Realidade através da Catarse


Humanos tem a tendência a passar boa parte da vida sem ter ciência do momento presente, sem entender a fábrica de matéria que está ao seu redor ou aquietar sua mente para conseguir senti-lá. Isso são dados que eu, claramente, acabei de tirar do cu, mas que ajudarão a explicar meu ponto aqui nesse texto e a razão pela qual eu venho tão apressadamente ao teclado falar sobre catarse.

Wrestling, de uma forma ou outra, nos faz encontrar essa realidade, com detalhes de sons, luzes, ventos, nortes e gritos, todos os dias que nós nos deixamos levar por ele. É possível que você não conheça como a parede do seu quarto fica bonita se você encostar a cabeça no batente, mas assistindo com frequência, você vai reconhecer de longe qual é o clima da arena onde acontecem os Shows da PWG e porque eles são diferentes dos da Progress, ou porque os shows do Pancrase de dão outro tipo de Vibe que a Dragon Gate não dá.

Estamos vivos nessas conexões através da tela e quem pode dizer que isso não é real? Mesmo que no final, na seja, de uma forma ou de outra.

 

FOTO DA CAPA: Devin Yalkin – NYT

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Melhor Wrestling do Mundo?

Eu falei que nós iamos voltar nesse assunto, não? Então

Rollins, aquele rapaz que carrega uma cinta vermelha, já teve mexas na cabeça, aposentou o Sting e fudeu o joelho carregando um velho, falou, como mostramos aqui ontem, que a WWE tem o melhor Wrestling do mundo. Não dos EUA, do estado, do seu metro quadrado.

DO PLANETA TERRA GLOBAL REDONDO DA GALÁXIA DE NOSSA SENHORA DERCY GONÇALVES.

Entretanto, como seria possível classificar, de maneira tão clara, qual companhia tem o melhor Wrestling do mundo? Seria, para mim, o mesmo que dizer que a Fox Searchlight produz e distribui os melhores filmes do mundo. Ela realmente financia e coloca seu selo em algumas produções muito importantes, mas não seria a frequência que ajudou a trazer essa qualidade?

Quando você tenta muito, a quantidade de merda é gigante, mas acabam saindo alguns milhos também. O que podemos concluir quanto a fala do campeão universal é que ele somente enxerga os pequenos grãos de milho não digeridos dentro da pasta fecal que a empresa vital despeja dentro de nossos aparelhos privada toda segunda, terça e, eventualmente, domingo.

Mas não só de dois DÁBRIUS e um Ê se vive. Logo, veremos o que mais podemos colocar como MELHOR WRESTLING DO MUNDO. A AEW já levantou ali no fundo e eu devo dizer OH NO NOT A WAY SIR para vossa merce.

A empresa, sem dúvida, tem um roster com potencial invejável e muita gasolina para queimar nesse caminhão da desgraça que CODY pilota com as mãos de seu ego. Mas dois shows não fazem você ter o melhor PW da terra.

NJPW pode se candidatar, mas ela, apesar de ter lutas individuais muito bem construídas, acaba sempre pecando em algumas storylines de tag, tem young lions muito fracos, fillers desnecessários e… bom… Toru Yano.

A Dragon Gate é sem dúvida outra ótima empresa, com lutadores muito habilidosos, rápidos e de potencial invejável. Mas, assistindo os shows, eu vejo muito pecados quanto a narrativa pós luta e a maneira que as invasões, ataques e segments desenolvem-se. A narrativa dentro de luta acontece de maneira primorosa, mas fora do espaço entre os gongos as coisas ficam muito sem efeito.

Não que isso manche a imagem da empresa, de maneira alguma, continua sendo ótimo dentro do que ela promete entregar. Se fosse diferente é provável que algo ficaria comprometido.

GCW tem seus eventos esporádicos e específicos e apresenta produtos fechados maravilhosos, dando oportunidade criativa para Wrestlers anteriormente desconhecidos brilharem.

PWG é somente o ouro mais brilhante que o garimpeiro encontrou no rio. Nada abaixo do excelente.

CZW, apesar da atual chatice, já foi a casa do novo e instigante.

