Da Boca Pra Fora – The Wild Storm O1 a 23 (e preparação para a 24)

Bom, compadres, vocês sabem muito bem que esse é um site focado em Wrestling, mas que eu sou um porra louca que adora um offzinho de vez em quando. Logo, hoje é dia de Da Boca pra Fora e iremos reler todos as edições de The Wild Storm até a 23 para estarmos preparados quando a edição final, de número 24, chegar aos nossos dispositivos móveis que fora carinhosamente apelidados de CÉREBRO.

 

 

THE WILD STORM

Escritor: Warren “meu Deus que homemzão da porra” Ellis

Artista: Jon Davis “vai toma no cu como desenha” Hunt

Colorista: John “ótimo trabalho” Kalisz , Steve “maravilindo” Buccelato, Brian “Eita que é outro” Buccelato

Letrista: Simon “parece que eu estou no futuro” Bowland

 

Tendo em vista que muitos de vocês não estão inteirados no que é o Universo Wild Storm ou simplesmente no que está acontecendo nesta vida, vamos a um breve resumo. A Wild Storm era um selo do rapaz conhecido como Jim Lee, desenhista ícone dos anos 90, onde ele usava e abusava de personagens filhos da puta fumantes envolvidos em paradinhas paramilitares e times de super-heróis diferentes que, na verdade, eram meio iguais a tudo que já existia.

Bla bla bla esse selo foi vendido para a DC, muita água rolou debaixo da ponte da morte e eis que em 2016 ficamos sabendo que Warren Ellis, colaborador de longa data desse selo e provavelmente o maior criador dele, voltou para a casa dos deuses para mais um tiro de 100 metros entre os grandes.

Ellis foi contratado para ter liberdade geral e nenhuma associação com o universo DC, podendo moldar a espinha dorsal e o clima do que vai ser esse universo, escrevendo em “The Wild Storm”, série de 24 edições, um guia de clima, delineado por uma história de conspiração milenar, tecnologia útil e trivial, misturado com paramilitarismo, teorias da conspiração, um pouco de Doctor Who e muito Whiskey na cabeça.

Não, eu não vou fazer um review edição por edição, mas eu muito bem posso falar de arco por arco, que é como o Ellis descreveu a série em sua entrevista para a DC Comics. The Wild Storm são quatro livros de seis capítulos cada um.

 

ARCO 1

O bom é que The Wild Storm começa como deve começar: gente sangrando em cima de tecnologia e tecnocracia, em território onde as grandes corporações querem pintar o céu de alumínio cristalino. É lindo amores, simplesmente lindo.

O escritor, em conjunto com o desenhista, trabalha em uma estrutura de grids que abraça tanto a narrativa quanto a própria trama em si. Divído entre três narrativas diferntes, o leitor é levado a conhecer a IO – International Operations – a Skywatch e as empresas do Sr. Jacob Marlowe – a Halo- tudo de uma vez só em pequenos fragmentos de diálogos. Logo, é possível se ver envolto em uma trama na qual você só tem pedaços de informação que lentamente vão se juntando, como todas as partículas que Jon Hunt desenha brilhantemente em suas cenas de ação.

E vale salientar que esse primeiro arco é somente de formação. Vemos o reconhecimento de uma guerra que está por vir. Somo apresentados a personagens chaves como Angie Spica, Miles Craven, Trelane, o Homem do Tempo, Michael Cray, os Wild CATs – e nesse eu realmente devo confessar que fiquei empolgadíssimo por razões de Wild C.A.T.S 3.0 – e, ali, no escanteio das coisas todas, juntando todas essas peças, Jenny Sparks.

São muitos nomes para se decorar nessa história dividida em grids de 3×3, mas acredite, Ellis vai fazer você lembrar. Um exemplo de que a preocupação com esse montante de informação é real se mostra em como o escritor usa personagens orelha para mastigar algumas informações prévias para o leitor. Isso fica muito claro na edição seis, no diálogo entre Marlowe e Spica.

A arte de Davis-Hunt aqui já mostra a que veio, com cenas de ação tão detalhadas em peso, partículas, movimento e linguagem corporal que faz John Wick parecer coreografia da carreta furacão.

