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Semanalfabeto 2# – Dias de um arquivo esquecido.

1H40 AM

Está frio e existem duas possibilidades: ou eu estou com catapora ou eu tenho uma alergia admirável a oxigênio, porque não existe pernilongo suficiente na terra para fazer um ataque soviético desses.

É a punição dos piratas.

Bem-Vindos, essa edição é um oferecimento XWT: Tudo o que você conseguir baixar, principalmente se for Free-Leech. É incrível a quantidade de merdas que a gente guarda pensando que vai assistir um dia e acaba esquecendo que existe. Pelo menos até criar um quadro teoricamente semanal. Vamos aos arquivos empoeirados!

Primeira coisa que me salta aos olhos na pasta de esquecidos é um arquivo chamado “ECW – The Best of ECW PPV”. Parece bom, não? Eu adoro ECW, é foda para ca– Não abriu…

Droga. PRÓXIMO!

Uma pasta: Claudio Castagnoli European Matches; vamos ver o que ela nos reserva.

01h51 AM

Swiss Money Holding vs Murat Bosporus & G-Ses wXw Fight Club – 29/11/2003

Dos comentários eu só entendo duas palavras (te perdoo): God e Jesus. Demora um tempo até eu entender que estão falando G-Ses e não evocando Cristo. Por falar em cabelos longos, Claudio “Cesaro” Castagnoli parecia pronto para um show do Faith No More em 1997, cabelo de Mike Patton incluso; também poderia entrar pra Right to censor.

A federação tem duas câmeras e iluminação de puteiro.

Swiss Money Holding faz bons golpes, tanto individuais quanto em tag. O parceiro do Castagnoli fez uns gracejos aqui e eu já pausei três vezes para ir fazer outra coisa, o que não é um bom sinal. O público de 2003 também não parece lá muito interessado. Um detalhe interessante é que nessa época ainda era permitido fumar em local fechado, doravante, gente fumando!

Por falar em fumar, eu estou me coçando tanto que começo a suspeitar de abstinência de crack.

Tem alguma coisa escrita numa faixa gigante ao fundo do salão. Segundo as vistas desse interlocutor astigmata é possível enxergar: “The wolrd sucks, just need westside” (O mundo é uma bosta, só precisa do lado oeste). Bom, meu amiguinho que escreveu a faixa, antes que eu me esqueça, vá a merda.

HOT TAG! Murat Bosporus é o homem do hot tag! Um tempo depois, chega o final, muito do merda inclusive. Batem no juiz, rola uma “caixada” (não pergunte) errada que na verdade foi certa, um negócio meio overbooked (What Culture ficaria orgulhosa). Cesaro do passado levou a vitória para casa e deixou um grande questionamento, que irá ecoar pelas paredes do espaço tempo: Porque caralhas eu vou manter essa pasta salva no meu computador? Sinceramente, não parece ter nada melhor que isso aqui dentro dela não.

Prosseguindo.

Abri um arquivo chamado Battle Royal at Royal Albert Hall. Não sei do que se trata, aparentemente um evento da WWF no Reino Unido. Tem uma luta do Ric Flair e eu vou assistir porque, né? Ric Flair. O homem que foi declarado pelo Killer Mike como único campeão mundial de pesos-pesados e, por conta disso, é o único e verdadeiro campeão mundial de pesos-pesados.

02h31 AM

Tito Santana vs Ric Flair

O announcer acaba de dizer “O auto-proclamado VERDADEIRO campeão mundial”. O importante é o cinturão na cintura do Nate: o NWA Title, aquele dourado que sobreviveu até o reinado do Lesnar em 2013. Um dos títulos mais bonitos do PW, junto com o Eagle da WWF.

– WOOOOO!

– Não exagera, cara.

– Desculpa, eu me empolgo um pouco.

– Problema seu, irmão…. Ah lá o Flair apanhando.

– Flair tem talento até pra apanhar!

– Puxa saco.

Flair é excelente, faz qualquer oponente parecer grande.

Acho que catapora não incha, talvez seja só alergia mesmo, mas a que?!