Isso porque eu ainda nem entrei na gra mary betania e na Alemanha. Tal nós leva a um único fim, que é admitir tal questão como impossível de se resolver de maneira impessoal. O melhor Wrestling do mundo seria aquele que te agrada e que atende a um padrão minimamente decente de habilidade e coerência dentro da proposta. Lógico que você pode achar uma empresa terrível a nova batata recheada de Blumenau, mas isso só te atesta como um idiota cego.

E infelizmente, idiotas cegos não se enxergam, mesmo sob os holofotes da maior empresa de PW do mundo.

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Ninguem faz como a WWE faz

Por um lado, precisamos admitir, Seth Rollins tem razão.

Para aqueles desinformados, o contexto é que o atual Universal Champion entrou em uma batalha através do twitter nas últimas semanas para defender e enaltecer a empresa da qual ele agora é uma das faces.

Como eu disse, ele tem um ponto, mas talvez não seja o que ele pensa. Porque as coisas que a WWE faz é difícil ver qualquer outra empresa de Wrestling replicar. Por exemplo, as empresas não saem por ai fazendo shows multimilionários para apoiar o regime saudita. Talvez seja porque ninguém nunca ofereceu? Talvez.

Mas, mesmo assim, isso são coisas que só uncle Vince traz para nós. Por falar em Uncle, é difícil ver uma federação quase matar um velho e trazê-lo para lutar menos de um mês depois. Bom, tirando o PCO.

Mesmo que existam similaridades, ninguém faz como a WWE faz, daquele jeito gostosinho, escancarando sua cara megalomaníaca multimilionária de empresa sem escrúpulos e sem precedentes. Até porque ela aparentemente também tem a habilidade de transformar pessoas medianamentes gente boa em cuzões chatos e corporativista.

Quanto a isso, Seth Rollins tem total razão.

Agora WRESTLING é um assunto que vamos discutir amanhã

 

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WRESTLING NOIR – Escrito em Tábuas de Ouro

O universo que você vai entrar agora, apesar de se passar em São Paulo, é totalmente fictício. Sua época passada não é tão passada assim, apesar do ano e os lugares que você irá frequentar nessa narrativa são parcial ou completamente inventados, assim como seus personagens. Eu vi isso uma vez em um livro do Dennis Lehane e resolvi copiar. Boa leitura. 

Arte da Capa: Luan Bonato

Dentro das sombras escuras e luzes vermelhas, ficava cada vez mais aparente que os animais capazes de sobreviver dentro do clube Sucubus tinham sangue frio e muito pouco abaixo dos músculos. Al, por exemplo, se considerava alguém que sobreviveria sem o coração, rodando em algum tipo de amuleto xamãnico que o sustentaria de energia e bombearia seiva, sustentando aquele cérebro quieto e aqueles músculos mortos.

Levantou alguém como um saco de palha e mostrou para as pessoas como se fosse ouro. No meio do ringue ele podia olhar tudo sem ver indivíduos. Mas naquele dia, como o Bode Carniceiro sustentado acima de sua cabeça, viu a irmã de Rafael sentada em uma mesa central. Aquela mesa era muito cara para suas finanças e muito chique para seu tipo de gente.

Seu tipo de gente pensou consigo, soltando o oponente no meio do tablado com um movimento automático. Esse era o problema em ver rostos: eles contam histórias e os únicos narradores permitidos ali eram eles dois.

Aquela frase, entretanto, ecoou até o número de abertura deles acabar. Eram o segundo combate da noite, primeiro individual e conseguiram distrair quatro ou cinco que não estavam ocupados comprando cerveja no bar. Não que os outros vinte prestariam atenção em Al Simmons, o Arcano XXII. Era só um ato e, com trabalho, poderia se tornar um dos bons – ou pelo menos era o que Al tentava convencer a dona do “clube”. Mesmo assim, trabalhando com gente daquela estirpe como o Bode, ficava um tanto difícil.

Quando saiu do ringue já estava envolto em sombras, a pernas abaixo da sunga em estado febril, a bota pequena abrindo caminho entre homens de terno, mulheres de vestido e variações dessa vestimenta em tamanhos e quantidades reduzidas.

