Semanalfabeto 12# – Decepção

O Brasil perdeu a copa ontem e hoje eu estava vendo um documentário sobre Warren Ellis, então eu preciso falar sobre como o esporte as vezes gera decepção enquanto conta uma ótima história. Ou sobre nada disso, eu simplesmente não tenho ideia sobre o que escrever.

Bem-vindo a mais um Semanalfabeto. Infelizmente isso ainda é uma coluna sobre Wrestling.

Existe muita coisa dentro da luta livre que já me chateou profundamente; essa semana, hoje, esse mês, desde que eu nasci. Eu me lembro de ter três anos e ver o Pitbull de Mauá mordendo a cabeça do Michel Serdan. Não sei se já aconteceu, mas na minha cabeça a cena existe e envolve uma mulher chorando ao lado do ringue.

Não que nada disso tenha sido particularmente decepcionante, foi só o que veio a cabeça.

Whooooo’s your daddy

Eu realmente queria que o Bret Hart tivesse voltado mais cedo para a WWE, que não tivesse sido chutado na cabeça por um lutador totalmente descuidado, queria que ele não tivesse sofrido com o câncer e fico muito feliz dele ter saído dessa. Entretanto a questão aqui não são as doenças do Bret. É engraçado como –- não, na verdade não.

É curioso, porque eu seria um completo idiota em achar algumas coisas engraçadas (e você preste atenção no que acha engraçado, pois você pode ser um imbecil e não estar ciente disso), como algumas das maiores tragédias da vida nos privam de coisas totalmente simples e momentos que não fazem a mínima diferença no grande esquema das coisas, pelo menos não quando comparados ao impacto de uma pessoa viva. E geralmente é a morte que nos tira os grandes momentos, as grandes lutas que nunca vimos, as grandes feuds.

A vida em si tira quando não esperamos. Tyson Kidd podia muito bem ainda ter condições de lutar, mas não tem. Hogan vs Flair não aconteceu quando tinha de acontecer. Foi na WCW, com dois lutadores já fora longe de seu auge, sem o clima necessário, sem o poder que poderia existir dentro de uma feud com dois nomes desse peso.

A gente é um tanto egoísta não? Pensar em coisas assim quando tantas outras variantes poderiam ter sido diferentes e que seriam muito mais benéficas para a raça humana. Mas é assim que nós somos, meus amigos. As botas, as cordas, as luzes, é tudo tão fantástico que mesmo as barreiras da possibilidade acabam se tornando pequenas para nossa mente que pensam “e se?”

E ele nunca vem, a possibilidade NUNCA vem, porque o que era viável acontecer, aconteceu. Eu começo a escrever sobre doenças e morte e acabo pensando que não falei o suficiente sobre isso, mas não é sobre isso que eu quero falar. Desculpa.

Triple H ganhou uma porrada de lutas que não precisava ganhar e a gente sempre vai falar isso e nunca falar do quanto de lutas ele perdeu, porque no final não importa, uma coisa não anula a outra.

Sabe quando você está lendo alguma coisa e pensa “esse cara está totalmente perdido”. Alex está totalmente perdido. Não é por conta da copa, que foi realmente a força motriz para essa edição (que basicamente é o que vem à cabeça), entretanto é o que aparece depois de perder um jogo ou não conseguir defender sua tese de mestrado, falhar num lance, não lerem o que você escreve, qualquer coisa do tipo.

Investimento emocional é algo que gera uma séria dose de melancolia e de abstinência. Eu tenho melancolia toda vez que eu ligo no FOX Sports 2 e assisto o Raw e só consigo gostar de 20 minutos das 3 horas de programa e fico pensando se o verdadeiro problema não está do lado que cá da TV e não de lá.

Aonde está o erro meu amigo? Aonde está a formula?

E mesmo assim tanta coisa que parecia improvável, essas acabaram acontecendo. Tantos momentos fantásticos aparecem nesse mundo da luta livre todo dia, então deixe de ser um ingrato desgraçado.

Até semana que vem.

