Semanalfabeto 7# – Review – André the Giant: Life and Legend

Não é preciso muita coisa para contar uma grande história, a não ser uma grande história em si. Sem isso você não tem nada, independente dos seus personagens, da situação maluca ou da técnica usada para transmitir aquilo. E não existe história maior que a vida real, talvez a não ser no Pro-Wrestling. Nesse âmbito se passa André the Giant: Life and Legend, escrita e desenhada por Box Brown. Sinceramente eu não conheço muito o trabalho do autor, mas já no prefácio fica visível seu amor pela arte que mistura esporte e ficção. Neste espaço ele explica como começou a gostar de Luta-Livre e, consequentemente, conheceu o gigante. “O conceito de ‘verdade’ que se tem no Wrestling profissional e certamente elástico e se conecta com a ideia do wrestler como um produto” escreve Brown em um dos parágrafos.

Como é ser vendido como um produto quando as características que lhe tornam vendável também são as características que vão te matar um dia?

Usando essa premissa, Brown conta a história de André Roussimoff, nascido em Grenoble, França, em 19 de maio de 1946. Para nós Roussimoff é André The Giant, a oitava maravilha do mundo, um gigante que pisou nos ringues é protagonizou um dos momentos mais icônicos do Wrestling nos Estados Unidos, para o bem ou para o mal. Neste gibi Brown aborda tanto carreira como vida pessoal do lutador, a convivência com a doença que lhe dava todo esse tamanho e que lhe trazia tanta dor e como isso afetava suas relações com os outros. A Acromegalia, doença supracitada, é explicada em duas páginas inteiras com pequenas intervenções textuais. De um jeito simples é nos apresentado o todo: O corpo de Roussimoff basicamente ia crescer até não conseguir mais, os órgãos não iam acompanhar e ele iria envelhecer mais rápido que o normal. Isso é mostrado com desenhos simples e precisos, característica do gibi inteiro.

Não espere de Brown um traço rebuscado e muito detalhamento. Sua anatomia é bem simplificada e ele faz um bom uso das formas e dos volumes. Os ângulos de câmera são, em sua maioria, muito simples, sempre detonando a enormidade que era André. A parte positiva é que, devido a essa simplicidade constante, ele consegue impactar nos momentos certo; a cena do body slam de Hulk Hogan em André The Giant nunca tinha me impressionado até hoje. Nesse gibi, com esse contexto e essa narração ele reassume um poder que, sinceramente, eu nunca achei que tivesse.

Esse tipo de desenho também contribui para um clima cotidiano nas situações, principalmente em um tipo de negócio em que tudo é tão escalafobético, tão gigante. As escolhas narrativas são importantes para “blocar” a história. Brown usa cartazes, revistas, mapas de viagem estilo Spielberg e a clássica legenda para mostrar local e data. O acabamento de seu traço é basicamente nanquim, sem cores e somente um tom de sombra devido ao uso da reticula cinza escura. Se por um lado a arte é boa, por outro ela torna a história um pouco desinteressante as vezes, passando rápido demais em pontos nos quais poderia se deter um pouco mais, como as relações de André com outros Wrestlers e algumas brigas. Mesmo assim essa escolha é consciente do autor, levando em conta que existe uma vida inteira para contar ali e a história tem de seguir em frente.

Como um biógrafo o desenhista não se segura e mostra aspectos importantes da personalidade de André, o consumo abusivo de álcool, os acessos de raiva, sua descontração, suas falhas, os xingamentos racistas e sua falta de contato com sua filha e a mãe dela; é possível ver também através das páginas a doçura de alguém que teve de conviver com uma existência que o tratava feito aberração, sempre com dor e com a sombra de uma morte precoce correndo atrás de alguém que vive em um ambiente de atuação física constante. Se faltam tons de cinza na arte, sobram na temática, sendo inexistente um julgamento moral por parte do autor quanto as ações de André, algo que fica a cargo do leitor.

Outro aspecto bom do gibi é o trabalho de introduzir a luta-livre como um modelo de negócios e suas características. Além da explicação de alguns jargões existirem dentro da própria história, no final da obra existe um pequeno glossário de termos, explicando coisas como babyface, heel, squash e over, conceitos que, para quem acompanha Wrestling, são claríssimos, mas podem ser confusos para alguém que não está habituado com esse universo. Dentro disso temos o trabalho de André The Giant como um lutador, seu começo na França até evoluir para uma atração mundial, o excesso de exposição (e como isso pode comprometer um lutador) e a figura de Vince McMahon Sr. como alguém que transformou um ser humano em lenda. Esse ponto é um exemplo perfeito de como funcionam as coisas no Wrestling: todas as ações do lutador devem ser pensadas para contar uma história, seja seu excesso de movimentos ou a falta deles. Essa é a mágica retratada nos ringues e que é transposta pagina a pagina nessa obra.