Rafael morreu na noite de 26 de Dezembro, dois anos atrás.

Era um menino de 16 anos que bebia o seu peso em cachaça e apanhava o dobro na rua, que era lucro pois em casa a sova era o dobro do triplo. Al ainda lembrava de como era leve alçar Rafael e como ele escapava com naturalidade das mãos. Vinte e seis de dezembro era uma terça-feira naquele ano, semana corrida, mas sem treino.

Como usava somente sunga, bota e protetor bucal, para Simmons não foi difícil se vestir. Distraiu-se um pouco, fazendo uma busca rápida de olhos, mas não pode encontrar ali o par devido. Vestiu-se de calça de moletom, puxando até a costela. A camiseta branca era grossa, quase feita de lona e pesava mais do que o aparente. O cabelo já molhado e perdendo gel parecia ranço. As botas ele usava as mesma, sentindo três cicatrizes na altura do calcanhar.

Saiu do frio backstage sem trocar uma palavra. O silêncio de sua mente calou o barulho dos futuros números; mesmo assim, não foi tão difícil pois muito dos principais ainda estavam no escritório da sucursal, ali no centro da cidade, perto das avenidas. No clube Sucubus ficavam, de começo, só as garçonetes, as servideiras e os atos de abertura. Era o que bastava para seus “passarinhos curiosos” ficarem na jaula de começo, dizia a boca rubra cheirando a sangue.

Saindo para fora dos bancos de madeira podre iluminados por luz amarela e dos armários enferrujados, Al adentrou o clube. Um contra-baixo dava o pulso, uma guitarra gemia ao fundo, esfaqueada por dedos cortados de um ex-funileiro que devia drogas. O baterista era seu marido e ficava ali para garantir que o esposo pagaria a divida sem dobra-la.

O cheiro era arrebatador, misturando sexo, álcool e vontade. Precisaria um caminhão de santas para purificar aquele lugar e o dobro de putas para torná-lo respeitável.

Então os rostos se tornaram mais convincentes, humanos. O ringue se revelou em uma parte porcamente iluminada ressoando madeira e física. Os copos iam e vinham. O bafo de queima que a cozinha exalava estava próximo de um matadouro – o que não era raro, suspeitava o lutador.

Então aquela figura musculosa e baixa viu-a solitária na mesa, olhos fermentando tudo, tentando criar vida naquela matéria que se decompunha pessoa a pessoa a frente dela.

Al só pode se sentar.

Olharam-se em silêncio. Rute tinha duas tatuagens, uma abaixo do olho esquerdo e uma acima do olho direito. Fora isso não possuía marcas. A pele era vermelha, erguida de uma terra de pedras. O cabelo branco não refletia luz e estava preso. Pesava o dobro do irmão, era forte e larga, viva, apesar do fato de estar e isso já ser motivo para não ser.

O lutador mal pode perceber o sinal e um copo já estava a sua frente. Bebeu sem perguntar, pois não estava pagando e não queria realmente saber, mesmo que fosse, de fato, curioso. Ela lhe empurrou um ponto, ele colocou no ouvido. Ela passou a língua nos dentes. O ponto era de ouro e possuía a marca do clube, nunca dado a lutadores, somente membros da diretoria que, certamente, não ligavam muito para aqueles atos de abertura com o qual Rute tinha ligação mínima. Um maço de dinheiro caiu na mesa e ela saiu, Al veio atrás.

A noite já avançava, vermelha e embaçada, água entrando abaixo da pele trazendo a profecia da chuva de amanhã como um João Batista cuja cabeça ficará acima do pescoço e dos céus. Rute falou primeiro enquanto caminhava lado a lado sem se olhar.

“Isso estava atrás do olho do meu irmão, colado nos olhos soltos dele. Eu vi antes dos Milicos aparecerem, foi fácil de tirar, apesar de ser quem era. Ele não ia se importar sabe?”

“O clube é um lugar caro”, mas era difícil ouvir Al falando para dentro. Ela somente o olhou, a cabeça em ângulo de interrogação.

“O clube, eu digo, é caro para entrar se você não trabalha aqui e, se você trabalha aqui, você não pode sair sentando nas mesas esse horário”

“Para gente do nosso tipo é só os restos, eu lembro. Gente sem brilho no olhar, sem fogo. É isso que você é, Al? É isso que meu irmão achava?”