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Semanalfabeto 11 # – Das 00h às 06h

Talvez você não saiba, mas luta livre às vezes pode ser muito bom para curar insônia (ou, pelo menos, para lidar com ela)

 

Eu sempre tive um sono muito inconstante, fato que me rendeu muitos amigos, devido ao tempo livre em que eu estava conversando quando poderia estar dormindo, mas também muita dor de cabeça, tendo em vista o cansaço no dia seguinte, ou ainda a sensação terrível de desconexão que a falta de sono proporciona.

Para que conste nos autos, escrevo isso às 4h02 AM como prova do meu comprometimento jornalístico para com a verdade.

 

Bem-vindos ao Semanalfabeto.

 

Durante minha adolescência inteira (que, acredite você ou não, já passou, apesar da idade mental) tive de arranjar uma maneira de conviver com insônia. A fórmula encontrada foi ter algo para dividir a atenção entre o esforço e a obrigação de fechar os olhos e o fato de que eu não conseguia me desligar, pois assim eu, uma hora ou outra, acabava cedendo ao sono, ou ele cedia a mim, fosse por sobrecarga ou distração. Logo quando eu não estava escrevendo, lendo ou conversando com alguém era bem provável que eu estivesse assistindo alguma coisa. Tire os filmes e as séries e você já sabe onde eu quero chegar: W R E S T L I N G !

 

Seria falsidade dizer que a maior parte do que eu consumi sobre Luta-Livre foi de madrugada, contudo é inegável que esse tempo sozinho, sem interferência externa, ou até mesmo com interferência externa, nos casos em que eu via algum show com o outro intrépido deste site, (que eu não irei nomear, mas que também tem uma coluna semanal) me ajudaram a continuar acompanhando esse entretenimento em épocas que o dia, com suas leves obrigações  e seu barulho, parecia não colaborar comigo. Isso se aplica principalmente a shows com duas horas ou mais de duração real, pois eu precisava ficar sem nada para fazer e enfim me dedicar a eles.

 

Não quero passar a impressão que Wrestling é algo secundário na minha vida e, se ainda assim você ficar com tal impressão, eu concordo com você. Porque isso prova em algum tanto que é sim uma mídia que  eu deixava para consumir quando tudo ao meu dispor já estava esgotado e que, mesmo com a disponibilidade que um adolescente que não trabalha possui, não era a primeira na minha lista. Agora, todo mundo que vive no Séc XXI (ou adiante, meu caro membro da Legião dos Super-Heróis) sabe que a quantidade de coisas para consumir quando se tem acesso a internet é inesgotável por pura coerência matemática, doravante, não é tão segundo plano assim.

 

E não se engane, foram anos efervescentes. Se hoje é possível olhar para trás e enxergar as falhas, as coisas toscas e bregas que pareciam um máximo e a mediocridade de lutadores os quais idolatramos, viver naquele momento era viver ansioso, principalmente depois, e isso vem de alguém que acompanhava majoritariamente WWE, começou a storyline envolvendo CM Punk John Cena e que depois envolveria Triple H, Kevin Nash, Awsome Truth e todo o seu longuíssimo ano de duração (para no fim não dar em nada)

 

Talvez não fosse uma época boa, mas era uma época simples e meu sono estava tão ruim quanto está agora, mas sem o mesmo tempo livre.

 

SHOWS QUE EU VI DE MADRUGADA!

 

Os dois GCW Joey Janela’s Spring Break acompanhado do famigerado Vinicius. Wrestlemania Weekend é uma ótima época para assistir Wrestling de madrugada.

 

Os eventos da NJPW também são ótimas opções para assistir ao vivo e o horário se encaixa perfeitamente com a proposta deste texto devido a mágica da Geografia.

 

Se não me engano a primeira luta que eu assisti da PWG foi de madrugada, alguma match do Super Dragon que o JB, um conhecido da época, era um tanto obcecado por e, doravante, recomendava dia sim e dia também.

