maskaras luchadores

Meu primeiro clothesline

Este texto foi publicado originalmente em minha Newsletter Semanalfabeto, no dia 20 de Setembro de 2019

 

Sim, querido leitor, eu apliquei E recebi meu primeiro clothesline oficial na vida. Para aquele que não sabe, este golpe – também conhecido como braçada ou lariato – é aplicado no peito do oponente e, em suma, joga o adversário no chão com uma porrada. Devido a presença de um amigo e um ringue da BWF no CERET do Tatuapé em um dia de Rugby, eu pude ter minha experiência com o Wrestling.

É preciso admitir, e eu o faço sem qualquer vergonha: Tocar aquelas cordas, sentir a lona embaixo dos pés e estar na altura do tablado, ouvindo a madeira rangendo naquele olimpo é completamente apaixonante. Eu não sei o nome dos lutadores que me ensinaram a cambalhota para frente, para trás, nem os rolamentos dos ombros. Mesmo assim, eu serei, mesmo que em um espaço diminuto, eternamente grato por deixar o Alex de 12 anos viver de novo.

Aquele Alex, que de longe não é o que lhe escreve hoje, meu selector, queria viver e queria viver pelo Wrestling. Ele sabia que não era possível, mas sua mente vagava. Dentro de espaços e apertos ele vivia o sonho de ser forte e capaz de derrubar alguém, de limpar os pés antes de entrar no chão sagrado e cercado.

Pois pode ter sido meu eu de 21 anos que agarrou as cordas para subir no palanque de tantas pelejas, mas certamente foi o Lequinho de outrora que limpou os pés e passou por entre a segunda e terceira corda daquele ringue.

Quanto ao golpe, é fácil e apaixonante. EU primeiro precisei aprender todos os meandros de como cair e é fato que o BUMP não é tão fácil de fazer quanto parece. É preciso uma quantidade de prática para jogar os pés tão alto e bater somente os ombros no chão; vale o adendo que eu acabara de passar por um jogo de Rugby, então estava muito cansado e um tanto quanto machucado.

Mesmo assim, me deram o impulso e eu fui. Quando o braço bateu em meu peito, na linha entre verdade e mentira, eu fui ao chão mais real possível. O barulho de madeira explodiu e eu ouvi um público fictício.

Não vendi o golpe e levantei logo. As coisas perdem a magia conforme ganham aperfeiçoamento e repetição. Para mim, aquela única vez foi minha Wrestlemania.

Logo, eu pude aplicar e fingi que realmente podia fazer o que fazia. Acreditando, eu fiz. Eu apliquei um Clothesline e levei alguém ao chão. O meu dia de atividades físicas acabou ali, mas a memória da minha five star diminuta se repete na minha cabeça como mais uma felicidade daquele dia.

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