Saindo de casa. #ThankYouPaige

Dizem que nascer dói muito, abrir os pulmões secos como folhas em balões enormes que funcionarão durante toda existência, ver as luzes depois de passar tanto tempo no escuro, tanto tempo dentro de casa; e então o mundo dói. Na última segunda-feira Paige fez o anúncio oficial de sua aposentadoria dos ringues, poucos meses após seu retorno depois de tanto tempo fora, um retorno que era dado por muitos como impossível.

Essa menina de sotaque forte foi, durante muito tempo, O NOME do NXT quando o assunto era divisão feminina. Todos os medalhões que hoje abrilhantam tão talentosa divisão ficavam pequenos perto da novata que já cativava com sua luta e sua gimmick. Estreou campeã, teve uma feud longeva com outra aposentada, AJ Lee, e entre seus reinados como Divas Champion colocou os tijolos para que outros pés marchassem rumo a Womens Revolution.

Esses mesmos pés também caminharam sobre vidro e brasa no primeiro semestre de 2017, quando a lutadora viu o pior de nós, olhou o monstro com rosto difuso e horrendo de nome internet e ele mostrou porque é um monstro. Muitas pessoas (principalmente mulheres) passam pela mesma experiência humilhante de serem expostas a cidadãos que simplesmente não sabem respeitar o espaço individual do outro e divulgam intimidades por acharem que podem; não são poucas as que não conseguem sobreviver a isso, chegando a um precoce fim.

Paige sobreviveu, PAIGE VOLTOU. Deve ter doído, ver as luzes e as vozes gritando, mas depois de um tempo, depois que o mundo para de doer ele se torna sua casa de novo. E como é da vida, as coisas mudam e a wrestler inglesa terá de se acostumar a outra casa, longe das quatro cordas (ou não tão longe assim), aprender a nascer. Mas ela aguenta. Aonde quer que ela esteja, não importa a circunstância, tal lugar sempre será a sua casa.

#THANKYOUPAIGE

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As vésperas: sobre a Wrestlemania 34

Por que escrevê-lo? Por que não escrevê-lo? Por que escrevê-lo? Por que não escrevê-lo?… Escrevi.

Estamos em plena Wrestlemania Week, às portas do grande blockbuster do Wrestling mundial, seria uma falta de bom senso enorme não escrever nada antes do famigerado Grandest Stage of Them All, não? É, foi o que pensei.

A comparação anterior vem com total naturalidade, por uma simples razão: É a verdade. A Wrestlemania se materializa como um grande blockbuster do Pro-Wrestling, as vezes com um diretor bom e roteiro amarradinho e aí dá samba; outras vezes vem roteiro pé de chinelo e um diretor terrível, nesses casos é só esperar até o ano que vem, ano que vem sempre tem de novo.

Esse ano, pelo que mostram os “trailers”, o evento tem potencial até a boca, claro que algumas decisões sempre decepcionam, como em qualquer obra Wrestlingmatográfica, mas a gente releva, a gente sempre releva. E como não?

 

Vamos por partes.

 

Com o card totalmente revelado é possível selecionar algumas joias em potencial, cenas marcantes para se aguardar no evento deste domingo, 8 de Abril.

 

O que me salta aos olhos, já de começo, é Asuka vs Charlotte.

Tempos atrás eu tinha grande  ressalvas quanto a herdeira Flair, nunca questionando sua qualidade em ring nem mic-skill, entretanto algo ainda não havia clicado, expressão bosta que aqui significa simplesmente “eu só achava ela qualquer coisa”. Depois da Wrestlemania 32, após o título das Womans voltar com tudo e a nomenclatura “divas” ser enterrada, ela só cresceu. Como heel, deixando a figura icônica do pai como manager de lado, e também no tablado, fazendo lutas cada vez mais competentes, mesmo que o booking e os reinados curtos tenham fatigado na época. Inegável, porem, é o fato de  Charlotte Flair ser história viva, caminhando dentro da WWE, tendo participado da primeira HIAC feminina e da primeira MITB feminina, além do supracitado title na WM 32.

E o que dizer de Asuka? Invicta desde a estreia, levando nas costas um fardo que não é fácil. Carregar uma streak semana a semana é uma tarefa dura, acaba cansando e para acabar com a invencibilidade não existe jeito bom, é sempre torto, esquisito. Talvez estejamos parados frente ao melhor cenário para isso acontecer, ou será esse só mais um capítulo na mega-saga de dominação que a atleta japonesa traz consigo? Em tempo… em tempo. De qualquer forma, o público ainda a apoia totalmente.

