotes da maior empresa de PW do mundo.

Leia Mais

Ninguem faz como a WWE faz

Por um lado, precisamos admitir, Seth Rollins tem razão.

Para aqueles desinformados, o contexto é que o atual Universal Champion entrou em uma batalha através do twitter nas últimas semanas para defender e enaltecer a empresa da qual ele agora é uma das faces.

Como eu disse, ele tem um ponto, mas talvez não seja o que ele pensa. Porque as coisas que a WWE faz é difícil ver qualquer outra empresa de Wrestling replicar. Por exemplo, as empresas não saem por ai fazendo shows multimilionários para apoiar o regime saudita. Talvez seja porque ninguém nunca ofereceu? Talvez.

Mas, mesmo assim, isso são coisas que só uncle Vince traz para nós. Por falar em Uncle, é difícil ver uma federação quase matar um velho e trazê-lo para lutar menos de um mês depois. Bom, tirando o PCO.

Mesmo que existam similaridades, ninguém faz como a WWE faz, daquele jeito gostosinho, escancarando sua cara megalomaníaca multimilionária de empresa sem escrúpulos e sem precedentes. Até porque ela aparentemente também tem a habilidade de transformar pessoas medianamentes gente boa em cuzões chatos e corporativista.

Quanto a isso, Seth Rollins tem total razão.

Agora WRESTLING é um assunto que vamos discutir amanhã

 

Leia Mais

WRESTLING NOIR – Escrito em Tábuas de Ouro

O universo que você vai entrar agora, apesar de se passar em São Paulo, é totalmente fictício. Sua época passada não é tão passada assim, apesar do ano e os lugares que você irá frequentar nessa narrativa são parcial ou completamente inventados, assim como seus personagens. Eu vi isso uma vez em um livro do Dennis Lehane e resolvi copiar. Boa leitura. 

Arte da Capa: Luan Bonato

Dentro das sombras escuras e luzes vermelhas, ficava cada vez mais aparente que os animais capazes de sobreviver dentro do clube Sucubus tinham sangue frio e muito pouco abaixo dos músculos. Al, por exemplo, se considerava alguém que sobreviveria sem o coração, rodando em algum tipo de amuleto xamãnico que o sustentaria de energia e bombearia seiva, sustentando aquele cérebro quieto e aqueles músculos mortos.

Levantou alguém como um saco de palha e mostrou para as pessoas como se fosse ouro. No meio do ringue ele podia olhar tudo sem ver indivíduos. Mas naquele dia, como o Bode Carniceiro sustentado acima de sua cabeça, viu a irmã de Rafael sentada em uma mesa central. Aquela mesa era muito cara para suas finanças e muito chique para seu tipo de gente.

Seu tipo de gente pensou consigo, soltando o oponente no meio do tablado com um movimento automático. Esse era o problema em ver rostos: eles contam histórias e os únicos narradores permitidos ali eram eles dois.

Aquela frase, entretanto, ecoou até o número de abertura deles acabar. Eram o segundo combate da noite, primeiro individual e conseguiram distrair quatro ou cinco que não estavam ocupados comprando cerveja no bar. Não que os outros vinte prestariam atenção em Al Simmons, o Arcano XXII. Era só um ato e, com trabalho, poderia se tornar um dos bons – ou pelo menos era o que Al tentava convencer a dona do “clube”. Mesmo assim, trabalhando com gente daquela estirpe como o Bode, ficava um tanto difícil.

Quando saiu do ringue já estava envolto em sombras, a pernas abaixo da sunga em estado febril, a bota pequena abrindo caminho entre homens de terno, mulheres de vestido e variações dessa vestimenta em tamanhos e quantidades reduzidas.

Rafael morreu na noite de 26 de Dezembro, dois anos atrás.

Era um menino de 16 anos que bebia o seu peso em cachaça e apanhava o dobro na rua, que era lucro pois em casa a sova era o dobro do triplo. Al ainda lembrava de como era leve alçar Rafael e como ele escapava com naturalidade das mãos. Vinte e seis de dezembro era uma terça-feira naquele ano, semana corrida, mas sem treino.