 

Aquela promo do Punk que começou toda a celeuma até o Money in The Bank? Madrugada. Eu estava dormindo na minha vó, a mente já nas férias que se aproximavam. Acabei dormindo muito cedo, acordei mais cedo ainda, o que me fez ter vontade de tacar uma pedra na testa da realidade. Ao invés disso abri o Dailymotion e assisti o Raw daquela segunda para terça. 2011, se não me engano, já era um período de tempo no qual ficou um pouco mais difícil encontrar os shows inteiros para assistir no youtube, divididos em mais partes que a bíblia.

 

Bom, é isso, eu tinha um tema totalmente diferente para discutir hoje, mas como semana passada foi um texto extremamente longo e pseudo embasado essa semana eu resolvi só falar de algo mais leve. E também porque eu não consigo dormir e provavelmente continuarei assim até terminar este dito cujo.

 

Portanto meu querido, TERMINEI!

 

Até semana que vem.

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Semanalfabeto 10# – Okada vs Omega: Uma história em quatro atos (ou mais)

Ou a edição em que vou falar para caralho.

Bem-vindos a mais um Semanalfabeto.

Começou no main event do Wrestle Kingdom 11, dez horas da manhã horário de Brasília, fim de mais uma temporada na NJPW. Tal temporada marcou a ascensão de Kenny Omega como líder do Bullet Club, com um reinado como IWGP Intercontinental Title e sua vitória no G1 Climax; ali no meio também houve a coroação de Kazuchika Okada como campeão pesos pesados pela quarta vez, capitaneando cada vitória com seu infalível Rainmaker. Tudo isso nos leva ao evento principal da empresa, um Main Event de WK em que ambos foram até o limite por 46 minutos, levantando, entre kickouts e mesas quebradas, vozes através do mundo, transformando a terra, por alguns instantes, em um gigante Tokyo Dome.

Era a New Japan pisando forte no chão, levantando poeira, duas pistolas na mão e um olhar ameaçador direcionado a seus oponentes no faroeste das empresas PW. Foi o primeiro ato que, em si só, já contava uma história inteira, um tipo de luta em que ninguém sai perdendo. A partir disso todo mundo passou a olhar mais atentamente para os dois, aguardando o que viria em seguida. Era lógica uma revanche, afinal, apesar dos mais de quarenta minutos, o gosto que ficou era o de necessidade. Aquela história tinha que continuar, seria injusto que não a continuassem. Depois do primeiro fim o que viria em seguida seria passo mais forte ainda, com muito mais poeira. (mais…)

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Semanalfabeto 9# – Baixa auto-estima

Nós meio que temos esse problema, não temos?

 

Bem-vindos a mais um semanalfabeto.

 

Não tenho como afirmar quando isso começou ou qual a semente da ideia em minha cabeça que, espero sinceramente, vai florescer neste texto que você está lendo agora, mas é certo que convivo com isso a muito tempo. O foco aqui é, como de costume, luta-livre, mas em outros meios de estudo e expressão com os quais tenho ou tive contato (como filosofia, jornalismo e quadrinhos) existe sempre uma necessidade constante de reafirmação quanto a sua auto-importância perante a sociedade. Seria bom, se algumas horas não fosse muito ruim.

 

Ao contrário dos itens citados entre parênteses, o meio do wrestling, e isso é somente uma suposição minha, acaba precisando desse “gás” por não ser,muitas vezes, principalmente aqui no brasil, considerado como uma atividade válida, seja em termos de  esporte, linguagem ou até mesmo hobby. Entretanto, seria necessário uma rememoração do próprio consumidor e produtor do porquê aquilo é importante para ele? Ou seria mais uma busca de aprovação?

 

Muitas questões… muitas questões.

 

Não são raros os casos em que se vê discussões na internet sobre o Wrestling ser ou não real, algo tão incabível quanto debater sobre a realidade do cinema, do teatro, da prosa ficcional; simplesmente não precisa ser debatido, porque a resposta não é importante, é o que é. Por outro lado precisa ser discutido pois sem essa abstração fica dificil alguém respeitar ou levar a sério o que você faz, algo que, mesmo você ligando ou não, ajuda muito a impulsionar seu sonho, por mais que seu amor pela causa faça boa parte do trabalho.

