Semana do Asilo

Tem prova para estudar, dois PDFs de escola americana abertos no PC e eu acabo de ver uma promo entre Undertaker e Goldberg. Isso faria meu eu de 11 anos pular num pé só de felicidade enquanto grita o suficiente para fazer minha mãe me desmaiar com um taco de baseball.

Entretanto, eu não tenho mais 11 anos de idade, da mesma forma que Undertaker não tem 40 e Goldberg… bem, esse nunca teve idade boa para lutar mesmo, então podemos passar disso. O fato consumado é que essa semana a WWE perpetua sua ajoelhada fatal perante a uma montanha de dinheiro do regime Saudita e eu não tenho tempo para escrever a quantidade de textos suficientes que estão guardados dentro de mim.

Basicamente todos eles tratam do quanto isso é socialmente e culturalmente problemático, além de ser uma falta de respeito com toda a lógica interna de uma empresa que, durante 35 anos, construiu um evento como seu evento principal. Fez tanto que o lutador mais marcante desse evento agora falta para fazer sua única luta num show comprado por Sheiks que achavam até pouco tempo que o Yokozuna estava vivo.

Infelizmente não temos mais Yokozuna. Mesmo assim, o pessoal do dinheiro gosta desses young lions da nova geração como Randy Orton e Triple H. Brock Lesnar? Esse menino tem futuro e é bom ver o Paul Heyman se recuperando após tão recente falência da ECW!

Na pergunta de “Quem é o próximo” que o careca invencível sempre faz, a resposta é clara: sou eu! Meu lugar na fila chegou de ficar em um estado de contemplação melancólica por constatar que, infelizmente, a vida é assim mesmo. Não é como se a WWE estivesse fazendo algo muito diferente do que sempre fez. Até porque estamos acompanhando uma empresa que recentemente foi acusada de esconder casos de abuso contra uma Wrestler que acabou cometendo suicídio.

E também porque não existe empresa boazinha que visa qualquer outra coisa que não seja lucro. Para os amigos ANCAPS meu bom “vai a merda”.

Contudo, devo confessar que me esqueço disso as vezes e fui um tanto ingênuo, mas as Jóias da Coroa e os Supershows em homenagem ao assassinos de jornalista me fizeram relembrar justamente com quem estamos lidando. Ninguém aqui deixou de acompanhar o produto ou ficar feliz com Kofi, Becky, SP e nem nenhuma outra coisa boa. É só a pura consciência que somos cúmplices das merdas, coniventes com esse lixo e que o mais importante é perpetuar o dinheiro e a dependência.

Talvez seja a semana de provas e eu esteja estressado, meu caro leitor que não dorme. Mesmo assim, existe elementos na Semana do Asilo que não me deixam dormir; o sentimento é aquela perda como ser humano, como engrenagem travada. Paramos na esteira e estamos vendo a máquina com mais clareza agora.

Dentro dela tem velhos comendo e velhos morrendo, todos fantasiados.

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