Mas o mundo é grande e, segundo o escritor mostra, o universo também. Vamos para o segundo arco de WildStorm onde a guerra entre IO e Skywatch vai começar a se montar, usando terra, o espaço e toda forma de vida disponível como peças e também como tabuleiro para apoiar os pés, sem se importar se isso vai acabar esmagando uns crânios no processo

Arte: Jon Davis-Hunt

 

ARCO 2

Neste arco as coisas começam a se organizar um pouco mais e todos os movimentos escoam para uma ação conflitante, mais ou menos como água indo para o ralo. Bom, neste caso a água são pessoas fortemente armadas de munição pesada, habilidade para matar e pacotes de informação nociva e o ralo é uma guerra total e completa.

Os Wild. CATs são melhor desenvolvidos aqui, com um pouco de background exposto por diálogos e alguns flashbacks. A cena de ação samurai protagonizada por John Colt é especialmente bem coreografada, com uma ambientação perfeita. O timing de Jon Davis-Hunt para ação se mostra ainda mais potente nesse arco, inclusive.

Como temos muito mais cenas de assalto para lidar, o desenhista tem a oportunidade de mexer com cenários e marcação para ditar o tempo e fazer uma narrativa que foca nos aspectos enquanto a linha de raciocínio principal foca nos atos.

A escrita continua certeira e da edição 6# a 12# é possível sentir mais uma veia cômica do velho de Thames Delta. Os diálogos são tão bons que eu gostaria de costurar as sentenças na minha pele usando os pelos da minha sobrancelha.

Entretanto, existe um problema aqui que eu só consigo perceber depois de fazer essa leitura “carreirão”: Wild Storm possui um montante de peças móveis que aparições muito pequenas, mas que acabam sendo importante para o todo lá na frente.

Em algumas séries – tipo Criminal ou Kill or Be Killed, sobre as quais eu ainda preciso falar aqui – isso funciona perfeitamente porque, de alguma forma, o plot principal é meio que “independente” desses movimentos. Os personagens são mais uma mudança nos settings de cor do que a própria pincelada na tela do photoshop.

Ellis, contudo, escreve pensando cada risquinho de lápis e, para você conseguir compreender o todo lendo mês a mês – pelo menos para mim que sou um puta abobado da porra – fica BEM COMPLICADO. Inclusive fica muito mais fácil compreender o rumo dos personagens lendo arco por arco do que edição por edição. E, além disso, você não ganha nada a mais por ler as mensais, o que, na minha opinião, faz The Wild Storm ser uma série perfeita para os TPBs.

Mesmo assim é muito bom ter algo desse careca para ler todo mês.

Ah, e a cena onde a Doutora aparece pela primeira vez é uma das coisas mais lindas que eu já vi desenhadas. Além disso, eu não sabia que eu precisava de uma cena onde ela e Jenny Sparks acordam pós transa cobertas por um cobertor da mulher maravilha. Eu precisava.

Arte: Jon Davis-Hunt

ENFIM, todo mundo agil, gente morreu e foi tudo pro caralho. John Lynch aparece ali na finaleira e agora vamos para a parte Folk Conspiracy do gibi.

ARCO 3

Road trip in this bitch.

Estamos no penúltimo arco e o ralo por onde toda a sujeira das 520 páginas de Wild Storm vai escoar começa a ganhar um nome: Nova Iorque. Sim, alugaram uma semana onde todo mundo da casa das ideias não vai estar na cidade e vai rolar uma pegação hard ali em Manhatam.

Para que isso aconteça, acompanhamos John Lynch em suas andanças pelo solo americano atrás dos experimentos da I.O. Também vemos Marc Slayton através desse mesmo território coletando almas para seu implante. É algo muito simples para eu gastar palavras aqui, então vá ler o gibi.

Capa: Jon Davis-Hunt

Nesse arco temos um padrão até nas capas, que ficam no cinza e vermelho, sempre focando em experimentos do Thunderbook e com dados e estatísticas nas capas. Nessas edições, com Ellis trabalhando o desenvolvimento rápido de personagens com força, fica claro como ele não dava a mínima para alguns personagens no começo da série.

Principalmente se tratando de Trelane e Michael Cray, eu acho que ele trabalha muito pouco e rapidamente os joga de lado para que o autor das séries pudesse trabalhar mais livremente.