 

Não tenho certezas hoje, possível leitor, então me responda você, seja lá o que eu tenha perguntado.

 

Temos um problema sério de auto-estima, precisamos sempre dizer como a luta-livre é maravilhosa, é mágica, um momento dentro dos séculos, um movimento importantíssimo de caráter social em alguns lugares, em outros de caráter cultural ou puramente entretenimento. Nossa grande qualidade. Nosso grande defeito. Falar cada vez mais ou falar cada vez menos, mais baixo, com mais assertividade. Se soubéssemos como, não haveriam as colunas semanais.

 

Mas é uma arte realmente linda, merece um ego massageado com frequência, mas sem que nos percamos em nossa própria ideia de superioridade, ao passo que não ficamos enterrados em uma espera eterna por reconhecimento. Wrestling é foda, a gente sabe que é isso, todo mundo que acompanha. Não precisamos de um narrador de UFC, dum jornal Extra, dum portal da UOL cobrindo todo dia falando as conquistas da expressão nacional.

 

Vira-se a moeda. Precisamos sim, precisamos muito! Para que projetos vejam mais e mais luz, para que o poder público incentive como esporte ou arte, para que o meio acadêmico discuta, que vire pauta, surja no horizonte como algo financeiramente viável (não sei se é, se for me avise).

Não temos hoje alvos 100, somente bordas e bordas apagadas em um grande alvo no qual qualquer coisa que se atinja é uma opção certa, por mais cretina que seja sua construção.

 

Já vou avisando que semana que vem vamos falar de Okada vs Omega IV, portanto vem aí mais punhetação e reconhecimento da mídia.

 

Por hoje eu só pergunto, enquanto você perde seu tempo comigo. Obrigado por perder seu tempo comigo, faço isso a 20 anos.

 

Até semana que vem.

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Semanalfabeto 8# – Props

Ou talvez seja a edição em que eu vou passar bastante vergonha.

Bem-vindos a mais um Semanalfabeto.

Meu primeiro contato com luta-livre foi aos três anos de idade assistindo Gigantes do Ringue com o meu vô; se eu não me engano passava na Gazeta, bem no horário em que estávamos na igreja, fato que nunca me impediu pois eu fazia meu pai sair do culto para me levar em casa (brigado pai). Depois de muitos anos passei a acompanhar a famigerada WWE no SBT e aí o amor pelo Wrestling voltou. Entretanto, não é só através TV que voltou, não foi só nesse contato  em que ocorria minha relação com a luta-livre. Existem coisas, objetos, que me lembram desse “esporte”.

A mais importante é o CD do jogo SvR 2006 (Smackdown vs Raw 2006) que pertencia a um ex-namorado da minha tia. Tinha o John Cena estampado em vermelho e o Batista em azul, foi emprestado para mim em um dia chuvoso de 2008 no qual eu estava bem doente, com febre, dor de cabeça, provavelmente dor de garganta, e desde então esse jogo me acompanha físico e emocionalmente. Sinceramente, se não fosse pelo game em questão eu não saberia a maioria dos nomes dos lutadores e nem teria me empenhado em pesquisar. Procurava conforme os personagens me interessavam, independente se fosse no modo história ou só pela jogabilidade. Lembro que a primeira luta que eu fiz DIREITO foi com o Rey Mysterio, que no jogo tinha attire branca e verde. Deu um 619 bonito demais com aquele efeito sépia tosquíssimo. Depois teve Undertaker vs Tajiri onde eu vi pela primeira vez sangue naquele DVD (e o Taker já se tornava um dos meus lutadores favoritos).

Outro jogo que me marcou muito foi o SvR 2008 que eu consegui achar na lojinha em que eu comprava todos os jogos. Conheço o dono da loja há uns bons anos e ainda vou lá de vez em quando, é uma das pessoas mais legais que eu conheço. Voltando ao jogo. Esse CD em questão tinha um bug bizarro e provavelmente só ocorreu comigo ou, se ocorreu com outros, era com outros personagens. A falha consistia em eu não conseguir jogar nem ver a entrada de certos personagens, se eu conseguia era só com a tampa do PS2 aberta; Johnny Nitro e Sabu eram os dois que eu nunca conheci a música através do jogo e se tivesse eles em alguma luta eu tinha que tirar a entrance. Bizarro.