Como usava somente sunga, bota e protetor bucal, para Simmons não foi difícil se vestir. Distraiu-se um pouco, fazendo uma busca rápida de olhos, mas não pode encontrar ali o par devido. Vestiu-se de calça de moletom, puxando até a costela. A camiseta branca era grossa, quase feita de lona e pesava mais do que o aparente. O cabelo já molhado e perdendo gel parecia ranço. As botas ele usava as mesma, sentindo três cicatrizes na altura do calcanhar.

Saiu do frio backstage sem trocar uma palavra. O silêncio de sua mente calou o barulho dos futuros números; mesmo assim, não foi tão difícil pois muito dos principais ainda estavam no escritório da sucursal, ali no centro da cidade, perto das avenidas. No clube Sucubus ficavam, de começo, só as garçonetes, as servideiras e os atos de abertura. Era o que bastava para seus “passarinhos curiosos” ficarem na jaula de começo, dizia a boca rubra cheirando a sangue.

Saindo para fora dos bancos de madeira podre iluminados por luz amarela e dos armários enferrujados, Al adentrou o clube. Um contra-baixo dava o pulso, uma guitarra gemia ao fundo, esfaqueada por dedos cortados de um ex-funileiro que devia drogas. O baterista era seu marido e ficava ali para garantir que o esposo pagaria a divida sem dobra-la.

O cheiro era arrebatador, misturando sexo, álcool e vontade. Precisaria um caminhão de santas para purificar aquele lugar e o dobro de putas para torná-lo respeitável.

Então os rostos se tornaram mais convincentes, humanos. O ringue se revelou em uma parte porcamente iluminada ressoando madeira e física. Os copos iam e vinham. O bafo de queima que a cozinha exalava estava próximo de um matadouro – o que não era raro, suspeitava o lutador.

Então aquela figura musculosa e baixa viu-a solitária na mesa, olhos fermentando tudo, tentando criar vida naquela matéria que se decompunha pessoa a pessoa a frente dela.

Al só pode se sentar.

Olharam-se em silêncio. Rute tinha duas tatuagens, uma abaixo do olho esquerdo e uma acima do olho direito. Fora isso não possuía marcas. A pele era vermelha, erguida de uma terra de pedras. O cabelo branco não refletia luz e estava preso. Pesava o dobro do irmão, era forte e larga, viva, apesar do fato de estar e isso já ser motivo para não ser.

O lutador mal pode perceber o sinal e um copo já estava a sua frente. Bebeu sem perguntar, pois não estava pagando e não queria realmente saber, mesmo que fosse, de fato, curioso. Ela lhe empurrou um ponto, ele colocou no ouvido. Ela passou a língua nos dentes. O ponto era de ouro e possuía a marca do clube, nunca dado a lutadores, somente membros da diretoria que, certamente, não ligavam muito para aqueles atos de abertura com o qual Rute tinha ligação mínima. Um maço de dinheiro caiu na mesa e ela saiu, Al veio atrás.

A noite já avançava, vermelha e embaçada, água entrando abaixo da pele trazendo a profecia da chuva de amanhã como um João Batista cuja cabeça ficará acima do pescoço e dos céus. Rute falou primeiro enquanto caminhava lado a lado sem se olhar.

“Isso estava atrás do olho do meu irmão, colado nos olhos soltos dele. Eu vi antes dos Milicos aparecerem, foi fácil de tirar, apesar de ser quem era. Ele não ia se importar sabe?”

“O clube é um lugar caro”, mas era difícil ouvir Al falando para dentro. Ela somente o olhou, a cabeça em ângulo de interrogação.

“O clube, eu digo, é caro para entrar se você não trabalha aqui e, se você trabalha aqui, você não pode sair sentando nas mesas esse horário”

“Para gente do nosso tipo é só os restos, eu lembro. Gente sem brilho no olhar, sem fogo. É isso que você é, Al? É isso que meu irmão achava?”

“Não, mas o que ele achava não importa, na verdade–” e então ela o parou e arrancou o ponto da mão dele.