“Não, mas o que ele achava não importa, na verdade–” e então ela o parou e arrancou o ponto da mão dele.

“1955, vinte anos atrás, um velho de nome Adamastor morreu em um acidente de carro nas recém construidas rodovias. Minha mãe leu no jornal, várias e várias vezes, com sua mania de grandeza, sobre como aquele homem era importante, rico, eloquente e sem sobrenome. SEM SOBRENOME veja só se pode? E rico assim?

Não era possível, mas era real, como várias coisas. Então ela guardou em seu diário do extraordinário. Quando ela morreu, graças a Deus, o Rafa guardou aquilo. Diziam que aquele homem tinha brilho no olhar. E ele procurou todos que tinham brilho no olhar. Adamastor é um dos fundadores do Clube Sucubus junto com a Dama. Adamastor estava atrás dos olhos do meu irmão quando ele foi baleado.”

Al sentia o vento levarem as palavras da menina. Era muito jovem para desafiar o vento com o peso de sua bravura. Não podia ter tamanha coragem com tão pouca idade. Muitos ouviam naquela época, principalmente a essas horas. O fusca ronda, ronda e ronda, assim como Satã, carregando sua cesta de boas intenções.

Al só pode pensar no peso de Rafa e a felicidade nos olhos que, enfim, se tornavam fontes quando ele colocava sua mascara. E Simmons, inconsciente, não se deixava ser amigo, não era possível dentro de si. O problema é que por Rafa não nutriu ódio. Rafa era um bom ato, era uma boa escada. Ela leve e aprendia rápido os espaços nos quais o ringue funcionava. Falava muito, mas ouvia o dobro; gostava do treinador, mas não muito, o suficiente para ter o mediano respeito que Al dava.

Quando morreu, o lutador foi até o local três dias depois e conversou com um porteiro para confirmar. Duas traduções depois recebeu o relato completo do crime e um café passado na hora.

Sua irmã conheceu de longe, ouvindo as conversas de ambos quando ela ia buscar, vendo as marcas em seu rosto e um relato distante do pai vivo e da mãe morta, nenhum melhor que o outro. Vieram do sul no trem, trazendo falsa honraria e marcas. Os filhos eram vermelhos como a terra, os pais, nem tanto, só quando a raiva os aplacava, o que não era raro. Al nunca se meteu; de fato, ninguém do clube, inclusive. “Não é da nossa conta se não ta na tabuleta” era o mantra comum.

Mas ali estava Rute, escrevendo a ouro na tabuleta, manchando com o sangue do irmão a noite já vermelha. Infelizmente, para ela, Al ligava para poucas coisas no ringue e seu irmão, por azar, estava no quadrado errado, pois no seu havia concreto e não cordas.

“Seu irmão roubou um ponto de ouro e agora ele morreu” e deu de ombros “não sei porque isso me rendeu conhaque e uma companhia para a casa, mas se não for incomodo, eu prefiro seguir sozinho”

“Ei, EI!” disse segurando pelo braço o pequeno casco de gente na madrugada “Você era amigo dele não? VOCÊ ensinou ele as regras do clube e as coisas do ringue! Deve ter alguma coisa”

“Não, eu só precisava de alguém novo e ele tava lá” disse em mono tom, olhando fundo nos olhos da menina que, percebia agora, não devia ter mais de 20. “Eu nunca odiei seu irmão.”

O amargo dentro da boca de Rute não estava em nenhuma tradução da bíblia e nem o veneno das pragas do Egito antes dela poderia ser tão ruim. Sentiu-se sozinha e viu músculo em cima de músculo, um pequeno homem curvado de branco sair andando através de São Paulo. Olhou para o ponto de ouro na mão, passou a mão e viu um pouco de sangue. Então sentiu frio.

 

Rute, sobrenome desconhecido, foi encontrada morta abaixo do viaduto. Na manhã seguinte não havia manchas sobre a passarela na qual andara e seu corpo estava tão frio e conservado quanto um boneco de loja. Seus cabelos brancos, entretanto, ficaram um pouco manchados e sua pele foi eternamente vermelha, enterrada perto do irmão em um cemitério comum e sem lápide.