Saindo do âmbito gamer, eu me lembro que, a partir do momento que eu voltei a acompanhar luta-livre, cadeiras de metal dobrável se tornaram um artigo extremamente interessante para mim. Uma cena muito ridícula aconteceu em um casamento que eu fui, não me lembro ao certo da época, em que todas as cadeiras eram como a que eu descrevi. Mas não deu outra, todo mundo que passava via um menino de uns 11 anos sentado em uma cadeira com outra cadeira fechada na mão como quem não quer nada. Eu juro que estava muito feliz só pela possibilidade de poder acertar alguém. Por sorte eu ainda tinha um pouco de bom-senso.

Continuando entre os mais ridículos, eu também tive a péssima mania de fazer cinturões em casa, já que eu não achava o diabo da réplica para comprar e estava (ainda está) bem acima do meu poder aquisitivo. O mais legal que eu já fiz é um com uma tampa de lata e um cinto largo. Durou muito e acho que ainda estava por aqui esses tempos antes de eu mudar de casa. Um outro que eu fiz, na época que eu estava assistindo a Road to Wrestlemania do Triple H em 2002 era uma “réplica” do World Heavyweight/WCW Title, porque assim EU TAMBÉM podia ter dois cinturões.

E, por fim, duas não tão idiotas: primeiramente a camiseta que eu comprei quando a WWE veio ao brasil e que já está tão desbotada que não se identifica nem lutador, WWE, porra nenhuma; em segundo lugar está a máscara do Rey Mysterio que eu comprei no show da WSW (sobre o qual você pode ler aqui e aqui) e que, sem sombra de dúvidas, não vale os 70 reais, mas valeu por uma foto que o Luan tirou de mim e por ver o Luan pistola quanto ao dinheiro mal gasto.

Parece bobo e até é, de certa forma, mas tudo isso tem relação fortíssima com o que me faz gostar de luta-livre e o que, acredito, faça todo mundo querer ver esse espetáculo. Um punhado de imaginação, total descompromisso com a realidade e uma liberdade total de criação que, principalmente para uma criança, mas para o adulto também, é um atrativo gigante.

Eu não sei se você tem coisas assim, que te lembram o Wrestling ou ocasiões em que ele foi importante para a sua vida, mas se tiver algum que goste muito, fale aí nos comentários. Provavelmente vão ser muito mais legais que os meus, o que não é difícil.

Infelizmente eu ainda não tenho uma cadeira de metal dobrável.

Até semana que vem.

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Semanalfabeto 7# – Review – André the Giant: Life and Legend

Não é preciso muita coisa para contar uma grande história, a não ser uma grande história em si. Sem isso você não tem nada, independente dos seus personagens, da situação maluca ou da técnica usada para transmitir aquilo. E não existe história maior que a vida real, talvez a não ser no Pro-Wrestling. Nesse âmbito se passa André the Giant: Life and Legend, escrita e desenhada por Box Brown. Sinceramente eu não conheço muito o trabalho do autor, mas já no prefácio fica visível seu amor pela arte que mistura esporte e ficção. Neste espaço ele explica como começou a gostar de Luta-Livre e, consequentemente, conheceu o gigante. “O conceito de ‘verdade’ que se tem no Wrestling profissional e certamente elástico e se conecta com a ideia do wrestler como um produto” escreve Brown em um dos parágrafos.

Como é ser vendido como um produto quando as características que lhe tornam vendável também são as características que vão te matar um dia?