 

Falar em streak e não falar do Undertaker chega a ser sacrilégio. Bom, ele a perdeu há quatro anos, mas o som dos corpos de 19 homens nas 21 vitórias que sucederam a derrota na Wrestlemania 30 ainda ecoam pelos salões vazios das arenas onde tudo aconteceu. Não que tenha parado por aí, tivemos ainda três lutas com duas vitórias e uma derrota, as últimas que sempre pesam muito mais que as primeiras.

Mais uma dessas derrotas pode despontar no horizonte este domingo, e nela lemos o nome de John Cena, um dos Wrestlers mais populares indústria criou nos últimos anos.

 

Sejamos francos, a luta tem grandes chances de ser muito ruim. Não condeno o Cena in ring: ele não eleva a habilidade de um lutador medíocre e nem afunda um bom; já sua química com o público é algo que ajuda sim, muito, qualquer luta. É no outro lado da balança que o baticum muda. Undertaker não consegue mais lutar, é evidente. O corpo já não aguenta mais. Eu acreditei que ano passado fosse a despedida; esse ano pode ser mais adequado, querendo ou não Cena vs Undertaker é SIM um destaque do evento, a luta que nunca aconteceu nos termos certos, encerrando, quem sabe, a carreira de dois medalhões. Inclusive, vou deixar gravado aqui: eu não escrevo mais texto de despedida para Wrestler nenhum. Ninguém fica aposentado. Escrevi para o Undertaker e olha ele aí de novo.

 

Para minha surpresa, outro que volta é Daniel Bryan. Mesmo que valha comentar sobre os outros três envolvidos nessa tag team match, eu não quero. Nós sabemos da qualidade monstruosa de Owens/Zayn e como vê-los em um card da Wrestlemania é quase como olhar, no passado, para um Dream Card. Shane também foi surpresa há um par de anos, retornando, da mesma forma, para uma WM. Entretanto esse é um caso um pouco mais delicado. Imagine se Bret Hart, Edge, Stone Cold e tantos outros Wrestlers que se aposentaram, seja parcial ou majoritariamente, por conta de lesões pudessem ter outra chance, uma única que fosse, pequena, mínima, de lutar de novo com toda capacidade. Ele pode. Daniel Bryan foi agraciado com mais uma chance, não uma luta só, mas a chance de voltar aos ringues, de sonhar conosco, só que agora do lado certo das cordas, dentro do quadrado do qual nós torcemos tão fervorosamente que ele não tivesse saído e para o qual ele agora retorna. Três anos atrás, em uma noite de segunda, eu chamei Daniel Bryan de um Wrestler 3×4. Ele ainda é, mas também é um gigante, impresso em tamanho global, estampado na face da terra, do tamanho de um sonho. Um bom sonho.

 

E se Bryan Danielson vai lutar, por que não Tyler Black, Prince Devitt, Cedric Alexander, Brodie Lee, Crazy Marie Dobson, Claudio Castagnoli, Heide Lovelace, Bobby Roode? Por que não reprisar a luta pelo IWGP Intercontinental Title do Wrestle Kingdom 10 e colocar Aj Styles contra Shinsuke Nakamura, competindo agora por um dos dois mais importantes cinturões da companhia? Por mais que o Nakamura não me agrade, é como pegar algo que deu certo em um grande filme da Fox Searchlight e produzido pela 20th Century (nenhuma intenção aqui de desmerecer nem a NJPW nem a Searchlight). Outro title que ganha uma match é Cruserweight, atualmente vago. Essa luta é resultado de uma sequência de ótimos shows do 205 live, um novo manager e um torneio com inúmeras lutas excelentes. O supracitado Cedric Alexander peleja contra Mustafa Ali para decidir quem leva o ouro; sinceramente, acho que somos nós.

 

É um grande card, em extensão e em potencial. Deixei muitas coisas de fora e elas certamente não são menos importantes por isso, mas o que me interessa mais dentro do evento está nesses últimos parágrafos. De resto, só espero algo legal, com a sorte ajudando.

Além da Wrestlemania em si, a WM Week também proporciona ótimos eventos no circuito independente da luta livre, período no qual algumas empresas e wrestlers resolvem tocar projetos especiais. Os exemplos mais caros à minha pessoa são o Joey Janela Spring Break, que vai agora para seu segundo ano, e o Matt Riddle Blood Sport, organizado como um evento de Shoot Fight. Ambos aconteceram nos dias 5 e 6 de abril. Além desses temos também Impact vs Lucha Underground, WrestleCon Supershow, shows da Evolve, Progress, RevPro e o SuperCard of Honor da ROH, entre várias outras atrações.

 

Mas sério, se você não viu o primeiro Joey Janela Spring Break, ouça nosso podcast e assista logo depois, é algo fora de série.

 

Enfim.

