Da Boca Pra Fora – Strokes: Is This It

Eu sinto muitíssimo por gostar dessa banda e você, meu caro leitor, se tivesse bom senso, também sentiria. Mas, já que está aqui, é claro que não tem bom senso e devo dizer que lhe sigo nesta característica. A verdade é que eu menti no começo do texto, mas não completamente.
Eu gosto de Strokes o suficiente para dizer o quanto o show deles no Lollapalooza 2017, mesmo sendo uma completa merda, me deixou extremamente feliz, mas não o suficiente para achar o show bom ou passar pelas falhas da banda ou de seu vocalista.
Acredito que hoje cheguei a um meio termo. Este se encontra no limiar da discografia da banda Nova Iorquina, que terá aqui seu primeiro review de cabo a rabo feito totalmente por mim.
Veja só, você que lê, isto é inédito em toda internet, simplesmente por ser eu que escrevo – sejamos francos, a não ser pelo inédito, isto não vale de porra nenhuma – e espero que isso já o deixe ai quietinho pelos próximos page downs.
Você quer mais informações sobre a banda? Este é o link para a Wikipédia. O que você precisa saber aqui é que eles tem um vocalista que é um cuzão chato do caralho e que as músicas não falam inteiramente sobre porra nenhuma, apesar de possuir ressonância, por serem tão genéricas, com qualquer pessoa. Va lá, TALVEZ. Isso não é bem uma garantia.
Enfim, vamos ao primeiro álbum: IS THIS IT

O álbum de estréia dos meninos brancos e medianamente ricos é tão simples quanto uma passada de mão no saco. Todas as músicas são tematicamente niveladas em algo na linha de “estou falando com a minha ou o meu namoradx/esposx/ex sobre drogas, separação ou… polícia de Nova York, que se enquadra nas drogas, acho” e nada é musicalmente complexo demais para fazer você ficar incomodado.
Eu juro pelos ossos do meu ouvido que isso não é uma reclamação. Is this It era exatamente o que o imbecil de 14 anos conhecido como Alex precisava ouvir na época, quando preocupações gigantes vinham com coisas pequenas, a morte de nenhum parente próximo tinha ocorrido e a minha não era uma expectativa.
Bom, vê-se aqui que eu tive uma vida fácil e isso corrobora com o álbum. Nada na música dos Strokes denota uma vida difícil ou uma realidade fantástica. Trabalhamos aqui no terreno do mediano e, para este álbum, ele se encontra no terreno do perfeito.
Desde a primeira faixa, claramente intitulada “Is this It”, vemos uma mixagem boa, mas nem tanto, um vocal simplão, uma guitarra meio nem ai pra porra nenhuma e isso segue pelo resto do disco.
É engraçado ver como isso foi considerado a salvação do Rock que, de maneira alguma, precisa ser salvo. Sabe por quê? Porque o Rock tem mais é que se fuder.
Não acredito, nesta mesma medida, que o primeiro álbum dos Strokes, se pudesse falar, discordaria de mim. Na verdade ele fala e parece não ligar muito para a morte de nada ou os problemas que ultrapassem sua linha de visão. Ele está lá, existe e, se você gostar dele, pode sentar na roda de amiguinhos. Caso não goste, não precisa reclamar, ta tudo certo, fique no seu canto e conviveremos em paz.
É basicamente este o tipo de atitude que músicas como Barely Legal, Soma e When it Started passam. Algo na linha de uma conversa quotidiana irreal que nós vemos nos filmes. Casablancas é o nosso bêbado bosta padrão, tipo um Bukowski só que sem ser um ser humano desprezível e passa os quarenta minutos do disco tentando simplesmente falar.
Eu não tenho o direito de reclamar de nenhum desses minutos. Ouvir Strokes pela primeira vez foi interessante porque não foi com esse disco. Eu conheci ele depois, por insistência, de todas as pessoas desse mundo, de mamãe. Minha progenitora já era fã de Last Nite há um tempo e sempre falava para eu, ABRE ASPAS ~tirar a música no violão ~ – o que pode ser lido aqui como pegar uma cifra na internet e punhetar em cima.
E, como um adolescente de quatorze anos que não sabe tocar, Is this It é um álbum que simplesmente não liga para uma época da vida que esse tipo de direito existe. Me lembra também minha mãe, a primeira vinda da WWE ao Brasil e uma amiga com a qual eu não tenho mais contato chamada Isabela, pessoa que me apresentou DE VERDADE a banda.
Ou seja, ela é a culpada desse texto. Qualquer reclamação é com ela, seja lá onde estiver.
Dentre as faixas apresentadas, Hard to Explain é minha favorita por uma caralhada de motivos que envolvem as pessoas supracitadas. Mas existe um pouco de sorriso em cada uma das músicas, um pedaço da gente que acabou indo embora e que ainda está gravado nas playlists de youtube e shows de banda covers claramente ruins. É importante que esse álbum existe porque, as vezes, música só precisa ser simples e medíocre, porque, pedir demais da vida cansa.

 

PS: Este cover feito pela Jeniffer Lo-Fi em 2010 é bom demais para o mundo não conhecer.

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