Life and Legend é um trabalho muito bem feito, passando por várias épocas da indústria enquanto entra fundo dentro da vida de um homem que precisa lidar com seus demônios e os demônios a sua volta, estejam eles em forma de problemas ou de pessoas; em alguns momentos ele mesmo pode ter sido um demônio dentro da vida alheia, ou um anjo, ou somente um gigante que transpôs no ringue um sonho. Box Brown tem um trabalho contundente que pode agradar tanto o fã que já conhece os lutadores como aquele que nunca viu uma luta na vida e se interessou pelo gibi mesmo assim.

Infelizmente a obra ainda não foi publicada no Brasil, mas é possível encontra-la para importação por um preço razoável.

Esse foi o Semanalfabeto dessa semana, atrasado novamente, mas eu sei que você me perdoa, querido leitor. Fique firme, até semana que vem, se possível comente ai embaixo o que você quer ler ou o que você não quer ler. Me dê uma luz, talvez eu te de um texto de nova. Seja gentil, um abraço.

 

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Semanalfabeto 6# – Como ver wrestling “mais ou menos”

Foi uma semana bem corrida e, acima de tudo, foi uma semana em que não vi quase nada de luta livre. Doravante, a edição de hoje, a qual já comecei a escrever duas vezes e não deu em nada, vai ser sobre o que eu faço quando eu quero assistir wrestling, mas não quero ASSISTIR wrestling.

Bem-vindos a mais um Semanalfabeto.

Já que é algo que faz parte do cotidiano, é quase impossível que nada de luta-livre apareça no radar, mas nenhuma das coisas que aparece é de uma substância real; nenhuma luta completa ou evento. Geralmente o que eu faço em ocasiões como essa é assistir promos no Youtube e ver compilações. Eu perco um tempo absurdo em compilações de golpes e momentos.

TOP 100 do caralho a 4; Top 70 mudanças de title; Os melhores spinebusters do Farooq (esse realmente existe, tem 5 min)

Isso é uma prática que eu alimento desde que comecei a assistir PW pois, se eu vejo algum golpe legal ou algum momento que eu não vi, é o que melhor me incentiva a procurar mais material e, no caso das indies, isso ajuda mais ainda, pois descubro algumas lutas que ocorreram e eu não fazia ideia.

Outra coisa FODA, e eu tenho a impressão que já falei disso aqui, são promos da NWA. Ric Flair, Ricky Steamboat, Terry Funk, 4 Horsemen (infelizmente sem o Mongo), Dusty Rhodes; É só o suprassumo da banana loura.

Existe outra coisa que geralmente não consumo em relação a wrestling e que essa semana resolvi ir atrás: trabalhos acadêmicos.

Existe uma quantidade considerável de trabalhos acadêmicos em português que abordam o Pro-Wrestling, seja no campo da semiótica, da linguística ou até tratando das biografias de lutadores. Baixei alguns para ler depois e, da olhada que eu dei, parecem bem interessantes. É bom, de vez em quando, tentar enxergar uma mídia que a gente consome tanto de outras formas. Tô parecendo um velho hoje, fico repetindo coisas que já falei.

Bom, acho que por hoje é isso, mais uma edição rápida com algumas dicas. Se quiserem ir atrás dessas coisas que eu falei… vão, porque procurar links com a internet daqui de casa vai ser um pouco complicado. Perdão por isso, a próxima vez que eu for falar de um assunto que exija links vou me preparar melhor.

Fiquem bem, tratem bem seus amiguinhos, sigam o PipeBomb no twitter e pensem um pouco fora das suas próprias cabeças, talvez ajude, talvez atrapalhe. Eu só quero é falar bosta.

Até semana que vem.

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Semanalfabeto 4# – Luzes, câmera, fogos, crowd, som …

Eu tinha algumas ideias de tema, mas como tenho de escrever isso mais rápido que o gato a jato, culpa de um prazo apertado da faculdade, o tema de hoje é NADA. Sim, pelo menos 500 palavras sobre qualquer assunto que venha a mente e esteja relacionado à luta livre.

Bem-Vindos.