 

O período de Wrestlemania é o nosso fechamento de temporada, assim como o descortinar de um novo espetáculo, provindo uma nova aventura, continuando algumas outras que conseguem atravessar as frestas desse grande acontecimento anual. No dia em que esse texto for ao ar ainda não teremos assistido o NXT e o HOF terá sido somente a algumas horas, enquanto a Wrestlemania se apresenta à nossa frente, braços aberto. É nosso direito sonhar com ela, é quase um dever aproveita-lá, seja por ela mesma ou pelos eventos que ela trás. Fazer isso há 10 anos? Isso sim é, sem sombra de dúvidas, um privilégio.

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WSW World Tour Brasil – 28/10/2017.

5 anos de PipeBomb, WSW, ou o porque de tudo isso.

 

Três dos meus melhores amigos eu conheci por conta desse pequeno esporte chamado Luta Livre. Graças a suposta vinda do Rey Mystério ao Brasil, eu finalmente pude conhecer um deles pessoalmente. Esse maluco conhecido como Luan é, assumidamente, um dos maiores fãs do Rey Mystério que eu já vi! Possui o baixinho tatuado no braço e uma máscara preta que não cabe em sua cabeça (comprada no evento, inclusive). Esse rapaz passou dois dias na minha casa, quase morreu de alergia, deu uma topada na quina da cama e fez um rasgo na perna, viu um menino cair de bicicleta no centro da cidade e foi comprar comida no intervalo entre as lutas enquanto eu ficava na minha cadeira, procrastinando.

Eu prometo não me demorar muito aqui, isso não é um review e muito menos um diário de bordo, eu escrevi um texto falando sobre o evento AQUI, bem no centro da distinta concorrência. Contudo, esse site aqui é a minha casa e é aqui que eu quero escrever um x a mais sobre esse evento de sábado. Receber o Luan na minha casa foi ver que esse site aqui é algo de verdade; não se engane, muitas vezes eu já pensei em parar com tudo, esperar o servidor  expirar e fechar o site ou simplesmente parar de escrever sobre luta livre. O que me deixa aqui, mais do que o Wrestling, são o Luan, o Joker e o Captain. São pelo menos 5 anos de amizade aí, passando pelos momentos ruins e bons, unidos pelo gosto em comum de ver pessoas se batendo de maneira artística, apanhando por vontade e dizendo coisas que, num contexto da vida real nem faria sentido.

Foram dois dias em que, quando não estávamos dormindo, falava-se majoritariamente de Wrestling, jogando 2k18 e fazendo piadas, as mesmas piadas que rolam diariamente ao longo da década de 10. O que trouxe ele aqui foi o Rey Mysterio, mas esse não veio, fez merda e não cumpriu o compromisso, simples assim. Ele tem seus motivos? Lógico, todo mundo é passível de falhas. Quando ele vier, junto com a WSW, no primeiro semestre de 2018, eu vou comprar o ingresso? Muito provavelmente.

A verdade é que se fosse pela luta livre em si eu já teria abandonado tudo a muito tempo. Escrever é uma dádiva, mas eu não preciso de um site próprio pra isso, dá pra escrever em qualquer lugar, entretanto, não dá pra escrever qualquer coisa em qualquer lugar; esse texto só me cabe porque está aqui, entre amigos. Os momentos mais memoráveis desse hobby não são narrados pela voz de Michael Cole e Jerry “The King” Lawler, mas pelas piadas cretinas do Joker, pelas merdas que o Captain fala e pelos comentários odiosos do Luan. Conhecer Carlito, Juventud Guerrera e Chris Masters foi um momento muito legal, mas o que fica é o sarro que a gente tira das informações erradas que as pessoas conversavam por perto, a constatação da minha veia antissocial que não é quebrada nem pela fome, meus pais falando dos meus amigos como se fossem conhecidos de longa data deles mesmo só do que me ouvem falar.

Seja no PNO, seja em Osasco, seja no Skype, no podcast ou até sozinho, Wrestling me vale principalmente porque, de alguma forma, me dá mais uma chance de falar com essas pessoas que são caras na minha vida, de abranger pra outros assuntos como música, quadrinhos, política. Nosso amado telecatch nos uniu, e como diria o livro sagrado: o que o Wrestling uniu, ninguém separa.

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PIPE OFF : Da Boca pra Fora 1#: Moby Dick – Chabouté.

Antes de começar esse texto, uma breve introdução. Da Boca pra Fora é como eu vou chamar qualquer coisa parecido com review de filme, gibi, musica, ou seja lá o que eu queira escrever que não seja sobre Wrestling. Como eu não sou critico nem jornalista, acho meio chato usar o nome Crítica ou coisa parecida. Bom, agora que tudo está explicado, vamos ao texto.


 

“Todos temos nossa Moby Dick”.