 

 

O clube era fumaça e luz. Al enlaçou Bill Cabeludo pela cintura e o plantou de peito no chão, caindo em cima das costas e rapidamente rolando para seus pés. A luta acabou logo em seguida, com Al vitorioso e alguns aplausos. A porta do vestiário não se abriu para ele, somente uma mão com uma toalha branca e um aviso: “A dama te espera acima do mesanino”

Não no centro pensou consigo, sentindo a falta de importância que tinha. Subiu as escadas acima das escadas e foi parar em um sótão com cheiro de carvalho e calor. O sabor no ar era de pecado antigo, romano. Havia vento, mas não tinham aberturas ali. A luz era amarela e forte, vindo de lâmpadas do século passado ou de um futuro irreconhecível e tacanho. A dama usava uma jaqueta roxa, sua cabeça raspada carregava um óculos redondo e um cigarro era manchado por sua boca vermelha.

 

Foram deixados sozinhos em uma sala com uma mesa, duas cadeiras, um cofre e uma garrafa de pinga.

 

“Eu não me lembrava de você, Al. Foi estranho ouvir um nome que meus ouvidos não sabiam que sabiam. Eles gostam de saber e talvez devessem conhecer o seu. Contudo, não ouviram muito lá embaixo não é”

 

Al encarava a parede de madeira atrás dela, transformando-a em um borrão curvo

 

“Falta material”

 

“Sempre falta e, ainda assim, é tudo o que a gente tem nesse mundo. Não falta matéria, mas méta-matéria. Estranho o Arcano XXII não ter nem um pouco de magia. Sabe, Al, não se pode roubar o brilho nos olhos, ele deve ser conquistado acima da terra.” E lhe sorriu com todos os trabalhos do diabo, carregando um em cada dente.

 

Ela mordeu a boca e saiu sangue. Manejando seu rosto, deixou que uma gota pingasse na mesa. Depois coloriu seus lábios.

 

“Depois de três anos Al. É isso né? Bom, depois de três anos, bem vindo ao Sucubus, acho que esta na hora de nós te darmos um novo tipo de visão.”

 

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Video Jogos

Grande parte do que me faz ser fã de Wrstling hoje em dia não foi inventada somente por Vince O’Mac e um bando de escritores em uma sala cheirando a porra, cigarro e Whisky. Elas foram criadas por pessoas especializadas em jogos, escritores que pensaram nas histórias que seriam divertidas de viver se tudo aquilo fosse real. Alguns outros aspectos foram inventados por mim, um aperto de botão por vez, onde tudo o que acontecia tinha uma razão dentro de um contexto que só eu conhecia, um mundo de vídeo jogos onde pixel viravam ação e números faziam arte.

A primeira vez que eu joguei Smackdown vs Raw 2006 eu estava com febre. Foi um dos melhores dias da minha vida.

Desde então eu tenho muito apreço pelos jogos que tentam retratar a luta livre de uma forma divertida, capturando, nem que seja por alguns instantes, a energia e vitalidade que faz desse esporte algo completamente diferente de tudo que nós temos e, ainda assim, algo que pode ser familiar a qualquer um.

Uma das minhas primeiras lutas foi Tajiri contra Undertaker e cara eu fiz nosso amigo nipônico sangrar feito um filho da puta. Ainda mais depois que eu peguei o jeito dos finishers? Rapaz aquilo foi uma festa. Um tempo depois, na loja do senhor que me vendia jogos de PS2 eu vi o Smackdown vs Raw 2008 com seu sistema de classes, uma criação de personagem mais avançada, Storylines mais complexas que, devido ao meu conhecimento quase nulo de inglês na época, pareciam até mais legais do que eram e um gráfico um pouco mais compacto por assim dizer.

Eu tenho a impressão que, conforme os anos passaram o visual dos jogos da WWE deixaram de ser algo blocado e um pouco estilizado para algo mais naturalista e, sinceramente? Isso para mim deixa o jogo um pouco mais feio. Eu acredito que jogos de PW não precisam ser totalmente naturalistas, precisam sim ser funcionais e passar um sentimento de vislumbre, o olhar para o fantástico e não uma cópia completa do que já existe.