Usando essa premissa, Brown conta a história de André Roussimoff, nascido em Grenoble, França, em 19 de maio de 1946. Para nós Roussimoff é André The Giant, a oitava maravilha do mundo, um gigante que pisou nos ringues é protagonizou um dos momentos mais icônicos do Wrestling nos Estados Unidos, para o bem ou para o mal. Neste gibi Brown aborda tanto carreira como vida pessoal do lutador, a convivência com a doença que lhe dava todo esse tamanho e que lhe trazia tanta dor e como isso afetava suas relações com os outros. A Acromegalia, doença supracitada, é explicada em duas páginas inteiras com pequenas intervenções textuais. De um jeito simples é nos apresentado o todo: O corpo de Roussimoff basicamente ia crescer até não conseguir mais, os órgãos não iam acompanhar e ele iria envelhecer mais rápido que o normal. Isso é mostrado com desenhos simples e precisos, característica do gibi inteiro.

Não espere de Brown um traço rebuscado e muito detalhamento. Sua anatomia é bem simplificada e ele faz um bom uso das formas e dos volumes. Os ângulos de câmera são, em sua maioria, muito simples, sempre detonando a enormidade que era André. A parte positiva é que, devido a essa simplicidade constante, ele consegue impactar nos momentos certo; a cena do body slam de Hulk Hogan em André The Giant nunca tinha me impressionado até hoje. Nesse gibi, com esse contexto e essa narração ele reassume um poder que, sinceramente, eu nunca achei que tivesse.

Esse tipo de desenho também contribui para um clima cotidiano nas situações, principalmente em um tipo de negócio em que tudo é tão escalafobético, tão gigante. As escolhas narrativas são importantes para “blocar” a história. Brown usa cartazes, revistas, mapas de viagem estilo Spielberg e a clássica legenda para mostrar local e data. O acabamento de seu traço é basicamente nanquim, sem cores e somente um tom de sombra devido ao uso da reticula cinza escura. Se por um lado a arte é boa, por outro ela torna a história um pouco desinteressante as vezes, passando rápido demais em pontos nos quais poderia se deter um pouco mais, como as relações de André com outros Wrestlers e algumas brigas. Mesmo assim essa escolha é consciente do autor, levando em conta que existe uma vida inteira para contar ali e a história tem de seguir em frente.

Como um biógrafo o desenhista não se segura e mostra aspectos importantes da personalidade de André, o consumo abusivo de álcool, os acessos de raiva, sua descontração, suas falhas, os xingamentos racistas e sua falta de contato com sua filha e a mãe dela; é possível ver também através das páginas a doçura de alguém que teve de conviver com uma existência que o tratava feito aberração, sempre com dor e com a sombra de uma morte precoce correndo atrás de alguém que vive em um ambiente de atuação física constante. Se faltam tons de cinza na arte, sobram na temática, sendo inexistente um julgamento moral por parte do autor quanto as ações de André, algo que fica a cargo do leitor.

Outro aspecto bom do gibi é o trabalho de introduzir a luta-livre como um modelo de negócios e suas características. Além da explicação de alguns jargões existirem dentro da própria história, no final da obra existe um pequeno glossário de termos, explicando coisas como babyface, heel, squash e over, conceitos que, para quem acompanha Wrestling, são claríssimos, mas podem ser confusos para alguém que não está habituado com esse universo. Dentro disso temos o trabalho de André The Giant como um lutador, seu começo na França até evoluir para uma atração mundial, o excesso de exposição (e como isso pode comprometer um lutador) e a figura de Vince McMahon Sr. como alguém que transformou um ser humano em lenda. Esse ponto é um exemplo perfeito de como funcionam as coisas no Wrestling: todas as ações do lutador devem ser pensadas para contar uma história, seja seu excesso de movimentos ou a falta deles. Essa é a mágica retratada nos ringues e que é transposta pagina a pagina nessa obra.

Life and Legend é um trabalho muito bem feito, passando por várias épocas da indústria enquanto entra fundo dentro da vida de um homem que precisa lidar com seus demônios e os demônios a sua volta, estejam eles em forma de problemas ou de pessoas; em alguns momentos ele mesmo pode ter sido um demônio dentro da vida alheia, ou um anjo, ou somente um gigante que transpôs no ringue um sonho. Box Brown tem um trabalho contundente que pode agradar tanto o fã que já conhece os lutadores como aquele que nunca viu uma luta na vida e se interessou pelo gibi mesmo assim.