Não sei ao certo se esta frase está no livro e, pelo que me recordo, não está no quadrinho. Esta frase está escrita em um autografo dado por Daniel Lopez, editor da HQ e um terço do Pipoca e Nanquim, que trouxe esta obra ao Brasil. Este pensamento permeou minha cabeça durante todo o caminho de volta pra casa no dia em que comprei o gibi, assim como durante toda a leitura.

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5 anos de WWE no Brasil – 24/05/2012

Eu, meu pai e a WWE no Brasil.

Eu comecei a escrever um texto sobre a WWE no Brasil, mas apaguei, não gostei do que escrevi. Todo mundo pode falar como aquele dia foi foda. Sim, todas as quatro letras, FODA. Qualquer um que estava lá, até mesmo os que não, conseguem exprimir toda a grandiosidade que foi ter os Wrestlers mais badalados do mundo em nosso território. Eles falavam português, apertavam nossas mãos, chutavam nossa bandeira e também se enrolavam nela com orgulho, eram nossos por um dia. Por um dia a coisa que eu mais gostava na vida era real.

Isso tudo você que está lendo você mesmo podia ter escrito, mas o que se segue não. Com 14 anos de idade meu único modo de entretenimento era o Wrestling. Eu lia pouquíssimos quadrinhos, só o básico, ver filmes então nem se fala, via o que me recomendavam e não entendia nada. Eu não tinha lugares favoritos e nem saía muito, quando meus amigos queriam me ver, vinham no meu portão, porque esse era meu limite auto imposto. Meu jeito de sair de casa era a luta livre, através de um notebook Samsung eu acessava todo o conteúdo sobre WWE que eu conseguia consumir, via todos os shows semanais, via TNA e revia shows antigos pois, para mim, era só o que existia.

Mais importante que isso: WWE era, na época, o principal assunto que unia eu e meu pai.

Futebol? Não. Meu pai é flamenguista nascido no Rio, na época recebendo muitos comentários espinhosos meus pela precoce eliminação do Rubro Negro na Libertadores. Musica? Até que sim. Fomos, a família inteira, em um show naquele mesmo mês, mas ainda não compartilhávamos e nem compartilhamos, atualmente, um gosto parecido, nem somos músicos para comentar acordes e notas. Religião era a única coisa que tínhamos em comum, mas sempre enxergamos as coisas de um modo muito diferente e nossos papeis naquele ciclo eram imensamente distintos.

Então era na WWE que nossos gostos se encontravam. Toda semana, no mínimo uma vez, ele assistia alguma luta comigo, as vezes até repetíamos as lutas que gostávamos. Pra ele não devia ser muito cômodo, trabalhava bastante e eu não era um adolescente acessível, nunca fui uma pessoa fácil. Mesmo assim, nos divertíamos e quando a WWE anunciou sua vinda ao Brasil ele, junto da minha mãe, não hesitaram em gastar o dinheiro que tinham pra comprar os ingressos. Sim, no plural.

Ele iria comigo, era a única condição de meus pais, já que eu não poderia ir sozinho. Voltando no tempo, caso fosse possível, eu imporia essa condição a mim mesmo e diria praquele menino chato que havia recém decidido deixar o cabelo crescer: “Chama ele pra ir”.

Eu me recordo que fiquei desesperado quando li, em um tópico da saudosa WU, o título “WWE no Brasil cancelada”. Era dia 23 já, eu já estava pronto pra ir e esperava a hora de meu pai chegar em casa; foi uma pancada na cara! Entretanto, eu me acalmei quando li que “o evento foi passado para o dia 24 de maio. UFA QUE SUSTO! Pelo menos eu conseguiria ver o Corinthians. E deu, foi o 1×0 mais emocionante que eu vi na vida, o mais perto que eu cheguei de um infarto e um dos momentos mais legais que eu passei com meu avô, mas isso é papo pra outro texto,

Passou a noite, a vitória sobre o Vasco já havia assentado em meu coração e a ansiedade voltava para dentro de mim. As 16 saímos de casa. Ouvimos um álbum recomendado por uma amiga no carro, pedimos ajuda para um Taxista no caminho e conversamos bastante. Antes de entrar no ginásio, passamos em um McDonalds para almoçar. Entrando naquele estabelecimento meus olhos ascenderam pela primeira vez e eu me senti em casa. Camisetas do Steve Austin, John Cena (na época de camiseta verde), Kofi Kingston e CM Punk, este no auge de sua popularidade e em seu reinado histórico como WWE Champion, encapavam o ambiente corriqueiro. Era diferente aquilo, era pessoal, era ao vivo e era meu universo. Tudo o que eu mais amava na vida estava ali, tudo mesmo.