Também não precisa ser uma putaria sem sentido que nem o All Star.

Enfim, por hoje é isso amiguinhos.  Outro dia voltamos aqui para falar mais sobre joguinhos. Não, eu não esqueci do WWF No Mercy.

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10 Pounds of Gold

 

Existe algo no design desse cinturão que é simplesmente sublime. Não sei se foram os braços de Ric Flair que abençoaram os 10 pounds of gold ou se a mística de seu sumiço e subvalorização entrou em nossos ossos.

O fato é que esses cinco quilos de ouro são a coisa mais interessante em termos de narrativa que eu vejo atualmente quando falamos de cinturão. Ele realmente grita relevância com seu formato compacto e sua mensagem simples, que traz bandeiras para representar o que um título MUNDIAL deveria. Isso ligado ao fato que existem tantos cinturões no mercado que é difícil saber o que cada um vale.

O que é interessante se pensarmos que, amiguinho, só existe um NWA Champion  e esse cara costumava ser considerado O CARA. Até mesmo Bald Eagle, título da WWF que costuma ser meu preferido, parece um brinquedo da Tec Toy comparado a esse pedaço de couro e aço.

Agora com a nova cara da NWA por aí podemos ter mais vislumbres dessa beldade que, se tudo der certo, ganhará a importância devida dentre as estrelas. Cody Rhodes poderia ter dado a ele o run que traria o título para o panteon novamente. Entretanto, acho que Cody prefere trabalhar para que seja esculpido um título de ouro com sua face talhada nele.

Enquanto isso, os 10 pounds of gold seguirão eternos, pesando como as tábuas de moisés e esculpidas pelo infinito. Pois Rhodes, Steamboats e Flair já seguraram sua matéria em mãos. Nada fica sem importância depois disso.

 

LISTA DE PESSOAS QUE EU GOSTARIA DE VER SEGURANDO O NWA BELT: Veveteen Dream (créditos para o LKS), Tessa Blanchard, Jay Lethal, Chris Dickson, Minoru Suzuki ( me deixa sonhar)

 

Boa tarde

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Pastoral de Backstage

Para quem não sabe, eu passei mais da metade da minha vida dentro da Igreja. Fui evangélico dos 0 – se é que isso é possível – aos 16 anos e, desta forma, aprendi muitas coisas, boas e ruins, sobre como a sociedade funciona e como os humanos se relacionam com figuras de poder.

Acontece que, talvez, luta livre seja parecido, pelo menos por trás das cortinas, com uma igreja de bairro. É um raciocínio amplo, mas siga comigo, querido leitor.

Se relacionar com uma comunidade é algo complicado e, muitas vezes, alguém tem que dar um passo a frente, limpar a garganta e falar “Organiza a fila do pudim ai que senão nem tem pra todo mundo”. E é comum ouvirmos falar de pessoas que tomam essa posição de liderança dentro dos bastidores da luta livre, agindo como guia dos wrestlers homens e mulheres que transitam nesse ambiente comum.

Tal qual um pastor deveria ser, esse indivíduo toma para si uma responsabilidade que não traz benefício algum diretamente, mas que ajuda no bom funcionamento de uma comunidade; ele trata feridas quando é necessário, ele aconselha, ele pune e ele concilia.

Mas perceba, estou falando aqui da função pastoral ideal. Ignore o paternalismo intrínseco da função, todo o mal que a igreja já fez e o uso da função para benefício próprio. Se pudermos alcançar esse nível de suspensão, as coisas não ficam tão distantes assim.

Existem homens e mulheres que realmente agem como figuras de conforto dentro desse meio um tanto quanto competitivo e tóxico da luta livre. Eles podem ser péssimos, como muitos pastores também são – inclusive, já conheci minha cota de pastores merdas e é incrível como eles realmente podem estragar com a vida das pessoas – mas também podem ser incríveis, dando pequenos conselhos que, no final, podem fazer toda diferença.

Bom, mas que sou eu pra julgar? Hoje é terça, é só dia de oração.

