Semanalfabeto 10# – Okada vs Omega: Uma história em quatro atos (ou mais)

Ou a edição em que vou falar para caralho.

Bem-vindos a mais um Semanalfabeto.

Começou no main event do Wrestle Kingdom 11, dez horas da manhã horário de Brasília, fim de mais uma temporada na NJPW. Tal temporada marcou a ascensão de Kenny Omega como líder do Bullet Club, com um reinado como IWGP Intercontinental Title e sua vitória no G1 Climax; ali no meio também houve a coroação de Kazuchika Okada como campeão pesos pesados pela quarta vez, capitaneando cada vitória com seu infalível Rainmaker. Tudo isso nos leva ao evento principal da empresa, um Main Event de WK em que ambos foram até o limite por 46 minutos, levantando, entre kickouts e mesas quebradas, vozes através do mundo, transformando a terra, por alguns instantes, em um gigante Tokyo Dome.

Era a New Japan pisando forte no chão, levantando poeira, duas pistolas na mão e um olhar ameaçador direcionado a seus oponentes no faroeste das empresas PW. Foi o primeiro ato que, em si só, já contava uma história inteira, um tipo de luta em que ninguém sai perdendo. A partir disso todo mundo passou a olhar mais atentamente para os dois, aguardando o que viria em seguida. Era lógica uma revanche, afinal, apesar dos mais de quarenta minutos, o gosto que ficou era o de necessidade. Aquela história tinha que continuar, seria injusto que não a continuassem. Depois do primeiro fim o que viria em seguida seria passo mais forte ainda, com muito mais poeira. (mais…)

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PIPE OFF: PipeBomb 40# -Copa do Mundo! (e o que esperamos de 2018)

Primeiro podcast OFF oficial desta desgraça! Em uma empolgação inenarrável Léquinho (aaa), Joker (aaaa), Luan (aaaaa) e Captain (…) se juntam em uma megazord de desinformação para falar o que esperam da Copa do Mundo 2018 e quais suas lembranças mais queridas com relação a esse campeonato mundial.  Também é possível que vocês ouçam uma porrada de coisas que não estão nada relacionadas a seleção, mas sim a um outro time ai e também conheça os jogadores que tem o maior potencial para a violência.

Não se esqueça de nos seguir nas redes sociais (Twitter e Facebook) e, se possível, deixe seu comentário falando da Copa, do podcast ou sobre o que você quiser, meu querido e minha querida!


Até a Próxima Edição! Deixe seu comentário, seja criticando, dando dicas, e fazendo sua pergunta para nós respondermos na próxima edição!

 

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Da Boca para Fora 2# – Não há tira (BLAM!) sem contexto

Como as tiras de quadrinhos se relacionam com a situação política e social do Brasil

 

Arte não acontece no vácuo. O ato de sentar em uma cadeira frente à prancheta ou ao computador de Photoshop aberto não ocorre isolado do mundo; desse ambiente surgem, há mais de um século, as tiras em quadrinhos. No Brasil, desde Sisson, que retratatou os costumes amorosos do Rio de Janeiro de 1855, no primeiro quadrinho brasileiro, até Thaïs Gualberto com sua Olga, a Sexóloga, em que transmite a vida de uma mulher em 2018, as tiras sempre foram um fruto de sua época, da política do país e de sua situação social.

Será? (mais…)

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Semanalfabeto 9# – Baixa auto-estima

Nós meio que temos esse problema, não temos?

 

Bem-vindos a mais um semanalfabeto.

 

Não tenho como afirmar quando isso começou ou qual a semente da ideia em minha cabeça que, espero sinceramente, vai florescer neste texto que você está lendo agora, mas é certo que convivo com isso a muito tempo. O foco aqui é, como de costume, luta-livre, mas em outros meios de estudo e expressão com os quais tenho ou tive contato (como filosofia, jornalismo e quadrinhos) existe sempre uma necessidade constante de reafirmação quanto a sua auto-importância perante a sociedade. Seria bom, se algumas horas não fosse muito ruim.

 

Ao contrário dos itens citados entre parênteses, o meio do wrestling, e isso é somente uma suposição minha, acaba precisando desse “gás” por não ser,muitas vezes, principalmente aqui no brasil, considerado como uma atividade válida, seja em termos de  esporte, linguagem ou até mesmo hobby. Entretanto, seria necessário uma rememoração do próprio consumidor e produtor do porquê aquilo é importante para ele? Ou seria mais uma busca de aprovação?