Passamos por JTG, Brodus Clay, A-Ry, Curt Hawkins e Curtis Axel (na época Michael Mcgillicuty), Wrestlers que ali pareciam muito maiores do que o descaso que eu dava a eles semanalmente. Passamos por John Cena, Dolph Ziggler, R-Truth, Kofi Kingston, Beth Phoenix (Hall Of Fame) The Miz, Zack Ryder (mais popular impossível) e o campeão e supracitado CM Punk. Ah, claro, como eu pude esquecer? Tinhamos o Deus do Wrestling, Chris Jericho. Sim, eu vi o Chris Jericho de perto, vi ele quase ser preso. EU RESPIREI O MESMO AR QUE CHRIS JERICHO.

De relance, também pude ver o Dean Malenko atrás das cortinas dando uma espiada. Foi uma noite e tanto. No intervalo fiquei sabendo que o Corinthians pegaria o Santos nas semifinais da libertadores. Nesse mesmo intervalo eu pude conversar novamente com as pessoas que eu nunca mais vi na vida, mas aquelas das quais eu lembro muito bem os rostos e vozes. Mas por que falar de tudo isso e não falar do Jericho chutando a bandeira? Não falar que nós vimos uma falsa troca de Title? Não falar que a gente gritava “Batista” pro Mason Ryan?

Bom, porque para isso existem os vídeos (em alguns até dá para me ver), existem várias outras coisas que você pode consumir que vão te dar essa noção do quão importante isso foi para o cenário nacional. O que importa pra mim é ouvir meu “velho” falando até hoje:

– Vi (minha mãe), o legal é que eles sabem todos os gritos e sabe, um puxa um grito e de repente tá todo mundo gritando. Maior barato, pessoal é fã mesmo.

Minha mãe geralmente ri. Hoje em dia eu também assisto luta livre com ela, as vezes.

Na volta do evento, eu dormi no carro. Meu pai, solitário, nos trouxe de volta a casa. E é assim que o Wrestling também funciona comigo. Ele serve pra proporcionar momentos que eu vou me lembrar com pessoas que eu amo. Alguns dos meus melhores amigos vieram por causa dele (por exemplo os três outros energúmenos desse site), vários momentos felizes, várias ocasiões em que uma tristeza terrível foi embora só pelo fato de eu assistir e dividir essa atividade, o PipeBomb veio no mesmo ano em que isso aconteceu. Quando minhas memórias forem comida na pança de uma minhoca, ela vai saber desse momento que eu tive com meu pai. Uma ocasião que ninguém vai roubar de nós, de todos nós que estávamos lá, só que cada um com sua história.

No outro dia acordei cedo e fui para a escola, tinha prova de Geografia. Acho que fui bem.

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Wrestlemania 33 : A ultima viagem de Undertaker.

 

É velho, ta na hora de se aposentar. Talvez aí dentro ainda soe um gongo te dizendo “só mais uma luta”, aparentando que você ainda tem gasolina para queimar, mesmo que a viagem tenha acabado. A viagem acabou, acaba para todo mundo.  Eu queria achar que você só esqueceu de recolher as luvas e o chapéu no ringue porque a memória não é mais a mesma, entretanto sabemos que não é verdade, também sabemos que é melhor para todo mundo que elas fiquem ali. O homem vindo dos mortos voltou para os mortos, sobrou Mark Calaway, pai de quatro pessoas, metade de três casamentos, fã de motos e de boxe, suposto “líder” de backstage durante muito tempo na empresa vital. Eu vou sempre falar de você como Undertaker, mas para quem importa de verdade, o Undertaker é só mais uma personagem que deixou esse grande teatro. Assim tem que ser, que morra o personagem e a pessoa continue aí.

Visivelmente emocionado ele desceu uma última vez para as profundezas do desconhecido, sua mão levantada em sinal de vitória. Ele, sem sombra de dúvidas, combateu o bom combate e completou a carreira, a fé quem guarda são as pessoas em volta; a fé de que, qualquer hora dessas, outro lutador vai nos dar tantas emoções como o Deadman proporcionou, vai marcar a infância dos nossos filhos como “o homem do vale” marcou as tardes de sábado dos filhos de nossos pais.

Na sua limitação dentro dos quatro quantos de um ringue, você fez o mundo transcender e, por um breve momento acreditar que, a morte leva, mas, algumas vezes, ela joga algo de volta. Infelizmente, o tempo chegou para recolher a bagunça que fez.

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Cair pra cima: ROH 15th Anniversary – Christopher Daniels vs Adam Cole

Luta livre não tem nenhum sentido prático a não ser o entretenimento. Não tem a pretensão de fazer pensar em algo, não tem a soberba de querer ser mais do que é, mas também nunca finge ser menor. Sendo simples como é, a luta livre e meu lutador favorito acabaram me fazendo pensar sobre a vida num geral.

Christopher Daniels luta há 24 anos, mais tempo do que eu tenho de existência e, dependendo da sorte, mais do que jamais terei.

