10 Pounds of Old

Morreu Harley Race. No dia primeiro de agosto de 2019, um dos maiores nomes da NWA e da história do PW se foi e, sejamos francos? Isso é tão normal quanto estar vivo.  Os velhos morrem e logo não restará entre nós nenhuma dessa geração. Os cinco quilos de ouro – convertidos aqui numa conta bem imprecisa – se perderão no tempo ou, pior ainda, serão carregados por alguns nomes que tentam emular a glória dessa geração defunta.

Não se engane. Alguns lutadores na indústria possuem habilidade e personalidade suficiente para, daqui quarenta anos, soarem aos ouvidos tão bem quanto Ric Flair, Harley Race, Dusty Rhodes, Ricky Steamboat e outros. Contudo, apesar de maleáveis em suas posições, acredito que pessoas não sejam substituíveis. Já existem nomes tão grandes quanto o do oito vezes campeão da National Wrestling Alliance e, mesmo assim, nenhum deles carrega as mesmas letras, o mesmo DNA. Não é possível que dois seres humanos tenham as mesmas digitais. Portanto, no exame forense dos 10 pounds of gold, a identidade do campeão será somente sua, criando e preenchendo um vácuo digno dos corpos do Junji Ito.

Da mesma forma que buscamos esse preenchimento, temos uma nostalgia quase cega pelos tempos enterrados. Essa era de ouro do Wrestling se foi e, conforme seus baluartes todos são enterrados, é preciso que não se mumifique e se tente replicar, num show de marionetes, as glórias dos anos 70 e 80. Homenagem é legal, mas em algum ponto fica ridículo, fica farofa.

Sempre pode-se aprender com o velho, mas é impossível sê-lo. Portanto só nos resta luto e isso é o que sempre sobra quando os jovens não morrem. Harley Race combateu o bom combate com mais classe do que se pedia nos livros e mereceu seu lugar ao sol. Talvez não tenha o mesmo impacto na cultura pop quanto outros atletas. Todavia, dentro da cabeça de um fã da lutinha fake de cada dia, ele – que certamente me daria um tapa na cara ouvindo o termo lutinha fake – é tão eterno quanto a nossa ininterrupta linha de pensamento.

Até amanhã, caro leitor.

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10 Pounds of Gold

 

Existe algo no design desse cinturão que é simplesmente sublime. Não sei se foram os braços de Ric Flair que abençoaram os 10 pounds of gold ou se a mística de seu sumiço e subvalorização entrou em nossos ossos.

O fato é que esses cinco quilos de ouro são a coisa mais interessante em termos de narrativa que eu vejo atualmente quando falamos de cinturão. Ele realmente grita relevância com seu formato compacto e sua mensagem simples, que traz bandeiras para representar o que um título MUNDIAL deveria. Isso ligado ao fato que existem tantos cinturões no mercado que é difícil saber o que cada um vale.

O que é interessante se pensarmos que, amiguinho, só existe um NWA Champion  e esse cara costumava ser considerado O CARA. Até mesmo Bald Eagle, título da WWF que costuma ser meu preferido, parece um brinquedo da Tec Toy comparado a esse pedaço de couro e aço.

Agora com a nova cara da NWA por aí podemos ter mais vislumbres dessa beldade que, se tudo der certo, ganhará a importância devida dentre as estrelas. Cody Rhodes poderia ter dado a ele o run que traria o título para o panteon novamente. Entretanto, acho que Cody prefere trabalhar para que seja esculpido um título de ouro com sua face talhada nele.

Enquanto isso, os 10 pounds of gold seguirão eternos, pesando como as tábuas de moisés e esculpidas pelo infinito. Pois Rhodes, Steamboats e Flair já seguraram sua matéria em mãos. Nada fica sem importância depois disso.

 

LISTA DE PESSOAS QUE EU GOSTARIA DE VER SEGURANDO O NWA BELT: Veveteen Dream (créditos para o LKS), Tessa Blanchard, Jay Lethal, Chris Dickson, Minoru Suzuki ( me deixa sonhar)

 

Boa tarde

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Semanalfabeto 6# – Como ver wrestling “mais ou menos”

Foi uma semana bem corrida e, acima de tudo, foi uma semana em que não vi quase nada de luta livre. Doravante, a edição de hoje, a qual já comecei a escrever duas vezes e não deu em nada, vai ser sobre o que eu faço quando eu quero assistir wrestling, mas não quero ASSISTIR wrestling.

Bem-vindos a mais um Semanalfabeto.

Já que é algo que faz parte do cotidiano, é quase impossível que nada de luta-livre apareça no radar, mas nenhuma das coisas que aparece é de uma substância real; nenhuma luta completa ou evento. Geralmente o que eu faço em ocasiões como essa é assistir promos no Youtube e ver compilações. Eu perco um tempo absurdo em compilações de golpes e momentos.

TOP 100 do caralho a 4; Top 70 mudanças de title; Os melhores spinebusters do Farooq (esse realmente existe, tem 5 min)

Isso é uma prática que eu alimento desde que comecei a assistir PW pois, se eu vejo algum golpe legal ou algum momento que eu não vi, é o que melhor me incentiva a procurar mais material e, no caso das indies, isso ajuda mais ainda, pois descubro algumas lutas que ocorreram e eu não fazia ideia.

Outra coisa FODA, e eu tenho a impressão que já falei disso aqui, são promos da NWA. Ric Flair, Ricky Steamboat, Terry Funk, 4 Horsemen (infelizmente sem o Mongo), Dusty Rhodes; É só o suprassumo da banana loura.

Existe outra coisa que geralmente não consumo em relação a wrestling e que essa semana resolvi ir atrás: trabalhos acadêmicos.

Existe uma quantidade considerável de trabalhos acadêmicos em português que abordam o Pro-Wrestling, seja no campo da semiótica, da linguística ou até tratando das biografias de lutadores. Baixei alguns para ler depois e, da olhada que eu dei, parecem bem interessantes. É bom, de vez em quando, tentar enxergar uma mídia que a gente consome tanto de outras formas. Tô parecendo um velho hoje, fico repetindo coisas que já falei.

Bom, acho que por hoje é isso, mais uma edição rápida com algumas dicas. Se quiserem ir atrás dessas coisas que eu falei… vão, porque procurar links com a internet daqui de casa vai ser um pouco complicado. Perdão por isso, a próxima vez que eu for falar de um assunto que exija links vou me preparar melhor.

Fiquem bem, tratem bem seus amiguinhos, sigam o PipeBomb no twitter e pensem um pouco fora das suas próprias cabeças, talvez ajude, talvez atrapalhe. Eu só quero é falar bosta.

Até semana que vem.

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