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t- É – d … i ***O

E se a gente tratar luta livre como o youtube trata trailers de filme de super-herói e jogos? Tipo, pegar cada frame de uma luta e pensar “Mas que caralho, o que esse ser humano quis dizer quando ele levantou a perninha no segundo 53 do minuto 20”

Não, né? Foda-se.

A verdade é que eu estou completamente entediado como mundo do Wrestling nesse dia de sábado. Não que o mundo esteja desinteressante, mas eu estou desinteressado e preciso escrever. Como a Newsletter só sai amanhã, vai por aqui mesmo.

O que fazer quando a gente perde a vontade de assistir essa porra? Vamos ver o que temos no HD que, provavelmente resume nossas preferencias por PW.

 

Hmm… Não

 

Isso também não

 

Haha caralho, não, credo.

 

Okay, achamos algo!

Beleza, para quem não sabe esse senhor se chama Bryan Alvarez, recém convertido do Partido dos Trabalhadores, é acusado de ser um dos seres humanos mais entendidos de PW da história da vida dele e… bem, ele tirou essa foto uma vez e o Joker me mandou, então resolvi deixar ai para que vocês aproveitem. Cumprimos um item desse texto nada divertido, que era achar algo interessante sobre PW.

 

WE KEEP DIGGING

 

Eu sinceramente não lembrava que isso estava no meu HD, então vamos dar um pouco de contexto.

Há uns três anos atrás, eu e o menino Joker falamos um para o outro – na verdade ele falou para mim, mas eu quero fazer parecer que tive iniciativa para algo útil na minha vida, o que é mentira – “vamos legendar um documentário sobre PW?”.

E então tivemos acesso a um DOC da BBC chamado When Wrestling was Golden: Grapples, Grunts and Grannies.

Este fantástico pedaço de produção audiovisual contem uma das visões mais divertidas e interessantes que eu já tive sobre o Wrestling britânico, mostrando como as coisas por lá já estavam pegando fogo muito antes do republicano mais hipócrita do continente americano colocar o amarelo e se conclamar grande.

Era uma cena riquíssima de personagens, estranhezas e maravilhas e, caso o projeto tivesse ido para frente, vocês teriam isso com legendas em português. O Joker até fez boa parte da legenda, mas eu… Bom, caro leitor, você sabe como eu não levo nada a frente nessa vida.

BOM

Vocês sabiam que eu já quase escrevi um curta-metragem sobre Wrestling?

Em meados de 2017 eu estava enfiado no profundo mundo dos roteiros e até recebi umas recusas um tanto quanto reconfortantes de pessoas no Reddit. Então eu pensei, do alto da minha cabeça de merda, que seria uma boa ideia escrever um filminho maroto sobre o mundo do PW independente em um viés mais tragicômico, com uns toques de Irreversível, só que sem estupro ou extintores.

Foi então que nasceu o projeto “Simon Botch”, um dos nomes mais ridículos que eu já inventei na vida. Seria um filme sobre um cara que manda o outro pro hospital com o pescoço quebrado e como ele chegou até aquela luta em uma federação indie de médio porte. Algo como uma PWG da vida.

Eu só tinha esse esqueleto de esquema flashback e alguma ideia de como seria nosso protagonista. NADA ALÉM DISSO.

Enfim, a ideia não foi para frente e é muito possível que nunca vá.

 

 

Uau… que viagem hein, meu leitor envergonhado? O que você veio fazer aqui mesmo?

Afinal, esse texto é só isso mesmo. Interessante pensar que, de alguma forma, isso pode ter melhorado a noite de alguém…

ou não

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Lendas existem para morrer

Mas não no ringue

 

É estranho pensar em como a velhice do outro acaba afetando nossa própria percepção de tempo e prioridade. Ver Undertaker e Goldberg passarem vergonha no terreno Saudita me fez pensar, mesmo que por pouquíssimo tempo – e botar essa cabeça merda para pensar já é um progresso – em como a gente faz as coisas por dinheiro e o enfraquecimento pelo qual as ideias passam conforme a matéria do tempo se arrasta.

