Wrestling a deriva

Todas as coisas devem passar. Coltrane tocava sax, tocava melhor do que sabia respirar, tocava melhor do que algumas pessoas jamais viveram. Você anda no meio fio com a graça de um pelicano, mas para John Coltrane isso é só mais uma nota de música, aquela do Jazz, sabe?

Eu odeio quem compara Jazz com qualquer desgraça e hoje o Coltrane viu dois Kentas se batendo. Coisas que acontecem no meu escritório depois das três da manhã, o acaso dando aquela fumada no bong e pensando ” a terra podia ser quadrada e ter o rosto do Che Guevara”; isso seria complicado de fazer, mas te trazer aqui foi mole, caro leitor.

Wrestling a deriva, voando no morno e lento vento da vida parada. Eu adoro dizer o título das coisas sem motivo ou razão. A NOAH em 2003 não tinha barco nem casais de animais, mas tinha um Kobashi e um KENTA e eles se batiam no sopro de um gênio. Era pesada para lá e uma batida de bateria, uma suplex na lona verde e o trem azul a correr.

Blue Train, como seria bom se tivesse um expresso esta noite para a puta que pariu, qualquer lugar que não seja agora. Talvez 2003. Eu estou muito preso ao passado e Wrestling tem que ser livre, como bem diz a tradução. Não perca o trem de vista, não perca o GHC para o seu discípulo.

Kenta Kobashi era quadrado como um monstrinho dos anos 50, como se o Kirby fosse mangaká e o mundo fosse tétrico. É o mais perto que um ser humano chegou de ser um cavalo, 115KG de músculo correndo, levantando e chutando. KENTA era novo, não vale a pena falar dos jovens que já são velhos eu gosto dos jovens que eram velhos e já estão mortos.

Tudo vai passar e não estou falando de doença ou do trem. Se você é um cachorro você late. Se você é o Kenta – Kobashi ou não – você luta. É a língua que eles falaram para mim. E o vagão foi, azul e Coltrane ta lá em cima, me dando tchau.

Tchau, Coltrane.

Leia Mais