“1955, vinte anos atrás, um velho de nome Adamastor morreu em um acidente de carro nas recém construidas rodovias. Minha mãe leu no jornal, várias e várias vezes, com sua mania de grandeza, sobre como aquele homem era importante, rico, eloquente e sem sobrenome. SEM SOBRENOME veja só se pode? E rico assim?

Não era possível, mas era real, como várias coisas. Então ela guardou em seu diário do extraordinário. Quando ela morreu, graças a Deus, o Rafa guardou aquilo. Diziam que aquele homem tinha brilho no olhar. E ele procurou todos que tinham brilho no olhar. Adamastor é um dos fundadores do Clube Sucubus junto com a Dama. Adamastor estava atrás dos olhos do meu irmão quando ele foi baleado.”

Al sentia o vento levarem as palavras da menina. Era muito jovem para desafiar o vento com o peso de sua bravura. Não podia ter tamanha coragem com tão pouca idade. Muitos ouviam naquela época, principalmente a essas horas. O fusca ronda, ronda e ronda, assim como Satã, carregando sua cesta de boas intenções.

Al só pode pensar no peso de Rafa e a felicidade nos olhos que, enfim, se tornavam fontes quando ele colocava sua mascara. E Simmons, inconsciente, não se deixava ser amigo, não era possível dentro de si. O problema é que por Rafa não nutriu ódio. Rafa era um bom ato, era uma boa escada. Ela leve e aprendia rápido os espaços nos quais o ringue funcionava. Falava muito, mas ouvia o dobro; gostava do treinador, mas não muito, o suficiente para ter o mediano respeito que Al dava.

Quando morreu, o lutador foi até o local três dias depois e conversou com um porteiro para confirmar. Duas traduções depois recebeu o relato completo do crime e um café passado na hora.

Sua irmã conheceu de longe, ouvindo as conversas de ambos quando ela ia buscar, vendo as marcas em seu rosto e um relato distante do pai vivo e da mãe morta, nenhum melhor que o outro. Vieram do sul no trem, trazendo falsa honraria e marcas. Os filhos eram vermelhos como a terra, os pais, nem tanto, só quando a raiva os aplacava, o que não era raro. Al nunca se meteu; de fato, ninguém do clube, inclusive. “Não é da nossa conta se não ta na tabuleta” era o mantra comum.

Mas ali estava Rute, escrevendo a ouro na tabuleta, manchando com o sangue do irmão a noite já vermelha. Infelizmente, para ela, Al ligava para poucas coisas no ringue e seu irmão, por azar, estava no quadrado errado, pois no seu havia concreto e não cordas.

“Seu irmão roubou um ponto de ouro e agora ele morreu” e deu de ombros “não sei porque isso me rendeu conhaque e uma companhia para a casa, mas se não for incomodo, eu prefiro seguir sozinho”

“Ei, EI!” disse segurando pelo braço o pequeno casco de gente na madrugada “Você era amigo dele não? VOCÊ ensinou ele as regras do clube e as coisas do ringue! Deve ter alguma coisa”

“Não, eu só precisava de alguém novo e ele tava lá” disse em mono tom, olhando fundo nos olhos da menina que, percebia agora, não devia ter mais de 20. “Eu nunca odiei seu irmão.”

O amargo dentro da boca de Rute não estava em nenhuma tradução da bíblia e nem o veneno das pragas do Egito antes dela poderia ser tão ruim. Sentiu-se sozinha e viu músculo em cima de músculo, um pequeno homem curvado de branco sair andando através de São Paulo. Olhou para o ponto de ouro na mão, passou a mão e viu um pouco de sangue. Então sentiu frio.

 

Rute, sobrenome desconhecido, foi encontrada morta abaixo do viaduto. Na manhã seguinte não havia manchas sobre a passarela na qual andara e seu corpo estava tão frio e conservado quanto um boneco de loja. Seus cabelos brancos, entretanto, ficaram um pouco manchados e sua pele foi eternamente vermelha, enterrada perto do irmão em um cemitério comum e sem lápide.