Santana está trabalhando na perna esquerda de Flair. Começo a pensar se aquela luz de puteiro não cairia bem nesse ginásio maior…. Mas me parece tarde demais para isso.

Me distrai um pouco aqui e depois de algumas tentativas de pin roubados o Flair travou no Figure-Four. Santana está resistindo bem! Flair continua interagindo com o juiz, berrando, aquele show todo. Depois veio aquele reversal do Figure 4 que não faz o mínimo sentido.

Ric foi jogado da Top-Rope, um clássico, vai ganhar. É como sangrar um lutador Hardcore no Smackdown vs Raw 2008: ele ganha um finisher só por tomar esse golpe.

Acabou! Flair ganhou em um Roll-Up, aquele roubadinho, a segurada na sunga, saca?

A luta é melhor do que eu esperava. Ta me batendo um sono, portanto amanhã eu continuo. Muita coceira para ficar acordado, muita coceira para dormir.

04h21 AM

Se um saco de bosta tivesse alergias, ele seria eu. Pelo menos foi o que minha tia disse. Não, ela não disse que eu sou um saco de bosta, mas sim que as manchas devem ser alergia e não catapora.

O saco de bosta é minha autoria, espero que ela não concorde. Vamos prosseguir com os trabalhos, já que dormir se tornou obsoleto.

S.L.A.M Force

Além de vídeo temos também alguns arquivos em CBR, dentre eles um chamado S.L.A.M Force. A capa já é uma sacanagem, um fundo de foto tratada no photoshop e o que deveriam ser os Wrestlers da WCW, mas em versões Image. E não se engane, essa edição é de 2000, a febre da Image já havia passado há uns bons três anos.

Já no primeiro recorda tório temos “Cover Strike Force”. Beijos Wild C.a.t.s, papai ama vocês, viu?

Continuando na página um é necessário salientar O QUANTO ISSO É UM PRODUTO DOS ANOS 90. É um time paramilitar composto por:

  1. Um integrante metálico;
  2. Um integrante de asas;
  3. Um arqueiro;
  4. Alguém com garras metálicas
  5. Goldberg

A edição possui apenas algumas páginas e conta a história de um grupo de heróis enviado para recuperar o corpo do elo perdido entre o neandertal e o ser humano, o que Goldberg, realmente um gênio incontestável, chama de “a descoberta da nossa era”.

Ah, além do careca temos nesse time Bret Hart, Sting, Kevin Nash e … alguém. Desculpe, não consegui reconhece-lo, vou chamar de Austregésilo.

A história se desenrola em basicamente páginas de porrada com narrações que não se decidem entre um Chris Claremont ou um Sid Moreira. Diferente de sua contra parte “Young Blood”, o arco de Bret Hart pelo menos tem uma corda. Sting porta sua “Scorpion Sword”, era soturno, Neil Gaimaniano de quinta. Goldberg e Austregésilo tem luvas com poderes e, para ser a melhor coisa logo abaixo da Petrobrás, Kevin Nash tem um trabuco e algumas piadas.

Kevin Nash. Alivio cômico. Nada pode ser tão deprimente quando o homem do adjetivo “jogar” fazendo graça enquanto parte para o campo de batalha em roupas nada funcionais cheias de bolsos.

O time artístico é composto por Ruben Diaz e Bill Rosemann no roteiro, Michael Ryan na arte, aparentemente as cores e letras foram creditadas a softwares pois eu me recuso a acreditar que isso sejam nomes humanos, o Mike Stewart é o editor que aprovou essa beleza e o Bob Harras é o editor chefe que aparentemente havia perdido completamente o bom senso. Nunca confie em alguém que briga com o John Romita Jr.

Estaria uma pergunta flutuando pelo seu telencéfalo desenvolvido? Se for o caso, nem se incomode, eu respondo: Foram necessários DOIS roteiristas para escrever algo do tipo “eu estou muito ocupado e esses jobbers não desistem”.

Durma com um barulho desses Warren Ellis.

04H54 AM.

Meus braços estão coçando menos, torçam por mim. Até semana que vem.

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