Infelizmente a obra ainda não foi publicada no Brasil, mas é possível encontra-la para importação por um preço razoável.

Esse foi o Semanalfabeto dessa semana, atrasado novamente, mas eu sei que você me perdoa, querido leitor. Fique firme, até semana que vem, se possível comente ai embaixo o que você quer ler ou o que você não quer ler. Me dê uma luz, talvez eu te de um texto de nova. Seja gentil, um abraço.

 

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Semanalfabeto 6# – Como ver wrestling “mais ou menos”

Foi uma semana bem corrida e, acima de tudo, foi uma semana em que não vi quase nada de luta livre. Doravante, a edição de hoje, a qual já comecei a escrever duas vezes e não deu em nada, vai ser sobre o que eu faço quando eu quero assistir wrestling, mas não quero ASSISTIR wrestling.

Bem-vindos a mais um Semanalfabeto.

Já que é algo que faz parte do cotidiano, é quase impossível que nada de luta-livre apareça no radar, mas nenhuma das coisas que aparece é de uma substância real; nenhuma luta completa ou evento. Geralmente o que eu faço em ocasiões como essa é assistir promos no Youtube e ver compilações. Eu perco um tempo absurdo em compilações de golpes e momentos.

TOP 100 do caralho a 4; Top 70 mudanças de title; Os melhores spinebusters do Farooq (esse realmente existe, tem 5 min)

Isso é uma prática que eu alimento desde que comecei a assistir PW pois, se eu vejo algum golpe legal ou algum momento que eu não vi, é o que melhor me incentiva a procurar mais material e, no caso das indies, isso ajuda mais ainda, pois descubro algumas lutas que ocorreram e eu não fazia ideia.

Outra coisa FODA, e eu tenho a impressão que já falei disso aqui, são promos da NWA. Ric Flair, Ricky Steamboat, Terry Funk, 4 Horsemen (infelizmente sem o Mongo), Dusty Rhodes; É só o suprassumo da banana loura.

Existe outra coisa que geralmente não consumo em relação a wrestling e que essa semana resolvi ir atrás: trabalhos acadêmicos.

Existe uma quantidade considerável de trabalhos acadêmicos em português que abordam o Pro-Wrestling, seja no campo da semiótica, da linguística ou até tratando das biografias de lutadores. Baixei alguns para ler depois e, da olhada que eu dei, parecem bem interessantes. É bom, de vez em quando, tentar enxergar uma mídia que a gente consome tanto de outras formas. Tô parecendo um velho hoje, fico repetindo coisas que já falei.

Bom, acho que por hoje é isso, mais uma edição rápida com algumas dicas. Se quiserem ir atrás dessas coisas que eu falei… vão, porque procurar links com a internet daqui de casa vai ser um pouco complicado. Perdão por isso, a próxima vez que eu for falar de um assunto que exija links vou me preparar melhor.

Fiquem bem, tratem bem seus amiguinhos, sigam o PipeBomb no twitter e pensem um pouco fora das suas próprias cabeças, talvez ajude, talvez atrapalhe. Eu só quero é falar bosta.

Até semana que vem.

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Semanalfabeto 5# – Backlash 2018 e o resto da semana.

Primeiramente feliz dia das mães para você que é mãe e para vossas respectivas mães também. Vocês são fodas.

A edição dessa semana acabou atrasando um dia então eu peço que me perdoem. Tive alguns problemas de saúde misturados a preguiça, trabalhos remanescentes da faculdade e um aniversário no meio para embolar o balaio todo. Passamos disso, apesar de alguns trabalhos ainda estarem na fila.

Já que eu não podia furar a edição, vou falar só do assisti nos últimos 7 dias, sem comentar muito a fundo porque… review semanal não é algo que eu tenha habilidade para fazer. Louvado seja o Joker que tem paciência e proficiência para tal, é admirável.