A primeira vez que eu vi esse homem careca (na época ele já era careca) foi em uma companhia que eu não costumava acompanhar. Ver Daniels e a TNA eram coisas fora da rotina para mim, era uma outra visão de Wrestling, era… outra coisa! E eu não gostava dessa mudança, eu gostava do Raw e do Smackdown. Meu negócio era o Undertaker! Mas o Undertaker com o tempo foi se tornando outra coisa e o Daniels virou minha rotina; enquanto o coveiro passava a me incomodar com a velhice que lhe incomodava, o anjo caído passou a envelhecer e me agradar cada vez mais.

Uma luta que me marcou muito nesse periodo, uma das primeiras que eu vi quando parei de acompanhar WWE exclusivamente, foi AJ Styles vs Christopher Daniels vs Samoa Joe pelo TNA World Title, a rematch do Clássico de 2005 que é muito comentado, ou pelo menos era na época. Também foi a luta que me incentivou a escrever sobre o Sr. Covell pela primeira vez, nos tempos difusos do Orkut em um quadro chamado “WWE for History”, porque para mim Wrestling ainda era WWE.

E é nesse próprio “Wrestling” que hoje dois terços dessa fração prosperam e crescem para o mundo, mesmo já sendo grandes para muita gente! Enquanto isso Daniels foi ficando “para trás” junto com seu amigo Frank Kazarian. Deixaram a TNA, se firmaram na ROH. O mundo do Wrestling foi evoluindo e minha percepção de Luta Livre se tornou uma coisa mais ampla, mais abrangente a outros gostos e outras propostas. Entretanto, mesmo com a visão mudando, uma coisa nunca mudou para mim: A importância de ser Campeão Mundial.

Claro, “Campeão Mundial” é só uma expressão que usamos para definir o campeão principal de uma federação; usualmente o Título é de campeão nacional, campeão mundial ou campeão de empresa “X”. Desculpem o didatismo idiota, talvez esteja explicando a mim mesmo.

Prosseguindo. Christopher Daniels já foi campeão em inúmeras federações, inclusive o World Champion de várias, porém ele nunca foi o cara. Foi um return que reforçou a Fourtune na sua feud excelente com a Immortal, é a metade da Addiction (anteriormente Bad Influence, amor eterno), foi TV Champion, Campeão de Duplas, teve sua Five Star match (a supracitada no Unbreakable 05); ele tem filhos, tem uma esposa, provavelmente uma família, amigos e uma comida favorita e uma roupa confortável de usar no domingo à tarde, quando pode.

Ainda assim, ele nunca fora o cara de uma empresa grande, um Wrestler possível de nomear a cara da companhia. Até Sexta-Feira, 10 de março, o Fallen Angel era mais um Wrestler que poderia entrar para classe de lendas que nunca foram World Champions, nunca tiveram a chance de ser o cara. Em uma promo ele, com maestria, demonstra todo o sentimento por trás dessa espera, a carga que uma conquista dessa carrega.

Ela é esta que se segue:

 

 

 

Eternidade e esquecimento, sacrifícios pela indústria e a percepção que o tempo, ele não está passando, ele já passou. E então eu pensei e repensei. Ser um wrestler é ouvir o relógio da vida bater meia noite as dez da noite, mas viajar no tempo além do que muitos outros esportes te permitem e no espaço muito mais que outras técnicas te proporcionam. Esse texto não é sobre mim, não é sobre o Adam Cole e o quanto a ideia dele e do Bullet Club já terem me esgotado a paciência profundamente; não é também sobre a luta, que, apesar de não ter sido ruim, não foi muito boa. Ela cumpriu seu propósito, com um final emocionante entregou aquilo que prometeu, condizente com a feud na qual foi fundamentada.

Ver o Curry Man levantando passado e futuro nas mãos, agora, foi bonito. A jornada completou seu sentido e justificou seus vazios; eu, como fã, fiquei alegre que só o diabo.

Chris já está “velho”, 46 anos é uma idade avançada, ainda mais em um estilo de luta como o dele. Quanto mais progredimos vai ficando mais evidente o efeito disso, apesar de ele ainda lutar com precisão e claridade, num dos estilos mais limpos já vistos. Portanto, esse é o tema: Sobre idade, sobre o tempo. Perceber que talvez seja a última chance de fazer algo grandioso, algo que “importa” é dolorido, porem precioso e inconscientemente diário. Talvez, enquanto seus amigos seguem caminhos diferentes e grandiosos, você se veja ali no mesmo lugar onde estava, sendo sempre o meio de um caminho para outros, mas nunca um ápice. E está bom assim, não há nada errado.

E tem algo errado. Tinha.