 

 

O clube era fumaça e luz. Al enlaçou Bill Cabeludo pela cintura e o plantou de peito no chão, caindo em cima das costas e rapidamente rolando para seus pés. A luta acabou logo em seguida, com Al vitorioso e alguns aplausos. A porta do vestiário não se abriu para ele, somente uma mão com uma toalha branca e um aviso: “A dama te espera acima do mesanino”

Não no centro pensou consigo, sentindo a falta de importância que tinha. Subiu as escadas acima das escadas e foi parar em um sótão com cheiro de carvalho e calor. O sabor no ar era de pecado antigo, romano. Havia vento, mas não tinham aberturas ali. A luz era amarela e forte, vindo de lâmpadas do século passado ou de um futuro irreconhecível e tacanho. A dama usava uma jaqueta roxa, sua cabeça raspada carregava um óculos redondo e um cigarro era manchado por sua boca vermelha.

 

Foram deixados sozinhos em uma sala com uma mesa, duas cadeiras, um cofre e uma garrafa de pinga.

 

“Eu não me lembrava de você, Al. Foi estranho ouvir um nome que meus ouvidos não sabiam que sabiam. Eles gostam de saber e talvez devessem conhecer o seu. Contudo, não ouviram muito lá embaixo não é”

 

Al encarava a parede de madeira atrás dela, transformando-a em um borrão curvo

 

“Falta material”

 

“Sempre falta e, ainda assim, é tudo o que a gente tem nesse mundo. Não falta matéria, mas méta-matéria. Estranho o Arcano XXII não ter nem um pouco de magia. Sabe, Al, não se pode roubar o brilho nos olhos, ele deve ser conquistado acima da terra.” E lhe sorriu com todos os trabalhos do diabo, carregando um em cada dente.

 

Ela mordeu a boca e saiu sangue. Manejando seu rosto, deixou que uma gota pingasse na mesa. Depois coloriu seus lábios.

 

“Depois de três anos Al. É isso né? Bom, depois de três anos, bem vindo ao Sucubus, acho que esta na hora de nós te darmos um novo tipo de visão.”

 

Leia Mais

Video Jogos

Grande parte do que me faz ser fã de Wrstling hoje em dia não foi inventada somente por Vince O’Mac e um bando de escritores em uma sala cheirando a porra, cigarro e Whisky. Elas foram criadas por pessoas especializadas em jogos, escritores que pensaram nas histórias que seriam divertidas de viver se tudo aquilo fosse real. Alguns outros aspectos foram inventados por mim, um aperto de botão por vez, onde tudo o que acontecia tinha uma razão dentro de um contexto que só eu conhecia, um mundo de vídeo jogos onde pixel viravam ação e números faziam arte.

A primeira vez que eu joguei Smackdown vs Raw 2006 eu estava com febre. Foi um dos melhores dias da minha vida.

Desde então eu tenho muito apreço pelos jogos que tentam retratar a luta livre de uma forma divertida, capturando, nem que seja por alguns instantes, a energia e vitalidade que faz desse esporte algo completamente diferente de tudo que nós temos e, ainda assim, algo que pode ser familiar a qualquer um.

Uma das minhas primeiras lutas foi Tajiri contra Undertaker e cara eu fiz nosso amigo nipônico sangrar feito um filho da puta. Ainda mais depois que eu peguei o jeito dos finishers? Rapaz aquilo foi uma festa. Um tempo depois, na loja do senhor que me vendia jogos de PS2 eu vi o Smackdown vs Raw 2008 com seu sistema de classes, uma criação de personagem mais avançada, Storylines mais complexas que, devido ao meu conhecimento quase nulo de inglês na época, pareciam até mais legais do que eram e um gráfico um pouco mais compacto por assim dizer.

Eu tenho a impressão que, conforme os anos passaram o visual dos jogos da WWE deixaram de ser algo blocado e um pouco estilizado para algo mais naturalista e, sinceramente? Isso para mim deixa o jogo um pouco mais feio. Eu acredito que jogos de PW não precisam ser totalmente naturalistas, precisam sim ser funcionais e passar um sentimento de vislumbre, o olhar para o fantástico e não uma cópia completa do que já existe.

Também não precisa ser uma putaria sem sentido que nem o All Star.

Enfim, por hoje é isso amiguinhos.  Outro dia voltamos aqui para falar mais sobre joguinhos. Não, eu não esqueci do WWF No Mercy.

Leia Mais