Bom, falando em faculdade (e eu tenho um maldito trabalho para Quarta que provavelmente será minha ruína como ser-humano), há algum tempo atrás uma professora pediu um trabalho sobre multimídia, contendo qualquer tema já tenha abordado em sala. Um dos temas foi multissensorialidade e então a pauta “WRESTLING!” bateu na minha cabeça (com uma cadeira de metal).

É, na verdade eu estava enganado, a pauta DESSA EDIÇÃO vai ser exatamente essa e digo mais, vai ser uma edição sem edição, então tudo o que está aqui, FICA.

“O que acontece no semanalfabeto, fica no semanalfabeto” PLATÃO, 1989

Vamos lá.

É normal consumir tanto um produto a ponto de suas especificidades tornarem-se despercebidas em uns aspectos, ao passo que outras ficam mais gritantes. Quando se trata dessa forma de expressão, com o tempo se repara mais em como os movimentos são executados, a psicologia e construção das lutas, os erros que já levantam a voz, mesmo que sejam pequenos e em como as histórias caminham para suas resoluções em lutas especiais. Por outro lado, a gente começa a não notar mais toda vez que toca uma música para alguém entrar, seguido de fogos dependendo de quem for; não percebemos que alguns golpes não fazem nem sentido no mundo real, mas dentro da linguagem tem um nível de força particular, dependendo de cada lutador. Sim, sem nem notar você sabe exatamente quanto machuca cada golpe e o impacto que ele tem dependendo do ponto da luta.

Dentre esses aspectos está inserida a minha recém descoberta pauta. Luta Livre é um tipo de arte (e se você discorda, faça-me um favor e se foda) que permite a comunicação com o receptor em vários níveis, dependendo inclusive da interação com ele para que a máquina toda funcione. Quantas vezes você não viu uma luta que estava boa, os golpes fluindo e os lutadores bem sintonizados, mas com uma crowd tão brocha que ficou só no meh? Tudo isso faz parte da experiência.

O mesmo vale para as chants e theme songs, as últimas muito faladas desde a saída do senhor Jim Johnston da WWE. O criador dos temas sonoros da Nation of Domination, Stone Cold e Chris Jericho (que ele nos abençoe a todos) declarou, alguns dias depois, que não se considera um fã de Wrestling e, todavia, sempre tentou contar a história dos Wrestlers através do que ele foi contratado para fazer: som.

Acontece com as roupas, os cabelos, camisetas, jeito de andar, de correr, de meter um socão na cara do ser-humano a sua frente. Tudo contribui e, se algum desses falha, o todo se perde. É como um filme, um teatro, isso todo mundo já entendeu, só talvez não pensem muito no assunto. São as diferenças entre ver um show em casa e no estádio, o motivo de comentarmos nas redes sociais, tentando simular essa sensação e se tornando, de certa forma, até um outro tipo de crowd.

Bom, basicamente é isso e era uma pauta que eu estava querendo desenvolver para o trabalho de faculdade. Sinceramente, acho que não vai rolar, por isso estou gastando ela aqui, até de maneira bem rasa, sem fontes, entrevistas e um desenvolvimento mais profundo. Talvez algum dia eu volte nisso.

 

Antes de finalizar, duas coisas:

Se não me engano hoje acontece o show de 11 anos da FILL e porra, ONZE ANOS, muitos parabéns para o Titan e todo mundo da empresa que trabalhou pelo projeto, é admirável a força de vontade de vocês.

A segunda coisa é que surgiu a notícia meio torta que talvez a WWE venha ao Brasil. De começo eu achei que vinha, depois vi no Twitter um papo de que não estava nada confirmado e resolvi deixar para lá. De verdade, eu espero que venha, eu já estou empolgado em rever isso ao vivo, com mais lutadores que eu gosto e ao lado de gente que eu gosto. Se não rolar, tudo bem também, para quem não tem nada metade é o dobro, mas vamos aguardar. Só não contem para o Luan que na minha casa nova não tem internet, porque aí talvez ele não venha.

Até semana que vem, sejam legais com os amiguinhos.

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arquivo

Semanalfabeto 2# – Dias de um arquivo esquecido.

1H40 AM

Está frio e existem duas possibilidades: ou eu estou com catapora ou eu tenho uma alergia admirável a oxigênio, porque não existe pernilongo suficiente na terra para fazer um ataque soviético desses.

É a punição dos piratas.

Bem-Vindos, essa edição é um oferecimento XWT: Tudo o que você conseguir baixar, principalmente se for Free-Leech. É incrível a quantidade de merdas que a gente guarda pensando que vai assistir um dia e acaba esquecendo que existe. Pelo menos até criar um quadro teoricamente semanal. Vamos aos arquivos empoeirados! (mais…)

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