AJ Styles é ex-campeão da WWE, Samoa Joe é um candidato ao Main Event no futuro breve. Ambos já foram campeões mundiais há muito tempo atrás,  Joe da ROH inclusive, e para eles essa se faz uma conquista longe no retrovisor, decerto alguns degraus abaixo de uma escada inacabada. No ROH 15th Anniversary, Christopher Daniels chegou ao topo de sua escada, uma escada particular a qual todos construímos individualmente, com nossos próprios degraus e aspirações pessoais. Vai do que lhe é necessário.

Para ele era necessário estar no topo do mundo, do mundo DELE. Ele conseguiu, esse anjo caído despencou, mas despencou para cima.

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Obra de Arte: DIY vs The Revival – NXT TakeOver Toronto

Vamos voltar alguns anos, não sei quantos ao certo, mas alguns anos. A TNA tinha, em tempos passados, uma Tag Team Division de dar inveja a qualquer empresa: Motor City Machine Gun, Beer Money, Generation Me (conhecidos como Young Bucks, hoje em dia mais chatos que unha encravada), Bad Influence (amores da minha vida), em dado momento tivemos Kurt Angle & AJ Styles e até Bobby Roode & Austin Aries. Obviamente nem todas essas Tags atuaram simultaneamente e, com a mesma obviedade, existiam também Tags extremamente merdas que, contudo, não comprometiam a divisão num geral. Com o passar do tempo a WWE começou a esboçar um suspiro de uma Tag Division mais elaborada, depois de anos tropeçando com Crime Time, Legacy, Carlito & Primo, Dirt Sheet, S.E.S e, não podendo deixar de fora, campeões maravilhosos como John Cena & David Otunga e os lendários Heath Slater e Michael Mcgillicutty. Os porens da TNA valem pra WWE também.

Sábado (19/11/2016) ocorreu o NXT Take Over Toronto. Eu não vi ao vivo, não teve a usual conversa no Skype e eu já havia recebido todos os Spoilers minutos depois que acabou o evento; pra mim, isso já tira metade da emoção da coisa. Ontem eu parei pra ver o PPV: Ótimo card, boas propostas, feuds bem construídas e três disputas de título. Uma delas me deixou atônito após sua conclusão e pela introdução do texto vocês provavelmente já sabem qual é. Caso não, no NXT Take Over Toronto tivemos uma “2-out-of-3 Falls Match” pelo Título de Duplas do NXT entre The Revival (Scott Dawson e Dash Wilder), os atuais campeões, e DIY (Johnny Gargano e Tommaso Ciampa), nossos desafiantes.

A primeira vez que vi Johnny Gargano lutando foi no King Of Trios 2011, PPV da CHIKARA.Eu falava no Skype com o famigerado Joker, que torcia e gritava (não literalmente, aquele grito de quem não pode falar muito alto) a favor da Stable do Wrestler supracitado, a FIST. A primeira vez que vi Tommaso Ciampa lutando foi em algum PPV da PWG, em uma luta meio merda contra Brian Cage, em que, se não me engano, o próprio Ciampa botchou no começo, o que comprometeu o restante da luta. A primeira impressão ruim passou, Ciampa é excelente, só pra deixar claro. Eu realmente não me lembro a primeira vez que eu vi a Revival lutar, a primeira vez que eu os notei foi no NXT TakeOver Dallas, aonde os mesmos perderam seus títulos de Dupla para a American Alpha, dupla que agora figura na divisão de Tags do Smackdown. Eu não acompanhava o NXT semanalmente na época, então não tinha muita noção de como funcionava a Tag, conhecia a American Alpha pelo hype construído ao redor do Gable, entretanto, ao final da match, mesmo derrotados, eu havia descoberto uma tag que já poderia colocar entre as minhas favoritas.

Enfim, os dias e meses passaram, The Revival recuperou o título, fizeram uma luta incrível contra a DIY no NXT TakeOver Brooklyn II e abandonaram o Torneio Dusty Rhodes de Duplas, justamente quando iam lutar novamente contra a Do It Yourself. Ciampa e Gargano assinaram Full-Time com a WWE, Gargano casou, a DIY perdeu sua vaga no torneio para os Authors of Pain, graças a uma interferência de Dash & Dawson. O circo estava armado para o NXT em Toronto, agora as possibilidades estavam todas na mesa, com a DIY já contratada pela empresa de Stamford e a Revival no ápice de sua popularidade até agora, sendo até citada pelos Young Bucks, em uma entrevista dada ao Weekly Top 10 da Sports Illustrated, aonde eles dizem que, caso eles continuem juntos, podem estar no Top daqui a alguns anos.

Eu já sabia que a DIY ganharia, eu tinha lido os spoilers no Twitter no dia do evento. Então a pergunta que fica é: Por que eu fiquei no estado de graça que eu fiquei depois da luta? Qual razão despertou a emoção que me tomou após a Match?

