A QUEDA! #0 – MUDANÇA RADICAL

O Pro Wrestling é um mundo paralelo ao mundo real. A fantasia desse esporte é única, quem consegue apreciá-lo sem preconceitos tem momentos de diversão garantidos. Porém, como qualquer espetáculo, a luta livre envolve o sucesso e o fracasso. Nos anos 90 tivemos um período aonde os dois termos estiveram em uma linha tênue. Três companhias disputavam o topo, em especial a World Wrestling Federation e a World Championship Wrestling. A primeira, a clássica federação da família McMahon, perdia terreno para o novo universo criado por Eric Bischoff, sob o patrocínio de Ted Turner. Entretanto, aquelas duas palavras citadas acima continuavam caminhando de mãos dadas, e em um determinado momento, o fracasso começou a se tornar mais forte que o sucesso dentro da wCw. E nesse jogo, não eram permitidos mais erros do que acertos. Alguns desses momentos que ajudaram na queda do grande sonho dos anos 90 serão retratados aqui. Vamos começar pelo o nosso capítulo experimental, aonde quatro lutadores são os protagonistas.

 

#0 – Mudança Radical

Em 1999, a wCw possuía um plantel de qualidade reconhecida. Alguns lutadores tinham passagens por Japão e México, com habilidades acima da média para o estilo norte-americano de luta livre. Juntando isso aos medalhões da empresa, poderia estar ali a perfeita combinação para enfrentar a WWF na batalha pela a audiência. Contudo, a insistência pela a velha receita de wrestling do início dos anos 90 começava a desgastar. Hogan, Nash, Hall, Flair, Sting e até mesmo Goldberg começavam a declinar, estavam envelhecendo, e os novos lutadores estavam surgindo de modo extraordinário. No lado dos McMahons, Austin, Rock, Triple H, Kane, Mankind e os outros lutadores jovens estavam tomando o espaço dos dinossauros da luta livre, junto a experiência de Undertaker tornavam aquela mescla um produto atrativo.

A federação de Turner e Bischoff possuía Chris Jericho, Chris Benoit, Eddie Guerrero, Booker T, Rey Mysterio, Raven. Todos hoje tem seus nomes eternizados na luta livre mundial. Porém, o sentimento de má utilização por parte desses lutadores (exceto Booker e Mysterio que estiveram até o último instante com a WCW) fizeram com que na virada do milênio, ou até antes como Y2J, tomassem novos rumos. Raven retornou à Extreme Championship Wrestling, aonde consagrou-se alguns anos antes com rivalidades incríveis contra Tommy Dreamer e Sandman. Já Eddie e Benoit tomaram outra direção, a mesma de Raven meses depois: se juntariam à novamente em ascensão WWF.

Chris Benoit entrava no novo milênio como um dos melhores lutadores em atividade. Estar somente disputando cinturões de médio escalão era um desperdício de talento. Mas o termo “desperdício de talento” parecia soar como um mandamento dentro do quartel general de Turner. Em 99, a Stable formada por Benoit, Shane Douglas, Perry Saturn e Dean Malenko parecia o ensaio de algo que iminente. Os quatro representavam talentos em ascensão que estavam descontentes com o tratamento dado pelo controle criativo da empresa, em especial Kevin Sullivan, marido de Nancy, que viria a se tornar a esposa de Chris Benoit tempos depois. Os boatos eram de que o lutador e o booker nem ao menos se olhavam nos olhos nos backstages.

O descontentamento explicíto e a perda de lutadores começava a preocupar a wCw. Somado a isso, as consecutivas derrotas para o RAW depois de janeiro de 99 fizeram o controle criativo dar a cartada final. Chris Benoit era coroado o novo WCW World Heavyweight Champion ao derrotar Sid Vicious. No outro dia, o Canadian Crippler deixa o cinturão vago e dá adeus a federação. Mas ele não estava sozinho nessa. Dean Malenko, provavelmente o maior talento desperdiçado na história do Pro Wrestling, Eddie Guerrero, a época um midcarder sem muitas perspectivas, e Perry Saturn, que formou parcerias com Malenko e Benoit na ECW no meio da década, os quatro estavam se retirando de uma vez.

Apenas quinze dias após Benoit vencer o título mundial, ele estava sentado na primeira fila do RAW, ao lado de seus companheiros. O resultado disso? Os quatro cavalheiros estreavam na WWF, no evento principal, atacando os New Age Outlaws, chocando mais uma vez o mundo da luta livre. Em menos de um ano, a WWF trazia seis dos grandes talentos da sua maior rival, sendo quatro deles em apenas uma jogada. No início do texto, mencionei que a combinação perfeita para a WCW estava na mescla entre os lutadores em ascensão com um novo estilo de combate e os consagrados lutadores presentes ali. Naquele ano de 2000, isso foi o ponto determinante para uma WWF cada vez mais jovem colocar uma pá de cal na sua rival ainda batendo na mesma tecla.

 

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