Além desse pequeno detalhe temos a história da doutora e de Jenny Sparks se juntando e outras peças um pouco mais importantes e familiares adentrando esse escopo. Jack Hawksmoore é uma delas. Inclusive a cena de criação dele é a parte que você definitivamente vê que as coleiras foram soltas e o formato do gibi foi pro caralho elevado a zezé.

A arte, meus amigos, está mais linda do que nunca.

É interessante notar como Ellis adaptou todas as criações dentro das histórias do Wild Storm para coisas um tanto mais modernas e palatáveis, sem perder aquele senso fantásticos e todo o poder que a descoberta científica não convencional e extrapolada tem em apimentar a ficção. Um autor menor poderia fazer versões de jaquetinha para os mesmos herois e chamar de século XXI parte dois.

Ellis realmente entra no grosso do século vinte e um e soca a barriga dessa época hibrida por dentro até que ela fique redonda e fecunda.

Tá, isso foi uma imagem mais incômoda do que eu imaginava, vamos em frente.

Tudo está confluindo para Nova York, os Wild C.A.T.S finalmente entraram em missão, I.O  e Skywatch vão sair na mão oficialmente, Henry Bendix ficou pistola, tudo vai acabar, as coisas estão levantando e o corte vai ser seco e perfeito! Torça para que não seja no seu pescoço

ARCO 4 e a estrada para a edição 24#

E aqui estamos, queridos amigos, leitores pacientes, amantes da nona arte que viram grades de três virarem loucuras visuais com operações genéticas que fatiam retinas como os prisioneiros do Bons Companheiros fatiavam alho.

O Authority é uma realidade. Não vimos mais John Lynch ou Slayton, nosso amigo alienígena aparece muito pouco e esse último arco é basicamente focado em amarrar algumas pontas da Skywatch/I.O, jogar informações já mastigadas novamente na nossa face – fato que aqui me deixou um pouco irritado – e mostrar como Jenny Sparks é a melhor coisa já inventada desde aquelas mãozinhas que ajudam a coçar as costas.

A partir da edição 20 a coisa passa a ser basicamente Authority fazendo exposição de World-Building, imagens de pós suruba e todo mundo caindo na porrada. É lindo, eu quero mais disso e espero que o gibi do Authority, se não ficar na mão do Ellis, vá para o seio de alguém PELO MENOS tão competente quanto ele para escrever porra louquíces.

É, Matt Fraction, talvez eu esteja olhando para você mesmo.

Enfim, meus caros amigos, a edição VINTE E QUATRO DO WILD STORM chega às bancas americanas dia três de julho. Não sei quando esse material estará disponível aqui em solo tupiniquim e nem quem vai traduzir. Para você que lê em inglês e ta com um dinheiro em conta ai para gastar a toa, vale a pena comprar os TPBs, simplesmente porque eu gosto do formato TPB.

Inclusive, quem quiser completar minha coleção do Injection antes deles continuarem, estou disponível.

Quando Wild Storm acabar, estaremos aqui para comemorar e comentar, fechando esses dois anos de desenvolvimento, não só do gibi e do mundo em que ele se passa, mas como de nossa própria história, sentimentos. Muita gente nasceu e morreu desde a primeira cena com a Zealot até a última página de Davis Hunt já desenhou.

É uma coisa engraçada, o mundo dos gibis de super-heróis. Eles não seriam nada sem o olho da tormenta e as armas secretas que vivem por trás dos crânios medíocres do mundo real.

 

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Um review do Smackdown por alguém que não assistiu

Essa semana é uma daquelas em que eu penso “puta merda, porque eu decidi fazer rádio?”. Para quem não sabe, eu sou estagiário na emissora da faculdade e cubro palestras, o que me faz ficar no ambiente de trabalho/estudo desde a aurora dos tempos até o fim do ciclo de nossas vidas. Isso me faz perder a programação semanal da WWE, querido leitor cansado.

Entretanto, nosso comprometimento com a desinformação e a conspiração comunista para doutrinar através de mensagens subliminares não pode parar, de modo que o show da brand azul estará totalmente resumido aqui, neste dia de quarta-feira, baseado totalmente nos resultados e nas minhas expectativas e experiências.

 

E eu começo dizendo que foi um SD esquisito.