E se arrasta porque também é uma ideia velha, de tanto ser encurtado e depois esticado. Dentro do Wrestling, vemos carreiras astronômicas de dois anos ou fracassos de duas décadas. De qualquer forma, ele passa e quando se encontra com ideias fortes no âmbito real, ele as enfraquece, fazendo com que os vassalos desses conceitos tenham consciência da própria humanidade.

Pois lendas nasceram para morrer. Goldberg e Undertaker nasceram para morrer, não como pessoas, mas sim como ideia. Mesmo porque tudo passa, então o arquétipo ultrapassado do homem que anda junto com a morte e a imagem brega de um careca de sunga que bate nas pessoas mesmo sem ter o mínimo de habilidade física TEM que passar.

Infelizmente, não deveria ser dessa forma que vemos aqui.

Os dois atletas, já contextualizados em um evento que, por si só, configura um erro, são colocados em cima de um ringue, cada um com cinquenta anos nas costas, para fazer uma performance que, se tudo tivesse dado certo, devia ter ficado só no maldito mundo das ideias – e, não se engane, das ideias ruins.

Mas o dinheiro fala alto, ele grita e esperneia como se fosse uma criança. No caso a criança é o regime Saudita que financia cada evento merda que a WWE resolve fazer lá. Logo, tivemos Undertaker vs Goldberg e o que saiu disso é a morte precoce de duas ideias que, sinceramente, já estavam a muito capengas.

E, o pior de tudo, quase mataram os portadores desses conceitos. Pois ambos arquétipos podem sofrer mudanças e serem carregados por outros atletas. Contudo, esses dois seres humanos por traz das ideias que, naquele dia, passaram uma puta duma vergonha, esses infelizmente tem passagem só de ida pela vida.

As lendas morrem, é normal, elas precisam ser queimadas para que outras nasçam e elas sejam somente suspiros, sombras gastas em paredes eternas.

E que essas paredes não sejam túmulos.

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FOMO Fear of Missing Out

Wrestling FOMO

FOMO, ou Fear Of Missing Out é um tipo de ansiedade social. Sim, essa foi a forma mais acadêmica e SEO Friendly possível de começar o texto, com dois termos em inglês e a palavra chave. Eu me sinto, sinceramente, escrevendo por contrato e ganhando um salário miserável de novo.

Enfim, o FOMO é o medo de ficar de fora, sentimento que bate geralmente quando você não viu o filme do momento ou não foi naquele role bacana que todo mundo foi. Basicamente o individuo passa a temer constantemente ser deixado de fora das experiências e assuntos que estão tocando o barco nas rodas de conversa ou naquele grupo safado de Whats App que você tenta manter, mas logo logo só vai servir para fulaninho não esquecer seu telefone.

Isso tudo foi potencializado pelas redes sociais e dentro disso as comunidades ainda se formam de uma maneira que motiva o detrimento daqueles que estão por fora. E olha, querido leitor, a comunidade da lutinha não é lá a das mais saudáveis. Nisso existe até uma semelhança gigante com os fãs de quadrinhos, que acabam rechaçando indivíduos que, por não terem dinheiro, tempo – OU POR NÃO SER A PORRA DUM VAGAL DA PORRA – não tiveram tempo de consumir tantas obras quanto o sabichão de forum.

E é nesse ambiente que nasce o FOMO do fã de Pro Wrestling. Somos incentivados e até constrangidos a consumir o que tem de mais recente na TV e no cenário. Como se não bastasse WWE, existe TNA, AEW, PWG, AAW, Defiant, BWF, CFW, FILL, tem aquela luta antiga de Shoot que ~eu não acredito~ que você não conhece e também aquele outro clássico do Fit Finlay quando ele usava um bigodão.

Perdemos nossos pretéritos e também expectativas tentando dançar essa valsa inalcançável de ter todo o conhecimento. Nisso a ansiedade só cresce e o que deveria ser um hobby acaba virando uma obrigação. A forma mais fácil de evitar é mandar tomar no cu, mas isso não é tão fácil quanto parece. Exclusão é mais profunda e constrangimento existe em camadas que vão muito além da epiderme de nossa consciência.

Por isso consumimos muitas vezes até o que não nos interessa. Porque o medo é mais forte.

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