 

Muitas questões… muitas questões.

 

Não são raros os casos em que se vê discussões na internet sobre o Wrestling ser ou não real, algo tão incabível quanto debater sobre a realidade do cinema, do teatro, da prosa ficcional; simplesmente não precisa ser debatido, porque a resposta não é importante, é o que é. Por outro lado precisa ser discutido pois sem essa abstração fica dificil alguém respeitar ou levar a sério o que você faz, algo que, mesmo você ligando ou não, ajuda muito a impulsionar seu sonho, por mais que seu amor pela causa faça boa parte do trabalho.

 

Não tenho certezas hoje, possível leitor, então me responda você, seja lá o que eu tenha perguntado.

 

Temos um problema sério de auto-estima, precisamos sempre dizer como a luta-livre é maravilhosa, é mágica, um momento dentro dos séculos, um movimento importantíssimo de caráter social em alguns lugares, em outros de caráter cultural ou puramente entretenimento. Nossa grande qualidade. Nosso grande defeito. Falar cada vez mais ou falar cada vez menos, mais baixo, com mais assertividade. Se soubéssemos como, não haveriam as colunas semanais.

 

Mas é uma arte realmente linda, merece um ego massageado com frequência, mas sem que nos percamos em nossa própria ideia de superioridade, ao passo que não ficamos enterrados em uma espera eterna por reconhecimento. Wrestling é foda, a gente sabe que é isso, todo mundo que acompanha. Não precisamos de um narrador de UFC, dum jornal Extra, dum portal da UOL cobrindo todo dia falando as conquistas da expressão nacional.

 

Vira-se a moeda. Precisamos sim, precisamos muito! Para que projetos vejam mais e mais luz, para que o poder público incentive como esporte ou arte, para que o meio acadêmico discuta, que vire pauta, surja no horizonte como algo financeiramente viável (não sei se é, se for me avise).

Não temos hoje alvos 100, somente bordas e bordas apagadas em um grande alvo no qual qualquer coisa que se atinja é uma opção certa, por mais cretina que seja sua construção.

 

Já vou avisando que semana que vem vamos falar de Okada vs Omega IV, portanto vem aí mais punhetação e reconhecimento da mídia.

 

Por hoje eu só pergunto, enquanto você perde seu tempo comigo. Obrigado por perder seu tempo comigo, faço isso a 20 anos.

 

Até semana que vem.

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Semanalfabeto 8# – Props

Ou talvez seja a edição em que eu vou passar bastante vergonha.

Bem-vindos a mais um Semanalfabeto.

Meu primeiro contato com luta-livre foi aos três anos de idade assistindo Gigantes do Ringue com o meu vô; se eu não me engano passava na Gazeta, bem no horário em que estávamos na igreja, fato que nunca me impediu pois eu fazia meu pai sair do culto para me levar em casa (brigado pai). Depois de muitos anos passei a acompanhar a famigerada WWE no SBT e aí o amor pelo Wrestling voltou. Entretanto, não é só através TV que voltou, não foi só nesse contato  em que ocorria minha relação com a luta-livre. Existem coisas, objetos, que me lembram desse “esporte”.

A mais importante é o CD do jogo SvR 2006 (Smackdown vs Raw 2006) que pertencia a um ex-namorado da minha tia. Tinha o John Cena estampado em vermelho e o Batista em azul, foi emprestado para mim em um dia chuvoso de 2008 no qual eu estava bem doente, com febre, dor de cabeça, provavelmente dor de garganta, e desde então esse jogo me acompanha físico e emocionalmente. Sinceramente, se não fosse pelo game em questão eu não saberia a maioria dos nomes dos lutadores e nem teria me empenhado em pesquisar. Procurava conforme os personagens me interessavam, independente se fosse no modo história ou só pela jogabilidade. Lembro que a primeira luta que eu fiz DIREITO foi com o Rey Mysterio, que no jogo tinha attire branca e verde. Deu um 619 bonito demais com aquele efeito sépia tosquíssimo. Depois teve Undertaker vs Tajiri onde eu vi pela primeira vez sangue naquele DVD (e o Taker já se tornava um dos meus lutadores favoritos).

