As vésperas: sobre a Wrestlemania 34

Por que escrevê-lo? Por que não escrevê-lo? Por que escrevê-lo? Por que não escrevê-lo?… Escrevi.

Estamos em plena Wrestlemania Week, às portas do grande blockbuster do Wrestling mundial, seria uma falta de bom senso enorme não escrever nada antes do famigerado Grandest Stage of Them All, não? É, foi o que pensei.

A comparação anterior vem com total naturalidade, por uma simples razão: É a verdade. A Wrestlemania se materializa como um grande blockbuster do Pro-Wrestling, as vezes com um diretor bom e roteiro amarradinho e aí dá samba; outras vezes vem roteiro pé de chinelo e um diretor terrível, nesses casos é só esperar até o ano que vem, ano que vem sempre tem de novo.

Esse ano, pelo que mostram os “trailers”, o evento tem potencial até a boca, claro que algumas decisões sempre decepcionam, como em qualquer obra Wrestlingmatográfica, mas a gente releva, a gente sempre releva. E como não?

 

Vamos por partes.

 

Com o card totalmente revelado é possível selecionar algumas joias em potencial, cenas marcantes para se aguardar no evento deste domingo, 8 de Abril.

 

O que me salta aos olhos, já de começo, é Asuka vs Charlotte.

Tempos atrás eu tinha grande  ressalvas quanto a herdeira Flair, nunca questionando sua qualidade em ring nem mic-skill, entretanto algo ainda não havia clicado, expressão bosta que aqui significa simplesmente “eu só achava ela qualquer coisa”. Depois da Wrestlemania 32, após o título das Womans voltar com tudo e a nomenclatura “divas” ser enterrada, ela só cresceu. Como heel, deixando a figura icônica do pai como manager de lado, e também no tablado, fazendo lutas cada vez mais competentes, mesmo que o booking e os reinados curtos tenham fatigado na época. Inegável, porem, é o fato de  Charlotte Flair ser história viva, caminhando dentro da WWE, tendo participado da primeira HIAC feminina e da primeira MITB feminina, além do supracitado title na WM 32.

E o que dizer de Asuka? Invicta desde a estreia, levando nas costas um fardo que não é fácil. Carregar uma streak semana a semana é uma tarefa dura, acaba cansando e para acabar com a invencibilidade não existe jeito bom, é sempre torto, esquisito. Talvez estejamos parados frente ao melhor cenário para isso acontecer, ou será esse só mais um capítulo na mega-saga de dominação que a atleta japonesa traz consigo? Em tempo… em tempo. De qualquer forma, o público ainda a apoia totalmente.

 

Falar em streak e não falar do Undertaker chega a ser sacrilégio. Bom, ele a perdeu há quatro anos, mas o som dos corpos de 19 homens nas 21 vitórias que sucederam a derrota na Wrestlemania 30 ainda ecoam pelos salões vazios das arenas onde tudo aconteceu. Não que tenha parado por aí, tivemos ainda três lutas com duas vitórias e uma derrota, as últimas que sempre pesam muito mais que as primeiras.

Mais uma dessas derrotas pode despontar no horizonte este domingo, e nela lemos o nome de John Cena, um dos Wrestlers mais populares indústria criou nos últimos anos.

 

Sejamos francos, a luta tem grandes chances de ser muito ruim. Não condeno o Cena in ring: ele não eleva a habilidade de um lutador medíocre e nem afunda um bom; já sua química com o público é algo que ajuda sim, muito, qualquer luta. É no outro lado da balança que o baticum muda. Undertaker não consegue mais lutar, é evidente. O corpo já não aguenta mais. Eu acreditei que ano passado fosse a despedida; esse ano pode ser mais adequado, querendo ou não Cena vs Undertaker é SIM um destaque do evento, a luta que nunca aconteceu nos termos certos, encerrando, quem sabe, a carreira de dois medalhões. Inclusive, vou deixar gravado aqui: eu não escrevo mais texto de despedida para Wrestler nenhum. Ninguém fica aposentado. Escrevi para o Undertaker e olha ele aí de novo.