Uma resposta muito plausível é a de que eu sou um idiota completo (provavelmente é verdade). A outra é que, como tantos dizem, Wrestling é uma obra de arte. Tomando ambas como verdade, podemos dizer que, neste mês de novembro, vimos um quadro de Museu ser pintado a 8 mãos.

 

Eu preciso falar da The Revival. A comparação com os Brainbusters (Arn Anderson e Tully Blanchard) é, para mim, inevitável, contudo, não para por ai, seria muito simplista parar por ai. The Revival deve ter uma sala de DVD’s ou uma caixa de HD’s cheio de vídeos da Golden Age/New Generation da WWF, isso sem contar outras empresas. Seria muito fácil pra eles emularem essas tags e pararem por ai, mas eles trazem algo novo pra um estilo incrível de luta em duplas; Dash e Dawson tratam a Tag Match como um jogo de Xadrez, nada na sua movimentação é arbitrário, tudo sempre parece parte do plano, um timing incrível junto com um ritmo de luta incrível, que não é nem frenético, o que comprometeria o contar da história (famoso Storytelling) da luta, nem lento co0mo seus influenciadores. Como eles mesmo dizem, DIY pode ser uma tag de seres humanos, mas a Revival? Eles são maquinas.

Acho que podemos dizer, a essa altura do campeonato, que humanos também tem suas qualidades. Gargano já não é aquele garoto da FIST, teve um reinado de 873 dias com o Open the Freedom Gate Championship, titulo pertencente à Dragon Gate USA na época e, atualmente, unificado ao título da EVOLVE devido ao fim da DGUSA (luta de unificação foi entre Timothy Thatcher & Drew Galloway); o botch de Ciampa, o qual eu não lembro quando foi nem consigo achar vídeos. Prova de que tal fato pode ser só fruto da minha imaginação, esse botch não lhe faz justiça e desde tal ocorrido ele vem fazendo um excelente trabalho através do mundo, sendo sua tag com Gargano um excelente acerto que fez bem aos dois. Isso sem contar que nos providenciou um dos memes mais legais do Pro Wresting nos últimos anos. DIY talvez não seja 100% planejamento, mas tem muito coração e muita agressividade. Pudemos ver isso quando ambos se enfrentaram durante o CWC, pudemos ver a amizade de ambos no final, amizade que não foi comprometida apesar das derrotas durante a jornada como dupla dentro da WWE. Eles diziam que essa era a última chance deles pelo título, uma última chance de mostrar para o que vieram. Numa situação homem contra máquina, o espirito foi mais forte que o aço.

Não faria sentido eu revisar a luta aqui, mas o que eu posso dizer, novamente é que, do meu ponto de vista, essa luta não pode ser definida como nada menos que uma obra de arte. Não é a melhor luta do mundo, não é uma luta cinco estrelas, entretanto, nem todas as obras de arte são perfeitas ou incorrigíveis, mas são o que são pelo que despertam e o que representam. No final, o quadro que eu disse ser pintado a 8 mãos foi finalizado quando duas bateram no tablado sinalizando desistência. Antes disso a própria mão do juiz já havia alcançado a contagem do três duas outras vezes, uma contabilizada para cada time. Ambos os membros da Revival deram Tap Out ao mesmo tempo, DIY levou pra casa o NXT Tag Title, simples assim, sem enrolação.

Muito do que eu falei aqui pode parecer exagero, pode ser exagero, por isso não confie em mim. Se você tem o WWE Network vai lá agora e assista, você vai ser o que eu falei sobre a estratégia absurdamente calculada da Revival; caso tenha uma conta no XWT, faça o download, talvez você comprove tudo o que eu falei sobre a amizade e a carga emocional dos recém contratados; ainda assim, se não for o caso, existe o Watch Wrestling e muitos outros lugares onde vocês podem ver essa luta e, talvez, se emocionarem como eu me emocionei vendo a luta, mesmo já sabendo o resultado, se emocionar de novo como eu estou emocionado agora após ver por uma segunda vez e estar vendo por uma terceira enquanto escrevo estes parágrafos esquisitos.

Caso não sinta nada disso, você ainda estará vendo uma das melhores lutas do ano dentro da World Wrestling Enterteniment, luta que pavimenta o caminho para a Tag Division do NXT, consolida a já forte divisão do Main Roster, luta que faria o meu eu de 2010 pular de alegria e que faz o meu eu de 2016 colocar um ponto final com um sorriso no rosto.

PS: Obrigado ao Joker pela informação quanto a unificação do Open the Freedom Gate Title com o título da EVOLVE. Você pode ver as notas dele para a luta que inspirou esse texto aqui.

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