Outro jogo que me marcou muito foi o SvR 2008 que eu consegui achar na lojinha em que eu comprava todos os jogos. Conheço o dono da loja há uns bons anos e ainda vou lá de vez em quando, é uma das pessoas mais legais que eu conheço. Voltando ao jogo. Esse CD em questão tinha um bug bizarro e provavelmente só ocorreu comigo ou, se ocorreu com outros, era com outros personagens. A falha consistia em eu não conseguir jogar nem ver a entrada de certos personagens, se eu conseguia era só com a tampa do PS2 aberta; Johnny Nitro e Sabu eram os dois que eu nunca conheci a música através do jogo e se tivesse eles em alguma luta eu tinha que tirar a entrance. Bizarro.

Saindo do âmbito gamer, eu me lembro que, a partir do momento que eu voltei a acompanhar luta-livre, cadeiras de metal dobrável se tornaram um artigo extremamente interessante para mim. Uma cena muito ridícula aconteceu em um casamento que eu fui, não me lembro ao certo da época, em que todas as cadeiras eram como a que eu descrevi. Mas não deu outra, todo mundo que passava via um menino de uns 11 anos sentado em uma cadeira com outra cadeira fechada na mão como quem não quer nada. Eu juro que estava muito feliz só pela possibilidade de poder acertar alguém. Por sorte eu ainda tinha um pouco de bom-senso.

Continuando entre os mais ridículos, eu também tive a péssima mania de fazer cinturões em casa, já que eu não achava o diabo da réplica para comprar e estava (ainda está) bem acima do meu poder aquisitivo. O mais legal que eu já fiz é um com uma tampa de lata e um cinto largo. Durou muito e acho que ainda estava por aqui esses tempos antes de eu mudar de casa. Um outro que eu fiz, na época que eu estava assistindo a Road to Wrestlemania do Triple H em 2002 era uma “réplica” do World Heavyweight/WCW Title, porque assim EU TAMBÉM podia ter dois cinturões.

E, por fim, duas não tão idiotas: primeiramente a camiseta que eu comprei quando a WWE veio ao brasil e que já está tão desbotada que não se identifica nem lutador, WWE, porra nenhuma; em segundo lugar está a máscara do Rey Mysterio que eu comprei no show da WSW (sobre o qual você pode ler aqui e aqui) e que, sem sombra de dúvidas, não vale os 70 reais, mas valeu por uma foto que o Luan tirou de mim e por ver o Luan pistola quanto ao dinheiro mal gasto.

Parece bobo e até é, de certa forma, mas tudo isso tem relação fortíssima com o que me faz gostar de luta-livre e o que, acredito, faça todo mundo querer ver esse espetáculo. Um punhado de imaginação, total descompromisso com a realidade e uma liberdade total de criação que, principalmente para uma criança, mas para o adulto também, é um atrativo gigante.

Eu não sei se você tem coisas assim, que te lembram o Wrestling ou ocasiões em que ele foi importante para a sua vida, mas se tiver algum que goste muito, fale aí nos comentários. Provavelmente vão ser muito mais legais que os meus, o que não é difícil.

Infelizmente eu ainda não tenho uma cadeira de metal dobrável.

Até semana que vem.

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PipeBomb 39# – Wrestlemania 34

Sim! Foi um longo inverno e o evento já passou há mais de um mês, mas é só o aqui e o agora que vale meus amigos, portanto estamos de volta para falar sobre Wrestlemania 34! Léquinho (lápis), Joker (arte-final) e Luan (cores e letreiramento) se juntam novamente neste ambiente deletério para falar sobre a ocasião mais importante do Wrestling Americano. Falamos sobre o lutador que destrói estádios, analisamos o possível futuro de Ronda Rousey e discutimos sobre o fato de uma criança de 10 anos ganhar um título. Ah, e também teve leitura de comentários hein.

Antes de dar play, lembre-se de nos seguir no twitter e curtir nossa página do Facebook para mais informações. Se quiser, também é possível assinar nosso feed por email para receber todos os nossos posts (o que da uns três por semana).

Então é isso, muito obrigado e espero que gostem do episódio de hoje. Deixe seus comentários!


Até a Próxima Edição! Deixe seu comentário, seja criticando, dando dicas, e fazendo sua pergunta para nós respondermos na próxima edição!