 

Para minha surpresa, outro que volta é Daniel Bryan. Mesmo que valha comentar sobre os outros três envolvidos nessa tag team match, eu não quero. Nós sabemos da qualidade monstruosa de Owens/Zayn e como vê-los em um card da Wrestlemania é quase como olhar, no passado, para um Dream Card. Shane também foi surpresa há um par de anos, retornando, da mesma forma, para uma WM. Entretanto esse é um caso um pouco mais delicado. Imagine se Bret Hart, Edge, Stone Cold e tantos outros Wrestlers que se aposentaram, seja parcial ou majoritariamente, por conta de lesões pudessem ter outra chance, uma única que fosse, pequena, mínima, de lutar de novo com toda capacidade. Ele pode. Daniel Bryan foi agraciado com mais uma chance, não uma luta só, mas a chance de voltar aos ringues, de sonhar conosco, só que agora do lado certo das cordas, dentro do quadrado do qual nós torcemos tão fervorosamente que ele não tivesse saído e para o qual ele agora retorna. Três anos atrás, em uma noite de segunda, eu chamei Daniel Bryan de um Wrestler 3×4. Ele ainda é, mas também é um gigante, impresso em tamanho global, estampado na face da terra, do tamanho de um sonho. Um bom sonho.

 

E se Bryan Danielson vai lutar, por que não Tyler Black, Prince Devitt, Cedric Alexander, Brodie Lee, Crazy Marie Dobson, Claudio Castagnoli, Heide Lovelace, Bobby Roode? Por que não reprisar a luta pelo IWGP Intercontinental Title do Wrestle Kingdom 10 e colocar Aj Styles contra Shinsuke Nakamura, competindo agora por um dos dois mais importantes cinturões da companhia? Por mais que o Nakamura não me agrade, é como pegar algo que deu certo em um grande filme da Fox Searchlight e produzido pela 20th Century (nenhuma intenção aqui de desmerecer nem a NJPW nem a Searchlight). Outro title que ganha uma match é Cruserweight, atualmente vago. Essa luta é resultado de uma sequência de ótimos shows do 205 live, um novo manager e um torneio com inúmeras lutas excelentes. O supracitado Cedric Alexander peleja contra Mustafa Ali para decidir quem leva o ouro; sinceramente, acho que somos nós.

 

É um grande card, em extensão e em potencial. Deixei muitas coisas de fora e elas certamente não são menos importantes por isso, mas o que me interessa mais dentro do evento está nesses últimos parágrafos. De resto, só espero algo legal, com a sorte ajudando.

Além da Wrestlemania em si, a WM Week também proporciona ótimos eventos no circuito independente da luta livre, período no qual algumas empresas e wrestlers resolvem tocar projetos especiais. Os exemplos mais caros à minha pessoa são o Joey Janela Spring Break, que vai agora para seu segundo ano, e o Matt Riddle Blood Sport, organizado como um evento de Shoot Fight. Ambos aconteceram nos dias 5 e 6 de abril. Além desses temos também Impact vs Lucha Underground, WrestleCon Supershow, shows da Evolve, Progress, RevPro e o SuperCard of Honor da ROH, entre várias outras atrações.

 

Mas sério, se você não viu o primeiro Joey Janela Spring Break, ouça nosso podcast e assista logo depois, é algo fora de série.

 

Enfim.

 

O período de Wrestlemania é o nosso fechamento de temporada, assim como o descortinar de um novo espetáculo, provindo uma nova aventura, continuando algumas outras que conseguem atravessar as frestas desse grande acontecimento anual. No dia em que esse texto for ao ar ainda não teremos assistido o NXT e o HOF terá sido somente a algumas horas, enquanto a Wrestlemania se apresenta à nossa frente, braços aberto. É nosso direito sonhar com ela, é quase um dever aproveita-lá, seja por ela mesma ou pelos eventos que ela trás. Fazer isso há 10 anos? Isso sim é, sem sombra de dúvidas, um privilégio.

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