 

Reprodução: WWE.com

 

O show é claramente inspirado pela obra de Truffaut, tanto nos diálogos quanto na forma de filmar. O personagem de Becky Lynch, um clássico inegável da sessão da tarde, promete defender seus dois reinos, Raw e Smackdown, como se fosse umlíder dos Gorgonóides.

Para quem não sabe, Pequenos Guerreiros é o filme mais famoso de Françoise Truffaut. Charlotte e Bayley trazem uma inspiração na poética de Platão, onde discutem, em frases chatas para um caralho, o que é justiça e merecimento. Após isso caem na porrada porque Platão de cu é rola e temos aí um exemplo do eterno retorno Nietzchiano, onde, independente do que você faça, a Charlotte vai ta sempre no Main Event – e isso nesse momento não é uma reclamação porque FODA-SE A BAYLEY – e você, caro leitor, sempre vai acabar bebado e fumando no chão de um bar contando a história da sua vida para uma estranha que você nunca viu.

Tivemos também Lars Sullivan batendo em pessoas mais talentosas que ele e no Jinder Mahal. Isso parece ter sido, de longe, o melhor segment de todos. Dizem as más línguas que Jericho mandou uma carta para a WWE perguntando quem foi o headwriter desse desenvolvimento.

Ah, e o melhor comentário já feito a respeito do Lars Sullivan é o do Mauro Ranallo – QUE HOMÃO DA PORRA ESSE RANALLO – onde ele disse que o careca era “um desenho de Jack Kirby que tomou vida”.

Voltando ao Smackdown.

FACK!

Tivemos algo envolvendo o Roman Reigns e eu sinto ter que spoilar isso aqui para vocês… mas Reigns será revelado como filho bastardo do Mcmahon. Isso vai levar a formação de uma nova Shield com Hornswoggle e o retornante Jason Jordan. Se preparem inclusive para um In Your House: Battle of the Bastards.

E da batalha dos bastardos fomos para a dos gostosos em uma luta que envolvia Balor e Andrade. Claramente ambos têm influência técnica de Kevin Nash, enquanto suas personagens bebem de McMichael e Bagwell. Ah, e uma pontiiiiinha de Tony DeVito.

Kairi Sane segue em sua cruzada para desvalorizar qualquer outro Elbow Drop e fazer tudo parecer uma merda comparado ao dela, mas boatos que Randy Savage vai ser ressuscitado e uma possível feud para a Wrestlemania será construída. A empresa que já juntou Shawn Michaels – que todos sabemos ser um fi du cão – com Deus pode trazer feuds assim para nós.

 

O Show acabou com Kevin Owens atacando o campeão Kofi Kingston por uma suposta overdose de panquecas. Kofi já fez uma denúncia formal na PM de São Paulo, mas foi plenamente ignorado e ficou detido na delegacia algumas horas por conta do WWE Title.

A polícia não quis comentar o ocorrido, mas o governador disse que é plenamente normal e parabenizou a ação da corporação

Xavier Woods, como bom esquerdomacho, disse que prefere não julgar as ações de Kevin Owens e que “ce sabe como é né, brother?”. Depois disso desmaiou num prato de sopa.

Reprodução: Seu cu

Mas último comentário sério dessa merda? Kingston é um campeão da WWE que me traz muita felicidade, que homem.

 

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PIPE OFF : Da Boca pra Fora 1#: Moby Dick – Chabouté.

Antes de começar esse texto, uma breve introdução. Da Boca pra Fora é como eu vou chamar qualquer coisa parecido com review de filme, gibi, musica, ou seja lá o que eu queira escrever que não seja sobre Wrestling. Como eu não sou critico nem jornalista, acho meio chato usar o nome Crítica ou coisa parecida. Bom, agora que tudo está explicado, vamos ao texto.


 

“Todos temos nossa Moby Dick”.

Não sei ao certo se esta frase está no livro e, pelo que me recordo, não está no quadrinho. Esta frase está escrita em um autografo dado por Daniel Lopez, editor da HQ e um terço do Pipoca e Nanquim, que trouxe esta obra ao Brasil. Este pensamento permeou minha cabeça durante todo o caminho de volta pra casa no dia em que comprei o gibi, assim como durante toda a leitura.

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