 

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Semanalfabeto 7# – Review – André the Giant: Life and Legend

Não é preciso muita coisa para contar uma grande história, a não ser uma grande história em si. Sem isso você não tem nada, independente dos seus personagens, da situação maluca ou da técnica usada para transmitir aquilo. E não existe história maior que a vida real, talvez a não ser no Pro-Wrestling. Nesse âmbito se passa André the Giant: Life and Legend, escrita e desenhada por Box Brown. Sinceramente eu não conheço muito o trabalho do autor, mas já no prefácio fica visível seu amor pela arte que mistura esporte e ficção. Neste espaço ele explica como começou a gostar de Luta-Livre e, consequentemente, conheceu o gigante. “O conceito de ‘verdade’ que se tem no Wrestling profissional e certamente elástico e se conecta com a ideia do wrestler como um produto” escreve Brown em um dos parágrafos.

Como é ser vendido como um produto quando as características que lhe tornam vendável também são as características que vão te matar um dia?

Usando essa premissa, Brown conta a história de André Roussimoff, nascido em Grenoble, França, em 19 de maio de 1946. Para nós Roussimoff é André The Giant, a oitava maravilha do mundo, um gigante que pisou nos ringues é protagonizou um dos momentos mais icônicos do Wrestling nos Estados Unidos, para o bem ou para o mal. Neste gibi Brown aborda tanto carreira como vida pessoal do lutador, a convivência com a doença que lhe dava todo esse tamanho e que lhe trazia tanta dor e como isso afetava suas relações com os outros. A Acromegalia, doença supracitada, é explicada em duas páginas inteiras com pequenas intervenções textuais. De um jeito simples é nos apresentado o todo: O corpo de Roussimoff basicamente ia crescer até não conseguir mais, os órgãos não iam acompanhar e ele iria envelhecer mais rápido que o normal. Isso é mostrado com desenhos simples e precisos, característica do gibi inteiro.

Não espere de Brown um traço rebuscado e muito detalhamento. Sua anatomia é bem simplificada e ele faz um bom uso das formas e dos volumes. Os ângulos de câmera são, em sua maioria, muito simples, sempre detonando a enormidade que era André. A parte positiva é que, devido a essa simplicidade constante, ele consegue impactar nos momentos certo; a cena do body slam de Hulk Hogan em André The Giant nunca tinha me impressionado até hoje. Nesse gibi, com esse contexto e essa narração ele reassume um poder que, sinceramente, eu nunca achei que tivesse.

Esse tipo de desenho também contribui para um clima cotidiano nas situações, principalmente em um tipo de negócio em que tudo é tão escalafobético, tão gigante. As escolhas narrativas são importantes para “blocar” a história. Brown usa cartazes, revistas, mapas de viagem estilo Spielberg e a clássica legenda para mostrar local e data. O acabamento de seu traço é basicamente nanquim, sem cores e somente um tom de sombra devido ao uso da reticula cinza escura. Se por um lado a arte é boa, por outro ela torna a história um pouco desinteressante as vezes, passando rápido demais em pontos nos quais poderia se deter um pouco mais, como as relações de André com outros Wrestlers e algumas brigas. Mesmo assim essa escolha é consciente do autor, levando em conta que existe uma vida inteira para contar ali e a história tem de seguir em frente.

Como um biógrafo o desenhista não se segura e mostra aspectos importantes da personalidade de André, o consumo abusivo de álcool, os acessos de raiva, sua descontração, suas falhas, os xingamentos racistas e sua falta de contato com sua filha e a mãe dela; é possível ver também através das páginas a doçura de alguém que teve de conviver com uma existência que o tratava feito aberração, sempre com dor e com a sombra de uma morte precoce correndo atrás de alguém que vive em um ambiente de atuação física constante. Se faltam tons de cinza na arte, sobram na temática, sendo inexistente um julgamento moral por parte do autor quanto as ações de André, algo que fica a cargo do leitor.

Outro aspecto bom do gibi é o trabalho de introduzir a luta-livre como um modelo de negócios e suas características. Além da explicação de alguns jargões existirem dentro da própria história, no final da obra existe um pequeno glossário de termos, explicando coisas como babyface, heel, squash e over, conceitos que, para quem acompanha Wrestling, são claríssimos, mas podem ser confusos para alguém que não está habituado com esse universo. Dentro disso temos o trabalho de André The Giant como um lutador, seu começo na França até evoluir para uma atração mundial, o excesso de exposição (e como isso pode comprometer um lutador) e a figura de Vince McMahon Sr. como alguém que transformou um ser humano em lenda. Esse ponto é um exemplo perfeito de como funcionam as coisas no Wrestling: todas as ações do lutador devem ser pensadas para contar uma história, seja seu excesso de movimentos ou a falta deles. Essa é a mágica retratada nos ringues e que é transposta pagina a pagina nessa obra.