Inclusive, antes de começar, leia o RPS.

Começando.

Assisti o Backlash na segunda-feira, contrariando o costume de assistir o PPV do mês juntos dos apátridas que compõem esse site. Com isso foi possível, reforçado pelos comentários do redator supracitado, constatar o seguinte: assistir PPV gravado é muito mais rápido do que ver ao vivo. A razão é até bem obvia, já que no gravado você pode pular propagandas, promos e algumas partes da luta que realmente não está acontecendo nada.

É a maneira que a empresa planejou que você consumisse o produto? Provavelmente não.

É a maneira certa de consumir? Para mim foi a menos cansativa em relação ao Wrestling; as conversas no Skype são sempre um evento bem mais divertido.

Sobre o show em si tivemos uma luta de destaque e uma quase lá, o resto foi bem descartável. O destaque foi Rollins vs Miz, luta em que ambos trabalharam de maneira sincronizada, construíram uma lesão sem entediar o público e ainda conseguiram encaixar suspense na mistura, usando seus 20 minutos de apresentação com total competência. Rollins é um campeão preciso, fez defesas de título muito boas até esta luta e, em uma brand como o Raw, na qual o Campeão principal raramente aparece, serve muito bem como title holder. The Miz foi um ótimo desafiante, fazendo com o campeão a melhor luta de seu reinado até agora; o atleta recém transferido para o Smackdown tem-se mostrado bem além de suas performances sofríveis de anos atrás, com um personagem muito sólido e de trabalho constante. Apesar da WWE tê-lo encaixado em algumas feuds longas demais, ele não saturou e seus personagens periféricos como Maryse e Miztourage eram usados muito bem. Com sua ida para a Brand azul, é provável que este se envolva com Daniel Bryan, feud a muito esperada (lembrando que Miz já está classificado para a Money in the Bank Ladder Match).

Já para Rollins o caminho parece ser mesmo o do Intercontinental Championship, uma vez que os planos para a Shield morreram com a lesão de Dean Ambrose e, espero muito por isso, a WWE não volte com aquela merda de feud contra o Jason Jordan quando este voltar aos ringues.

A luta quase lá foi AJ Styles vs Shinsuke Nakamura pelo título da WWE.

Já é a terceira luta em que se enfrentam sob a marca da WWE e até agora somente uma dessas lutas teve uma decisão propriamente dita: Wrestlemania 34 onde AJ bateu Nakamura e reteve seu título. De lá para cá Nakamura foi um heel um tanto hábil, AJ passou a ser um face com uma crescente “sede de vingança” e isso ocasionou nas duas lutas com final aberto, uma por double count-out e outra por no contest. As lutas, apesar de boas, acabam quando a coisa parece que vai engrenar. Pode ser uma jogada esperta da WWE para levar a uma última luta grandiosa no Main Event de algum PPV futuro; também pode ser um puta tiro no pé, tornando o enfrentamento, tão aclamado pelos fãs, em uma luta extremamente saturada que não conseguiu chegar ao ápice que foi o Wrestle Kingdom 10.

O resto do PPV foi chato, apesar de, em algumas lutas, ter havido bastante esforço por parte dos participantes. Os segments também não foram nada além do aceitável.

No mais essa semana eu assisti a reprise do Smackdown através do Main Event. Veja só que deplorável. Além de ficar surpreso com a derrota do Bryan para o Rusev de forma limpa, também assisti Charlotte vs Peyton Royce que foi bem legal e, no Main Event em si (não o show principal, mas sim o show… principal) tivemos Zack Ryder vs Curt Hawkins.

Não prestei atenção, mas pelo que lembro o Ryder penou pra vencer o Hawkins. Esses puxa-sacos do Edge…

Antes de começar a escrever isso aqui o Luan me falou uma contagem de palavras para preencher, mas eu não lembro, então vamos ficar com essa que temos agora.

Tenham uma boa semana, sejam bonzinhos um com os outros. Pesquisem, aprendam, leiam muito, assistam muito, falem pouca merda e escutem pouca merda. Até semana que vem.

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