Life and Legend é um trabalho muito bem feito, passando por várias épocas da indústria enquanto entra fundo dentro da vida de um homem que precisa lidar com seus demônios e os demônios a sua volta, estejam eles em forma de problemas ou de pessoas; em alguns momentos ele mesmo pode ter sido um demônio dentro da vida alheia, ou um anjo, ou somente um gigante que transpôs no ringue um sonho. Box Brown tem um trabalho contundente que pode agradar tanto o fã que já conhece os lutadores como aquele que nunca viu uma luta na vida e se interessou pelo gibi mesmo assim.

Infelizmente a obra ainda não foi publicada no Brasil, mas é possível encontra-la para importação por um preço razoável.

Esse foi o Semanalfabeto dessa semana, atrasado novamente, mas eu sei que você me perdoa, querido leitor. Fique firme, até semana que vem, se possível comente ai embaixo o que você quer ler ou o que você não quer ler. Me dê uma luz, talvez eu te de um texto de nova. Seja gentil, um abraço.

 

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Semanalfabeto 6# – Como ver wrestling “mais ou menos”

Foi uma semana bem corrida e, acima de tudo, foi uma semana em que não vi quase nada de luta livre. Doravante, a edição de hoje, a qual já comecei a escrever duas vezes e não deu em nada, vai ser sobre o que eu faço quando eu quero assistir wrestling, mas não quero ASSISTIR wrestling.

Bem-vindos a mais um Semanalfabeto.

Já que é algo que faz parte do cotidiano, é quase impossível que nada de luta-livre apareça no radar, mas nenhuma das coisas que aparece é de uma substância real; nenhuma luta completa ou evento. Geralmente o que eu faço em ocasiões como essa é assistir promos no Youtube e ver compilações. Eu perco um tempo absurdo em compilações de golpes e momentos.

TOP 100 do caralho a 4; Top 70 mudanças de title; Os melhores spinebusters do Farooq (esse realmente existe, tem 5 min)

Isso é uma prática que eu alimento desde que comecei a assistir PW pois, se eu vejo algum golpe legal ou algum momento que eu não vi, é o que melhor me incentiva a procurar mais material e, no caso das indies, isso ajuda mais ainda, pois descubro algumas lutas que ocorreram e eu não fazia ideia.

Outra coisa FODA, e eu tenho a impressão que já falei disso aqui, são promos da NWA. Ric Flair, Ricky Steamboat, Terry Funk, 4 Horsemen (infelizmente sem o Mongo), Dusty Rhodes; É só o suprassumo da banana loura.

Existe outra coisa que geralmente não consumo em relação a wrestling e que essa semana resolvi ir atrás: trabalhos acadêmicos.

Existe uma quantidade considerável de trabalhos acadêmicos em português que abordam o Pro-Wrestling, seja no campo da semiótica, da linguística ou até tratando das biografias de lutadores. Baixei alguns para ler depois e, da olhada que eu dei, parecem bem interessantes. É bom, de vez em quando, tentar enxergar uma mídia que a gente consome tanto de outras formas. Tô parecendo um velho hoje, fico repetindo coisas que já falei.

Bom, acho que por hoje é isso, mais uma edição rápida com algumas dicas. Se quiserem ir atrás dessas coisas que eu falei… vão, porque procurar links com a internet daqui de casa vai ser um pouco complicado. Perdão por isso, a próxima vez que eu for falar de um assunto que exija links vou me preparar melhor.

Fiquem bem, tratem bem seus amiguinhos, sigam o PipeBomb no twitter e pensem um pouco fora das suas próprias cabeças, talvez ajude, talvez atrapalhe. Eu só quero é falar bosta.

Até semana que vem.

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Semanalfabeto 5# – Backlash 2018 e o resto da semana.

Primeiramente feliz dia das mães para você que é mãe e para vossas respectivas mães também. Vocês são fodas.

A edição dessa semana acabou atrasando um dia então eu peço que me perdoem. Tive alguns problemas de saúde misturados a preguiça, trabalhos remanescentes da faculdade e um aniversário no meio para embolar o balaio todo. Passamos disso, apesar de alguns trabalhos ainda estarem na fila.

Já que eu não podia furar a edição, vou falar só do assisti nos últimos 7 dias, sem comentar muito a fundo porque… review semanal não é algo que eu tenha habilidade para fazer. Louvado seja o Joker que tem paciência e proficiência para tal, é admirável.

Inclusive, antes de começar, leia o RPS.

Começando.

Assisti o Backlash na segunda-feira, contrariando o costume de assistir o PPV do mês juntos dos apátridas que compõem esse site. Com isso foi possível, reforçado pelos comentários do redator supracitado, constatar o seguinte: assistir PPV gravado é muito mais rápido do que ver ao vivo. A razão é até bem obvia, já que no gravado você pode pular propagandas, promos e algumas partes da luta que realmente não está acontecendo nada.

É a maneira que a empresa planejou que você consumisse o produto? Provavelmente não.

É a maneira certa de consumir? Para mim foi a menos cansativa em relação ao Wrestling; as conversas no Skype são sempre um evento bem mais divertido.

Sobre o show em si tivemos uma luta de destaque e uma quase lá, o resto foi bem descartável. O destaque foi Rollins vs Miz, luta em que ambos trabalharam de maneira sincronizada, construíram uma lesão sem entediar o público e ainda conseguiram encaixar suspense na mistura, usando seus 20 minutos de apresentação com total competência. Rollins é um campeão preciso, fez defesas de título muito boas até esta luta e, em uma brand como o Raw, na qual o Campeão principal raramente aparece, serve muito bem como title holder. The Miz foi um ótimo desafiante, fazendo com o campeão a melhor luta de seu reinado até agora; o atleta recém transferido para o Smackdown tem-se mostrado bem além de suas performances sofríveis de anos atrás, com um personagem muito sólido e de trabalho constante. Apesar da WWE tê-lo encaixado em algumas feuds longas demais, ele não saturou e seus personagens periféricos como Maryse e Miztourage eram usados muito bem. Com sua ida para a Brand azul, é provável que este se envolva com Daniel Bryan, feud a muito esperada (lembrando que Miz já está classificado para a Money in the Bank Ladder Match).

Já para Rollins o caminho parece ser mesmo o do Intercontinental Championship, uma vez que os planos para a Shield morreram com a lesão de Dean Ambrose e, espero muito por isso, a WWE não volte com aquela merda de feud contra o Jason Jordan quando este voltar aos ringues.

A luta quase lá foi AJ Styles vs Shinsuke Nakamura pelo título da WWE.

Já é a terceira luta em que se enfrentam sob a marca da WWE e até agora somente uma dessas lutas teve uma decisão propriamente dita: Wrestlemania 34 onde AJ bateu Nakamura e reteve seu título. De lá para cá Nakamura foi um heel um tanto hábil, AJ passou a ser um face com uma crescente “sede de vingança” e isso ocasionou nas duas lutas com final aberto, uma por double count-out e outra por no contest. As lutas, apesar de boas, acabam quando a coisa parece que vai engrenar. Pode ser uma jogada esperta da WWE para levar a uma última luta grandiosa no Main Event de algum PPV futuro; também pode ser um puta tiro no pé, tornando o enfrentamento, tão aclamado pelos fãs, em uma luta extremamente saturada que não conseguiu chegar ao ápice que foi o Wrestle Kingdom 10.

O resto do PPV foi chato, apesar de, em algumas lutas, ter havido bastante esforço por parte dos participantes. Os segments também não foram nada além do aceitável.

No mais essa semana eu assisti a reprise do Smackdown através do Main Event. Veja só que deplorável. Além de ficar surpreso com a derrota do Bryan para o Rusev de forma limpa, também assisti Charlotte vs Peyton Royce que foi bem legal e, no Main Event em si (não o show principal, mas sim o show… principal) tivemos Zack Ryder vs Curt Hawkins.

Não prestei atenção, mas pelo que lembro o Ryder penou pra vencer o Hawkins. Esses puxa-sacos do Edge…

Antes de começar a escrever isso aqui o Luan me falou uma contagem de palavras para preencher, mas eu não lembro, então vamos ficar com essa que temos agora.

Tenham uma boa semana, sejam bonzinhos um com os outros. Pesquisem, aprendam, leiam muito, assistam muito, falem pouca merda e escutem pouca merda. Até semana que vem.

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Semanalfabeto 4# – Luzes, câmera, fogos, crowd, som …

Eu tinha algumas ideias de tema, mas como tenho de escrever isso mais rápido que o gato a jato, culpa de um prazo apertado da faculdade, o tema de hoje é NADA. Sim, pelo menos 500 palavras sobre qualquer assunto que venha a mente e esteja relacionado à luta livre.

Bem-Vindos.

Bom, falando em faculdade (e eu tenho um maldito trabalho para Quarta que provavelmente será minha ruína como ser-humano), há algum tempo atrás uma professora pediu um trabalho sobre multimídia, contendo qualquer tema já tenha abordado em sala. Um dos temas foi multissensorialidade e então a pauta “WRESTLING!” bateu na minha cabeça (com uma cadeira de metal).

É, na verdade eu estava enganado, a pauta DESSA EDIÇÃO vai ser exatamente essa e digo mais, vai ser uma edição sem edição, então tudo o que está aqui, FICA.

“O que acontece no semanalfabeto, fica no semanalfabeto” PLATÃO, 1989

Vamos lá.

É normal consumir tanto um produto a ponto de suas especificidades tornarem-se despercebidas em uns aspectos, ao passo que outras ficam mais gritantes. Quando se trata dessa forma de expressão, com o tempo se repara mais em como os movimentos são executados, a psicologia e construção das lutas, os erros que já levantam a voz, mesmo que sejam pequenos e em como as histórias caminham para suas resoluções em lutas especiais. Por outro lado, a gente começa a não notar mais toda vez que toca uma música para alguém entrar, seguido de fogos dependendo de quem for; não percebemos que alguns golpes não fazem nem sentido no mundo real, mas dentro da linguagem tem um nível de força particular, dependendo de cada lutador. Sim, sem nem notar você sabe exatamente quanto machuca cada golpe e o impacto que ele tem dependendo do ponto da luta.

Dentre esses aspectos está inserida a minha recém descoberta pauta. Luta Livre é um tipo de arte (e se você discorda, faça-me um favor e se foda) que permite a comunicação com o receptor em vários níveis, dependendo inclusive da interação com ele para que a máquina toda funcione. Quantas vezes você não viu uma luta que estava boa, os golpes fluindo e os lutadores bem sintonizados, mas com uma crowd tão brocha que ficou só no meh? Tudo isso faz parte da experiência.

O mesmo vale para as chants e theme songs, as últimas muito faladas desde a saída do senhor Jim Johnston da WWE. O criador dos temas sonoros da Nation of Domination, Stone Cold e Chris Jericho (que ele nos abençoe a todos) declarou, alguns dias depois, que não se considera um fã de Wrestling e, todavia, sempre tentou contar a história dos Wrestlers através do que ele foi contratado para fazer: som.

Acontece com as roupas, os cabelos, camisetas, jeito de andar, de correr, de meter um socão na cara do ser-humano a sua frente. Tudo contribui e, se algum desses falha, o todo se perde. É como um filme, um teatro, isso todo mundo já entendeu, só talvez não pensem muito no assunto. São as diferenças entre ver um show em casa e no estádio, o motivo de comentarmos nas redes sociais, tentando simular essa sensação e se tornando, de certa forma, até um outro tipo de crowd.

Bom, basicamente é isso e era uma pauta que eu estava querendo desenvolver para o trabalho de faculdade. Sinceramente, acho que não vai rolar, por isso estou gastando ela aqui, até de maneira bem rasa, sem fontes, entrevistas e um desenvolvimento mais profundo. Talvez algum dia eu volte nisso.

 

Antes de finalizar, duas coisas:

Se não me engano hoje acontece o show de 11 anos da FILL e porra, ONZE ANOS, muitos parabéns para o Titan e todo mundo da empresa que trabalhou pelo projeto, é admirável a força de vontade de vocês.

A segunda coisa é que surgiu a notícia meio torta que talvez a WWE venha ao Brasil. De começo eu achei que vinha, depois vi no Twitter um papo de que não estava nada confirmado e resolvi deixar para lá. De verdade, eu espero que venha, eu já estou empolgado em rever isso ao vivo, com mais lutadores que eu gosto e ao lado de gente que eu gosto. Se não rolar, tudo bem também, para quem não tem nada metade é o dobro, mas vamos aguardar. Só não contem para o Luan que na minha casa nova não tem internet, porque aí talvez ele não venha.

Até semana que vem, sejam legais com os amiguinhos.

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